África

Yokohama, aqui vamos nós

Nos últimos anos, a sina do “quase” perseguiu o Espérance em competições continentais. Desde 1997, quando a CAF estabeleceu o novo formato da Liga dos Campeões africana, os tunisianos ficaram entre as quatro melhores equipes do torneio em seis oportunidades. Em 2001, 2003 e 2004, parou nas semifinais. Nada comparado aos traumas de 1999, 2000 e 2010, onde perdeu todas as decisões. A última, inclusive, de forma vexatória: derrota por 5 a 0 para o Mazembe no jogo de ida.

Diante do retrospecto, naturalmente os torcedores nutriram alguma desconfiança no último fim de semana. Após empate em 0 a 0 no jogo de ida da final da LC 2011, o Espérance recebeu o Wydad Casablanca precisando vencer para quebrar um jejum de 17 anos sem o principal título de clubes do futebol africano. E como a esperança (difícil resistir ao trocadilho) é a última que morre, a equipe “Sangue e Ouro”, assim conhecida pelas cores vermelha e amarela de seu uniforme, se impôs em campo e venceu por 1 a 0, quebrando o tabu e conquistando o bicampeonato continental de sua história.

De quebra, a conquista assegurou uma vaga no Mundial Interclubes deste ano, a primeira competição internacional em 92 anos de história da equipe de Túnis. Após o sucesso do Mazembe no ano passado, as equipes africanas certamente passarão a impor mais respeito na competição. As comparações são inevitáveis: o Espérance 2011 possui um futebol superior ao Mazembe 2010? Seria possível o time tunisiano ao menos repetir o feito dos congoleses? A resposta para as duas questões é a mesma: sim.

Obviamente, o primeiro questionamento é absolutamente discutível. Taticamente, os tunisianos parecem ter uma equipe mais pronta, não apenas pelo conjunto, mas pelo fato de estar adaptada a diversas situações de jogo. Após a perda da LC para o Mazembe em 2010, o treinador Nabil Maaloul foi contratado para o lugar de Faouzi Benzarti e montou uma equipe praticamente imbatível no continente. Desde a sua chegada, foram apenas duas derrotas, além da inédita “tríplice coroa” (Campeonato Tunisiano, Copa da Tunísia e Liga dos Campeões).

Sob seu comando, a equipe é usualmente montada no 4-3-1-2, com o meia Oussama Darragi, capitão e craque do time, coordenando as ações ofensivas. Trata-se de um jogador com boa estatura, excelente visão de jogo (o gol do título originou-se de uma inversão de jogo magistral de Darragi) e qualidade no arremate – o meia anotou 20 gols na temporada passada. A “trinca” de volantes pode variar, pois Wajdi Bouazzi, que cai pela esquerda, apresenta-se constantemente ao ataque, transformando o esquema em um 4-2-3-1. Khaled Korbi e Mejdi Traoui, este último o jogador mais velho do time titular (27 anos), são os responsáveis pela contensão.

O ataque caracteriza-se pela constante movimentação, sobretudo por parte de Youssef Msakni. O jovem de 21 anos já integra a seleção principal da Tunísia, e dependendo da estratégia de Maaloul, também pode funcionar como um meia pela direita. O centroavante é o camaronês Yannick N’Djeng, autor de quatro gols na LC (todos em uma única partida, contra o Mouloudia Alger) e que assumiu a ‘ingrata’ missão de substituir o ótimo Michael Eneramo, artilheiro da LC 2010 e que hoje atua no futebol turco.

Outra peça importante ofensivamente é o lateral-direito ganês Harrison Afful, autor do gol do título contra o Wydad – o que pode ser um problema no Mundial, pois contra um Santos, por exemplo, nada menos que Neymar cairia nas suas costas. Mas se for o caso, o treinador tunisiano tem uma carta na manga: Sameh Derbali, lateral muito mais cauteloso e que costuma iniciar os jogos em que a equipe adota uma postura mais defensiva, como no duelo contra o Wydad Casablanca no Marrocos. Em contrapartida, a alteração compromete uma das grandes virtudes ofensivas do time, no caso, as jogadas combinadas pelo lado direito entre Afful e Msakni.

