Tubarões e peixes grandes na CAN 2013
Samuel Eto’o é o dono do maior salário do futebol mundial. O atacante recebe € 20 milhões anuais do Anzhi Makhachkala. A cada 17 horas, o camaronês fatura pouco mais de € 38 mil. O equivalente à premiação oferecida pelo governo de Cabo Verde à seleção do país, por conta da vaga inédita na Copa Africana de Nações. Quantia igual, mas de valor simbólico inestimável diante do feito dos Tubarões Azuis.
A trégua da guerra entre Eto’o e a federação camaronesa pouco adiantou. O artilheiro acertou uma bola na trave e deu uma assistência (curiosamente, para o gol de Fabrice Olinga, garoto de 16 anos descoberto pela própria fundação do astro), o que não evitou a eliminação precoce dos Leões Indomáveis. A derrota em Yaoundé foi o de menos, perto da façanha alcançada pelos caboverdianos. Uma conquista que eleva o meia Nhuck, o goleiro Vozinha e o técnico Lúcio Antunes ao patamar de heróis nacionais.
Criada em 1982 e filiada à Fifa quatro anos depois, a seleção de Cabo Verde havia falhado nas oito vezes anteriores que participou das eliminatórias da CAN. A ilha de 500 mil habitantes revelou alguns futebolistas de renome internacional, como Nani, Rolando e Gelson Fernandes, sem que nenhum deles optasse por defender o país. A honraria ficou para um grupo de jogadores espalhados por ligas secundárias da Europa, metade deles em Portugal.
No fim das contas, Cabo Verde será o único país estreante na próxima CAN. E também uma das raras surpresas na última fase qualificatória. Níger superou Guiné e, mesmo sendo a 42ª seleção do continente no Ranking da Fifa, fará sua segunda participação consecutiva. A Etiópia volta 20 anos depois de sua última aparição e 50 de seu único título. Togo vinha despedaçado desde o atentado de 2010, mas deu provas de sua recuperação ao tirar o ascendente time do Gabão.
Ainda assim, a rodada final das eliminatórias guardou diversos momentos de imprevisibilidade. São mostras disso as arquibancadas em chamas na vitória da Costa do Marfim sobre Senegal, o gol de Burkina Faso aos 51 do segundo tempo ou os 20 pênaltis cobrados até que Kennedy Mweene desse à Zâmbia o direito de buscar o bicampeonato.
As emoções do último final de semana, assim como a presença de boa parte das seleções tradicionais do continente, aumentam as expectativas sobre a Copa Africana. Exceção feita a Camarões, Egito e Senegal, todos os outros peixes grandes estarão na África do Sul. Talvez indigestos demais para novo banquete dos Tubarões Azuis de Cabo Verde. Mas que devem garantir um prato cheio para os para os fãs de futebol a partir de janeiro de 2013.
Confira os participantes da CAN 2013:
África do Sul (19º): anfitriã / 8 participações / 1 título / não esteve em 2012
Angola (20º): eliminou Zimbábue / 7 participações / primeira fase em 2012
Argélia (2º): eliminou Gâmbia e Líbia / 15 participações / 1 título / não esteve em 2012
Burkina Faso(23º): eliminou República Centro-Africana / 9 participações / primeira fase em 2012
Cabo Verde (10º): eliminou Madagascar e Camarões / nunca participou / não esteve em 2012
Costa do Marfim (1º): eliminou Senegal / 20 participações / 1 título / vice em 2012
Etiópia (33º): eliminou Benin e Sudão / 10 participações / 1 título / não esteve em 2012
Gana (4º): eliminou Malawi / 19 participações / 4 títulos / semifinalista em 2012
Mali (3º): eliminou Botsuana / 8 participações / semifinalista em 2012
Marrocos (18º): eliminou Moçambique / 15 participações / 1 título / primeira fase em 2012
Níger (42º): eliminou Guiné / 2 participações / primeira fase em 2012
Nigéria (13º): eliminou Ruanda e Libéria / 17 participações / 2 títulos / não esteve em 2012
RD Congo (30º): eliminou Seychelles e Guiné Eq. / 16 participações / 2 títulos / não esteve em 2012
Togo (24º): eliminou Quênia e Gabão / 7 participações / não esteve em 2012
Tunísia (7º): eliminou Serra Leoa / 16 participações / 1 título / quadrifinalista em 2012
Zâmbia (6º): eliminou Uganda / 16 participações / 1 título / campeã em 2012
*Entre parênteses, a posição entre as seleções africanas no Ranking da Fifa



