África

Um pesadelo africano

Sejamos francos. O cenário está longe de ser aquele sonhado pelos africanos. Ninguém nunca acreditou muito nessa história de que eles chegariam à Copa do Mundo com chance de título. Natural. Não havia nada, a não ser o fator casa, que talvez corroborasse essa opinião. Mesmo seus atletas descartavam essa vantagem. Uma forma de tirar a pressão das costas? Talvez. Mas, no fundo, eles têm consciência do limite de suas seleções.

A Costa do Marfim, argumentam, seria uma candidata a surpresa no Mundial. É verdade. Mas a saída do bósnio Vahid Halihodzic de seu comando e o elenco rachado praticamente sepultaram qualquer possibilidade da equipe na África do Sul. Não seria exagero dizer, o mesmo vale para os demais representantes do continente. Exceção feita, possivelmente, à Argélia, que, desde o episódio com o Egito, não deu nenhum passo atrás e vem crescendo, e a Camarões.

Ainda assim, não se pode dizer que os argelinos, por exemplo, se encontram em uma situação totalmente confortável. Eles têm, sim, com o que se preocupar. Dois de seus principais jogadores correm o risco de perder a competição. Segundo o jornal Al Heddaf, os meias Nadir Belhadj e Mourad Meghni receberão a visita nesta sexta-feira de funcionários da federação de futebol do país e poderão ter, ao fim do encontro, anunciadas as suas dispensas do time.

Seria uma perda considerável para o grupo do técnico Rabah Saadane. Mas, como já era de se imaginar, ele não é o único que vem sofrendo com esse assunto no momento. Os demais treinadores de seleções africanas enfrentam a mesma dor de cabeça. Em comum entre eles, o fato de as contusões terem atingido justamente as suas referências em campo. Um pesadelo que pode de uma vez por todas minar o sonho africano na Copa do Mundo.

Didier Drogba e Michael Essien são as duas maiores esperanças de título do continente. Hoje, no entanto, não têm participação confirmada no campeonato. Outro atleta do Chelsea, John Obi Mikel, mesmo com todas as restrições que tenho ao seu futebol, seria um nome que aumentaria as chances da Nigéria na briga. Mais um que precisa se recuperar para disputar o Mundial. Nem o brasileiro Carlos Alberto Parreira e a sua África do Sul estão imunes a esse problema.

Além de já ter perdido o goleiro Emile Baron, os Bafana Bafana convivem com a expectativa de uma possível ausência do experiente Sibusiso Zuma na competição. Ainda que não viesse sendo convocado com regularidade nos últimos meses, seria uma peça que acrescentaria bastante ao frágil ataque da equipe. É mais uma das dúvidas que acompanharão os africanos até momentos antes do anúncio da convocação final. Em que se pese o fato de ter sido na Copa Africana de Nações, Gana já provou que conseguiria se virar sem seus medalhões. Será que as outras seleções seriam capazes de demonstrar a mesma força?

A hora da verdade

A segunda fase da Liga dos Campeões começa nesta sexta-feira. Veja abaixo como será a briga por uma vaga na fase de grupos.

Espérance-TUN x Al Merreikh-SUD

Folgado na liderança da Ligue 1 tunisiana, o Espérance sonhar em chegar à fase de grupos pela primeira vez desde 2007. A aposta dos Sang Et Or é o nigeriano Michel Eneramo. Dono da braçadeira de capitão, ele formava dupla de ataque com Endurance Idahor, que sofreu um ataque cardíaco e faleceu em campo no início de março. O Al Merreikh deve dar trabalho. A exemplo de seu compatriota Al Hilal, vem fazendo boas campanhas nos últimos anos. Nesta edição, no entanto, não tem mostrado consistência fora de casa.

Entente Sétif-ARG x Zanaco-ZAM

De volta à Copa do Mundo, a Argélia pode comemorar também a classificação de suas equipes para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Ao contrário do compatriota JS Kabylie, o Entente Sétif foi premiado com um adversário mais acessível no campeonato. O Zanaco, da Zâmbia, não deverá oferecer maior resistência à equipe, que faz excelente campanha em seu país, na segunda colocação da liga e ainda na briga por uma briga na decisão da copa nacional. Entre os destaques do time, está o goleiro da seleção argelina, Chaouchi.

Supersport United-AFS x Hearland-NIG

Em qualquer situação, já não é aconselhável, mas, contra o Heartland, pode ser ainda mais perigoso. O Supersport tem consciência disso. Não por acaso, entra no confronto com a orientação clara de não fazer faltas próximo à sua área. O motivo da preocupação é o meio-campista nigeriano Ikechukwu Ibenegbu, comparado a David Beckham por sua precisão nas bolas paradas e considerado o sucessor de Agustin Okocha. Um dos nomes chamados para a pré-lista das Super Águias para a Copa do Mundo, ele terá a chance de convencer Lars Lagerback a levá-lo. Em alta, os sul-africanos tentam romper com a sina dos representantes do país no torneio.

