Um golaço aos 41 do 2° tempo garantiu ao Espérance o impensável tri na Champions Africana

O Al Ahly parecia pronto a conquistar seu nono título na Liga dos Campeões da África. Os Diabos Vermelhos colocaram a mão na taça ao vencerem o jogo de ida da decisão por 3 a 1, enlouquecendo a torcida em Alexandria. Seria difícil ao Espérance recobrar o prejuízo na Tunísia. Um clima tenso tomou o Estádio Olímpico de Radès, com direito a um triste episódio de agressão. No entanto, de maneira impensável, a virada aconteceu. Os Taraji venciam por dois gols de diferença e precisavam de mais um tento nos minutos finais. E ele aconteceu com todos os méritos de Anice Badri, capaz de uma jogadaça aos 41 do 2° tempo. As arquibancadas explodiram na comemoração. Com os 3 a 0 no placar, ninguém mais tiraria a taça das mãos do Sang et Or. O clube fatura seu terceiro título na Champions Africana e, de quebra, se confirma no Mundial de Clubes.
Desde antes da independência da Tunísia, o Espérance se colocou como um dos clubes mais importantes do país. Teve a participação de militares franceses em sua fundação, com o nome se referindo à “esperança” posterior à Primeira Guerra Mundial. Também contou com a presença das elites árabes, incluindo em seus quadros de dirigentes ninguém menos que Habib Bourguiba, primeiro presidente tunisiano pós-independência, que permaneceu 30 anos à frente do país. Além disso, durante a ditadura de Zine el-Abidine Ben Ali (chefe de estado de 1987 a 2011, deposto na Primavera Árabe) é que os Taraji viveram sua maior prosperidade, com o sucesso muitas vezes atrelados ao poder. Foi neste período que estabeleceram sua hegemonia no Campeonato Tunisiano e conquistaram seus dois primeiros títulos na Champions Africana, em 1993 e 2009. Agora, reafirmam sua força.
A campanha do Espérance teve os seus percalços. A equipe sofreu para eliminar o Gor Mahia, de Quênia, na última fase preliminar e terminou em segundo na fase de grupos, atrás do próprio Al Ahly. Ganhou os dois confrontos no clássico contra o Étoile du Sahel, válido pelas quartas de final, mas a classificação nas semifinais só aconteceu depois de muita polêmica. A vitória por 4 a 2 sobre o 1° de Agosto, após o revés por 1 a 0 em Angola, teve várias polêmicas de arbitragem – incluindo um tento muito mal anulado do Pri. Apesar das queixas, os tunisianos avançaram à decisão contra o Al Ahly. E também tiveram suas reclamações contra o apito na ida, em que os Diabos Vermelhos realmente jogaram melhor, mas tiveram pênaltis contestáveis a seu favor nos 3 a 1 de Alexandria.
A atmosfera pesada da Tunísia causou problemas antes mesmo da partida desta sexta. Durante o trajeto do ônibus do Al Ahly ao Estádio Olímpico de Radès, vândalos travestidos de torcedores atiraram pedras e outros objetos no automóvel, ferindo o rosto de um dos jogadores egípcios. Já nas arquibancadas, uma enorme festa para empurrar os anfitriões rumo à difícil virada. Como era de se esperar, o Espérance dominou o jogo desde o primeiro tempo, mas tinha dificuldades em criar chances claras de gol. O primeiro tento saiu apenas nos acréscimos, em jogada concluída por Saad Bguir na raça. Já aos nove minutos do segundo tempo, Bguir reapareceu para desferir uma cabeçada potente, aumentando a diferença. Era o que a torcida precisava para alimentar suas expectativas.
O herói do título seria Anice Badri, ponta que nasceu na França e fez boa parte de sua carreira na Europa, antes de chegar à Tunísia em 2016. Camisa 9 da seleção na Copa do Mundo, o atacante assumiu o protagonismo. Criou algumas chances de perigo, até fazer tudo sozinho no lance fatal. Roubou a bola no campo de defesa, puxou o contra-ataque ao longo da intermediária e encarou a marcação. Já na entrada da área, abriu o caminho com uma finta, antes de soltar a bomba no alto da meta de Mohamed El-Shenawy. Golaço, que fez o estádio estremecer durante a comemoração. Valeu o tricampeonato continental ao Espérance.
O título vale o reconhecimento ao futebol tunisiano, que também realizou mudanças profundas desde a Primavera Árabe. Repercute a campanha razoável que as Águias de Cartago já viveram na Copa do Mundo e dá uma nova chance no Mundial de Clubes. A equipe vai encarar Al Ain ou Team Wellington nas quartas de final e o vencedor pegará o campeão da Libertadores nas semifinais. Darão a chance à sua fanática torcida de invadir os Emirados Árabes e viver um pouco mais da glória pelo maior título do continente.
https://www.youtube.com/watch?v=GgtS1M43oGk
Scènes de liesse à La Marsa, Tunisie, après la victoire nette et limpide de l’Espérance sportive de Tunis sur Al Ahly du Caire en finale de la coupe africaine de la Ligue des champions, une belle revanche sur le scandale de l’arbitrage du match aller. #TotalCAFCLFinal #ESTASC pic.twitter.com/eSGKpluwzs
— Ahmed Ben Cheikh (@7bc) 9 de novembro de 2018
فيديو لـ #بوابة_العين_الرياضية | جماهير #الترجي التونسي تحتفل بتقدم فريقها على #الأهلي المصري بثلاثة أهداف دون مقابل في إياب نهائي #دوري_أبطال_أفريقيا وهي النتيجة التي تكفل له التتويج بالبطولة#الترجي_الأهلي #دوري_أبطال_أفريقيا ? #TotalCAFCLFinal #عينك_على_الرياضة@ESTuniscom pic.twitter.com/7i64FNs9vA
— بوابة العين الرياضية (@alain_4u_sport) 9 de novembro de 2018



