África

Te cuida, Brasil

Alguns dos principais percalços da seleção brasileira em busca de um inédito ouro olímpico são a falta de entrosamento e de jogos preparatórios da equipe sub-23, uma vez que sequer treinou junta. Nesse sentido, outras equipes atropelam os comandados de Mano Menezes, e mesmo que o Brasil tenha caído numa chave ‘acessível’ na fase de grupos, precisa abrir o olho com os adversários. Ao menos na fase inicial, o mais temeroso deles parece ser o Egito. E não é por acaso.

Enquanto os brasileiros reclamam do calendário apertado, os egípcios lamentam a ausência de compromissos. As consequências do massacre em Port Said forçaram o cancelamento de toda a temporada local, que teve seus últimos jogos disputados há exatos três meses, no primeiro dia de fevereiro. Manter os jogadores em atividade tem sido um dilema. E se a maioria dos clubes não pode dar conta dessa tarefa (a não ser os que disputam competições continentais), a seleção tem se encarregado disso. Uma série de amistosos contra equipes de quase todos os continentes tem fortalecido o elenco comandado por Hani Ramzi, seguramente o mais promissor entre as seleções africanas.

Um dos grandes méritos desta equipe é a adaptação ao estilo que Bob Bradley implantou na seleção principal: esquema tático 4-2-3-1, valorização da posse de bola, marcação pressão, entre outros aspectos. Em meio à paralisação da temporada, os ‘pequenos faraós’ desfrutaram de um longo período de treinamentos no Catar e recentemente fizeram um ‘tour’ pela América, após Ramzi declarar que a equipe precisava de experiência contra a “escola sul-americana”. As boas participações no Mundial Sub-20 e no Africano Sub-23 também podem servir como parâmetro.

O Egito não disputa as Olimpíadas desde 1992, em Barcelona, quando perdeu para Espanha e Catar e foi eliminado logo de cara. A geração atual reúne muito potencial e já abastece a seleção principal gradativamente. A referência da equipe é o ótimo Mohamed Salah, que fez um Mundial Sub-20 primoroso no ano passado e já é titular também com Bob Bradley. Atacante habilidoso, de muita movimentação e drible fácil, foi adquirido pelo Basel para a próxima temporada com a missão de substituir o promissor Shaqiri. Em amistoso dos sub-23 egípcios contra o clube suíço, Salah marcou dois na vitória dos faraós por 4 a 3 e despertou o interesse dos europeus.

Mas a seleção não gira apenas em torno dele. O goleiro Ahmed El-Shenawy, tido como o substituto do lendário Essam El-Hadary, também merece atenção. O zagueiro Ahmed Hegazy, já contratado pela Fiorentina para 2012-13, é outro pilar desta equipe. O meio-campo, que será incrementado por dois acima da idade limite em Londres (Shikabala e Fathi), se destaca pela predominância de jogadores leves, com bastante vigor físico. Mohamed El-Nenny, presença constante na seleção principal com Bob Bradley, é a figura a ser observada.

O ponto alto da seleção olímpica nos amistosos, sem dúvida, foi o amistoso contra a Espanha, que contava com Ander Herrera, Oriol Romeu, Isaac Cuenca, Cristian Tello e outros prodígios. A derrota por 3 a 1 foi mero detalhe. Desfalcados de jogadores importantes que jogavam com a seleção principal (El-Shennawy, Bassem Ali, El-Nenny e Salah), os egípcios fizeram jogo duro, saíram na frente do placar e equilibraram a posse de bola durante um bom tempo, colocando-os no mesmo patamar de uma das seleções favoritas ao ouro em Londres.

Mais recentemente, o Egito conquistou a Copa Intendencia de Paysandú, disputada contra o sub-23 do Uruguai fora de casa. Quem vencesse a partida levava o torneio amistoso, com vantagem do empate para os visitantes. A Celeste, contando com jogadores que deixaram ótima impressão na Libertadores deste ano (Alemán, Viudez, Bueno e outros), não passou de um empate sem gols. Vitórias sobre o Basel (citada anteriormente), Senegal, Costa Rica, Uzbequistão e Quênia também marcaram este período preparatório. A participação no Torneio Internacional de Toulon Sub-23 e um amistoso contra a Grã-Bretanha devem moldar definitivamente a base da seleção.