Pelo lado esquerdo, a situação é exatamente inversa. O jovem lateral Yaya Banana, forte no jogo aéreo e que integrou a seleção camaronesa no Mundial Sub-20, funciona praticamente como um zagueiro, ultrapassando pouquíssimas vezes o meio-campo. Para quem sonha com um Santos x Barcelona no fim do ano, é bom abrir o olho com o Espérance – principalmente se o sorteio evitar os catalães do caminho dos tunisianos até a final. Mas por enquanto, tudo não passa de um sonho. Um novo sonho, pois o antigo já é realidade: os tunisianos, incontestavelmente, formam a melhor equipe do futebol africano no momento.

Nada fora do normal

Na estreia de Bob Bradley sob o comando da seleção egípcia, pouco futebol e derrota por 2 a 0 para o Brasil em amistoso disputado no Catar. Muitos esperavam uma equipe à altura da seleção brasileira, até pela tradição do Egito no futebol africano, mas o fato é que a realidade dos ‘Faraós’ está muito distante disso. Após a perda da vaga para a CAN 2012, Bradley assumiu o comando e encontrou uma seleção desmotivada e envelhecida. Em seu primeiro teste, o norte-americano provou que está disposto a iniciar um processo de renovação, dando oportunidade a jovens como o zagueiro Hegazy e o goleiro El-Shenawy – que apesar da falha no segundo gol, é um jogador de muito potencial.

Outro fator importante é que o treinador também parece estar atento ao que acontece na Premier League egípcia, atribuindo papeis de destaque a vários destaques locais como Shikabala, Meteab e Hosny, atual artilheiro do ‘Egipcião’. No mais, foi possível notar que a intenção é formar um time que valorize a posse de bola, sem muita velocidade nos contra-ataques, mas que pensa o jogo e não teme arriscar chutes de longa distância. Por ser uma equipe em formação, ainda há muito caminho a percorrer. O futebol pobre contra o Brasil está longe de ser um desastre.

Curtas

– Nesta terça-feira, os jogos de volta da primeira fase das eliminatórias africanas para a Copa do Mundo serão realizados. Entre os principais resultados na ida, Togo visitou Guiné-Bissau e empatou em 1 a 1. Também fora de casa, o Congo não tomou conhecimento de São Tomé e Príncipe, goleando por 5 a 0. Já Guiné-Equatorial, uma das sedes da CAN 2012, bateu Madagascar por 2 a 0.

Outros resultados: Comores 0x1 Moçambique, Djibuti 0x4 Namíbia, Eritréia 1×1 Ruanda, Seychelles 0x3 Quênia, Suazilândia 1×3 RD Congo, Chade 1×2 Tanzânia, Lesoto 1×0 Burundi e Somália 0x0 Etiópia.

– De forma dramática, o Dolphin garantiu o título da temporada 2010-11 do Campeonato Nigeriano. A equipe bateu o Bukola Babes por 1 a 0, gol de Derek Amadi, e contou com o tropeço do Sunshine Stars, derrotado por 1 a 0 pelo Kano Pillars, para assumir a liderança na última rodada e faturar o tricampeonato nacional de sua história.

– Em torneio amistoso denominado LG Cup, que reuniu quatro seleções do futebol africano (Camarões, Marrocos, Sudão e Uganda), Camarões e Marrocos empataram em 1 a 1 no tempo normal da grande decisão, e nos pênaltis, os camaroneses venceram por 4 a 2 e ficaram com o título.

– Amistosos pelo continente: Gabão 0x2 Brasil, Guiné 1×4 Senegal, Burkina Faso 1×1 Mali, África do Sul 1×1 Costa do Marfim, Nigéria 0x0 Botsuana (estreia do novo treinador nigeriano, Stephen Keshi) e Argélia 1×0 Tunísia.

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Equipe Trivela

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