Djoliba-MAL x TP Mazembe-RDC

Foram US$ 10 milhões de investimento para essa temporada. Não resta dúvida: o TP Mazembe está disposto a manter o título e repetir o feito da década de 60, quando conquistou a Liga dos Campeões por duas vezes seguidas. O artilheiro Tresor Mputu segue na equipe, apesar das especulações que insistem em ligá-lo a uma transferência para o futebol inglês. Será preciso ter cuidado com o Djoliba, que ficou com os dois principais campeonatos na última temporada malinesa.

Al Hilal-SUD x Ismaili-EGI

A situação do Ismaili não é nada boa. Com salários atrasados, o clube enfrentou recentemente uma greve de atletas e foi obrigado a atuar com garotos em uma partida da Premier League egípcia. Na quarta colocação apenas do campeonato, a equipe já se conforma com a perda de uma vaga na próxima edição da Liga dos Campeões. Em meio às especulações de uma possível saída de jogadores como Hosni Abd-Radou, Al-Hadari e Omar Gamal, os dirigentes concentram os seus esforços na briga continental. Semifinalista no ano passado, o Al Hilal promete dificultar ainda mais a vida dos Dervishes.

JS Kabylie-ARG x Petro Atlético-ANG

JS Kabylie e Petro Atlético não chegaram até aqui por acaso. Na fase anterior, deixaram pelo caminho Raja Casablanca e Club Africain. A expectativa é de no mínimo um confronto equilibrado. Mais tradicional, o clube argelino enfrenta um momento conturbado fora dos gramados, com acusação de racismo por sua forte cultura local. O zagueiro Idrissa Coulibaly é uma das apostas da equipe contra o Petro, que vem de duas goleadas na Girabola. Segurar a artilharia angolana será uma das tarefas do defensor malinês.

Dynamos-ZIM x Gaborone United-BOT

O Dynamos tem consciência das vantagens que uma boa campanha na Liga dos Campeões pode trazer. O privilégio de poder entrar apenas na segunda fase do campeonato é um deles. Depois de chegar às semifinais em 2008, em meio à crise financeira que o país atravessava, a equipe sonha em repetir a campanha neste ano. O caminho até a próxima etapa foi facilitada com o sorteio. O Gaborone United, de Botsuana, dificilmente conseguirá protagonizar mais uma zebra na competição após eliminar o Orlando Pirates-AFS.

Al Ittihad-LIB x Al Ahly-EGI

Com uma base praticamente inalterada nos últimos anos, o Al Ahly tem falhado na hora de se reforçar. Até por isso, a equipe pretende deixar as apostas de lado no segundo semestre e contratar apenas jogadores já consagrados em seu país, caso de Mohamed Shawky, Hosni Abd-Radou e Shikabala. A chegada do trio representaria um grande acréscimo a um time que pretende evitar que se repita na Liga do Campeões o mesmo drama de 2008, quando foi eliminado nesta fase. O páreo é duro. O Al-Ittihad tem o título praticamente assegurado em seu país e desdenhou da força dos egípcios durante a semana. Daouda Kamilou é a esperança libanesa.

Um escalão mais abaixo

Na Copa CAF, as equipes se encontram no mesmo estágio da Liga dos Campeões e iniciam a briga por uma vaga na fase de grupos no fim de semana. Confira os confrontos:

Al Amal-SUD x CR Belouizdad-ARG
Warri Wolves-NIG x CAPS United-ZIM
Petrojet-EGI x CS Sfaxien-TUN
FUS Rabat-MAR x Stade Malien-MAL
AS Vita Club-RDC x Enyimba-NIG
Coton Sport Garoua-CAM x Primeiro Agosto-ANG
Simba-TAN x Haras Al Hadood-EGI
AS FAN-NIG x DC Motema Pembe-RDC

Apenas o primeiro?

Não surpreende a notícia de que Emannuel Adebayor resolveu se aposentar da seleção togolesa. O jogador justificou a decisão com o ataque sofrido por ele e seus colegas em janeiro, a caminho de Angola, na Copa Africana de Nações. Não precisava ter ido tão longe. A própria desorganização dos dirigentes locais já seria suficiente para explicar a sua atitude. Não faz sentido, por mais comprometimento que se deva ter com o seu país, se subordinar ao que vinha sendo presenciado em Togo.

Desde a Copa do Mundo de 2006, foram vários os episódios pitorescos protagonizados pelos togoleses. Com a reputação que tem, pode-se dizer que caberia a Adebayor talvez mudar essa situação. Mas, acredite, não é assim tão fácil. E o atleta não se equivoca ao deixar de lado essa luta para se dedicar à sua carreira. Ele foi até onde pôde, é a verdade. Agora resta à federação do país rezar, e muito. Ao que tudo indica, o movimento não deverá parar com o atacante do Manchester City.

Fica difícil imaginar de longe, mas Adebayor é hoje a principal referência de Togo no mundo. Natural, portanto, que aqueles jovens que, nos últimos anos, fizeram a opção de defender os Gaviões, ao invés da França, por exemplo, agora se sintam inclinados a também abandonar a seleção. Não há ainda confirmado nesse sentido, mas já especulam os nomes de Serge Akakpo, Serge Gakpe e Alaixys Romao. Seria uma catástrofe para Togo. Seu futuro estaria mais do ameaçado, certamente.

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Equipe Trivela

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