África

Tráfico de jogadores, eleições questionadas e confusão em Serra Leoa

Serra Leoa vive dias turbulentos no seu futebol. Os clubes do país se recusam a jogar a Premier League por não reconhecerem a presidente, Isha Johansen, acusada de ter se elegido de forma fraudulenta. Nesta terça, a presidente acusou os clubes do país de fazerem tráfico de jogadores, levando menores de idade de Serra Leoa para países vizinhos. Johansen é apenas a segunda mulher no mundo a assumir a presidência de uma federação nacional de futebol, mas parece que a dirigente, de 48 anos, precisará de muita sorte.

Johansen foi eleita parta ser presidente da Federação de Serra Leoa no dia 3 de agosto, derrotando o jogador Mohamed Kallon, de 33 anos, e outros candidatos, todos desqualificados da eleição, algo que foi reconhecido pela Fifa, apesar dos recursos dos candidatos. Kallon é aquele mesmo ex-Internazionale e que ainda joga futebol pelo Kallon FC, clube do qual é dono. Johansen é presidente de um clube serra-leonês, o FC Johansen, fundado em 2004.

Por Isha Johansen ter sido candidata única, os demais candidatos boicotaram a eleição. Muitos clubes se negam a reconhecer o poder de Johansen como uma forma de protesto, até pelo prestígio que alguém como Kallon tem no país. As acusações são que a eleição foi “fraudulenta, falsificada e motivada politicamente”. Acusações sérias, assim como são sérias as acusações que ela faz aos clubes, de levarem jovens do país, menores de idade, para além das fronteiras.

“A Federação de Futebol de Serra Leoa gostaria de comunicar essa informação a todas as embaixadas e consulados dos países do Ecowas [Economic Community of West African States, Comunidade Econômica dos Estados do Oeste Africanos] e chamar sua atenção”, diz o comunicado divulgado pela presidente Johansen. “A Federação de Futebol gostaria de contar com a cooperação da CAF [Confederação Africana de Futebol] em proteger os jovens jogadores do abuso”, continua o texto.

A Premier League Serra-Leonesa está vivendo uma crise. Diversos clubes se recusam a reconhecer a liderança de Johansen, que chefia a liga, e não querem disputar o torneio. As acusações de Johansen podem ser vistas como uma forma de retaliação aos clubes.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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