Africa

Talento em família

Abedi Pelé sempre será o símbolo da “brasilidade” (como dizem os próprios ganeses) do futebol de Gana. Maior artilheiro da história dos Estrelas Negras, o craque encheu os campos africanos com seu estilo cerebral e  vistoso por 17 anos (1981 a 1998). Para continuar seu legado, ele deixou três herdeiros: o mais velho, Abdul Rahim Ayew, disputou a CAN 2010 e segue uma razoável carreira no futebol belga.

E na próxima edição da Copa das Nações Africanas, outros dois filhos de Abedi estarão em ação: Andre Ayew, que já possui alguma bagagem pela seleção, e Jordan Ayew, estreante na competição.
E com ausências de Michael Essien, lesionado, e Kevin-Prince Boateng, retirado da seleção, mais do que nunca as esperanças de um pentacampeonato estarão depositadas na família Ayew. Andre, o mais experiente deles, sabe muito bem o peso do sobrenome no futebol local. Com apenas 18 anos, ele foi chamado para a disputa da CAN 2008 – muitos apontaram a influência de Abedi Pelé na Federação Ganesa como a razão de sua convocação. Vivia-se a expectativa de um título que não vinha desde 1982, que acabou frustrada com a derrota para Camarões na semifinal. Ayew, que participou do duelo, foi o bode expiatório da eliminação.

A redenção de Andre não tardou a vir: com atuações destacadas no Mundial Sub-20 de 2009, ele liderou uma equipe que trouxe um título mundial ao país de forma inédita. O desempenho também abriu caminho para que o atacante conquistasse espaço no Olympique de Marseille, da França, que já havia lhe emprestado a dois clubes para ganhar experiência. Didier Deschamps bancou o seu retorno, e hoje o ganês não apenas ostenta a condição de titular, como também é o artilheiro do time. A próxima CAN terá um sabor especial para Andre: será a sua primeira competição pelos Estrelas Negras na condição de protagonista, ao lado de Asamoah Gyan.

Mais do que isso, ele também estará acompanhado do irmão caçula e companheiro de clube, Jordan Ayew, que disputará sua primeira competição continental pela seleção ganesa. E ainda que os teóricos da conspiração novamente atribuam esta decisão ao seu sobrenome, o fato é que o jovem vem fazendo por merecer a oportunidade. Na atual temporada, Jordan se consolidou como alternativa principal aos titulares do ataque do Marseille e tem anotado seus gols. Aos 20 anos, ele tem tudo para amadurecer ainda mais com a pressão por um título que não vem há três décadas, mesmo que a jornada seja um fracasso.

Em entrevista ao site KickOff, Andre Ayew disse que ‘não é fácil ser filho de Abedi Pelé”, no sentido de que seu pai teve muitos críticos durante sua carreira, portanto, sua imagem acaba sendo transferida para os filhos. Gana fechou 2011 com 60% de aproveitamento em todas as partidas que disputou, incluindo amistosos. Na ausência de seleções importantes, como África do Sul, Camarões, Nigéria e Egito, os ganeses dividem o favoritismo da CAN 2012 com a Costa do Marfim, e os irmãos Ayew precisarão chamar a responsabilidade para que a equipe quebre esse jejum incômodo de títulos continentais. De qualquer forma, não há dúvidas de que Abedi Pelé tem motivos de sobra para se orgulhar – e que seus filhos tem tudo para construírem trajetórias na seleção ainda mais vitoriosas do que a do pai.

Curtas

– A premiação anual dos melhores do ano pela CAF agitou a semana no continente. Yaya Touré, marfinense do Manchester City, foi eleito o melhor jogador africano de 2011. Seydou Keita, malaio do Barcelona, ficou em segundo, enquanto Andre Ayew fechou o Top-3.

– Botsuana, surpresa das eliminatórias para a CAN, foi eleita a seleção do ano. Oussama Darragi, do Espérance (Tunísia), ficou com o prêmio de melhor jogador africano que atua no continente. Souleymane Coulibaly, marfinense do Tottenham, foi a revelação do ano, e Harouna Doula, da seleção de Níger, o técnico do ano.

– Senegal divulgou sua pré-convocação para a CAN 2012, mas segue sem treinador. O contrato de Amara Traoré expirou e a Federação Senegalesa reluta em aceitar um aumento no salário solicitado pelo comandante. Como consequência, os amistosos programados contra Tunísia e Sudão foram cancelados. Existem apelos para que o presidente do país interfira nas negociações.

– Guiné-Equatorial, uma das anfitriãs da CAN, vive uma situação igualmente delicada. O técnico Henri Michel novamente demitiu-se do comando, acusando interferência de ‘terceiros’ quanto à montagem do elenco para a competição. Especula-se que as disputas estejam centradas na convocação de um jogador que atua no futebol espanhol e possui dupla nacionalidade, além de pendências no pagamento de salários.

– A um mês do início da CAN, Burkina Fasso, Zâmbia e Mali também divulgaram suas pré-convocações para a CAN. Burkina aposta no trio Pitroipa – Dagano – Alain Traoré. Mali não terá Kanouté, aposentado da seleção, mas conta com o artilheiro Diabate, do Bordeaux. Zâmbia, que corre por fora na disputa, não terá o atacante Mulenga, do Utrecht, lesionado.

– Surpresa do Campeonato Egípcio, o Haras El-Hedood venceu o Al-Masry por 2 a 1 e conquistou sua oitava vitória em dez jogos. O Al Ahly, vice-líder, venceu o Ismaily pelo placar mínimo, enquanto o Zamalek bateu o Beni Suef por 2 a 0.

– Mais líder do que nunca. O FUS Rabat venceu o Wydad Fes por 1 a 0 e disparou na ponta da Botola, o Campeonato Marroquino, com 30 pontos. O Raja Casablanca bateu o JSM Laâyoune e pulou para a vice-liderança com 23 pontos, enquanto o Wydad Casablanca foi surpreendido e perdeu para o Hassania Agadir por 1 a 0.

– O ES Sétif venceu o USM Alger por 3 a 2 e faturou o título simbólico do primeiro turno do Campeonato Argelino. A equipe pulou para 27 pontos, os mesmos do Alger, mas leva vantagem no saldo de gols. O tradicional MC Alger venceu o El Eulma por 2 a 0 e deixou a zona de rebaixamento.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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