A forma física comprometida e fatores psicológicos devido ao caos político no Egito são os obstáculos a serem superados. Talento existe de sobra. E até pelo retrospecto sombrio do Brasil contra africanos nas Olimpíadas, todo cuidado com os pequenos faraós é pouco.

Curtas

 

– Grupos das seleções africanas nas Olimpíadas: A – Senegal, Grã-Betanha, Emirados Árabes e Uruguai; B – Gabão, México, Coreia do Sul e Suíça; C – Egito, Brasil, Belarus e Nova Zelândia; D – Marrocos, Espanha, Japão e Honduras. Aposto em Marrocos e Egito passando de fase.

– Campeão da Copa Africana em 2000 à frente de Camarões, Pierre Lechantre é o novo técnico de Senegal. O francês de 62 anos, que também já dirigiu Qatar e Mali, substitui Amara Traoré no comando. Com uma geração talentosíssima nas mãos (Papiss Cissé, Demba Ba, Moussa Sow e outros), possui a obrigação de classificar a seleção para a CAN 2013 e para a Copa de 2014.

– Outra seleção também está sob nova direção. Paulo Duarte, demitido de Burkina Faso, assumiu o comando de Gabão, uma das sedes da última CAN. O alemão Gernot Rohr que ocupava o cargo, não possuía bom relacionamento com grande parte de jogadores e dirigentes.

– Nos jogos de ida da segunda fase da Liga dos Campeões Africana, o Espérance goleou o Power Dynamos por 6 a 0 e praticamente liquidou a eliminatória. Msakni, com dois gols (olho nele, clubes europeus) foi o destaque. Outro tunisiano, o Etoile du Sahel, sapecou 4 a 1 no AFAD Djékanou.

– Mesmo em inatividade, o Zamalek venceu com autoridade o bom time do Maghreb de Fes por 2 a 0 fora de casa, gols de Hassan (sim, aquele) e Gaafar. O Al Ahly não teve a mesma sorte e acabou derrotado pelo Stade Malien por 1 a 0. Outro destaque foi o Mazembe, que fez 2 a 0 no Al-Merreikh. Mputu, com um gol e uma assistência, foi o melhor em campo.

– Já pela segunda fase da Copa da Confederação Africana, entre os resultados mais importantes, o ENPPI, do Egito, fez 3 a 1 no Cercle Olympique de Bamako. O Wydad Casablanca, mal no Campeonato Marroquino, bateu o AS Real Bamako por 3 a 0.

– O Inter de Luanda (Angola) goleou o Alamal Atbara por 4 a 1, enquanto o Club Africain, com gol do bom atacante N’Douassel, da seleção de Chade, fez 1 a 0 no Royal Leopards. A decepção foi o Black Leopards, da África do Sul, derrotado por 3 a 1 pelo Warri Wolves (Nigéria).

– Suspenso do futebol egípcio por dois anos, o Al Masry iniciará a temporada 2013-14 na segunda divisão, confirmou a Federação Egípcia. É rir pra não chorar.

– O Asante Kotoko garantiu matematicamente o seu 22º título do Campeonato Ganês. A equipe empatou sem gols com o Berekum Arsenal e contou com derrotas do Ashanti Gold (2º) e do Hearts of Oak (3º) para fazer a festa. O Kotoko não conquistava um campeonato nacional desde 2008.

– No Campeonato Sul-Africano, o Sundowns fez 3 a 1 no Santos e recuperou a liderança com 49 pontos, empatado com o Orlando Pirates, que ficou no 1 a 1 com o Ajax Cape Town. O SuperSport United, com 48, e o Sundowns, com 47, também estão na parada. Faltam três rodadas para o fim da competição.

– Após uma boa sequência de resultados, o Kabuscorp, de Rivaldo, perdeu em casa para o ASA por 2 a 0 e caiu uma posição no Girabola, ficando em 6º lugar, com 13 pontos. O líder, Recreativo do Libolo, bateu o Onze Bravos por 1 a 0 e chegou aos 22 pontos.

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