África

Após suposta agressão em campo, morte de assistente ganês pode ter relação com o ataque

O futebol ganês ganhou recentemente um capítulo triste em sua história, reflexo das condições do esporte no país. O assistente de arbitragem Kwame Andoh Kyei, de apenas 21 anos, faleceu na última sexta-feira, e há a suspeita de que sua morte tenha relação com supostas agressões sofridas por Kyei após o jogo entre Gold Stars e Naajoe Royals, em Bordie, pela segunda divisão de Gana, realizado no dia 2 de março.

Segundo a BBC, o irmão da vítima teria dito que Kwame Andoh Kyei foi agredido por torcedores do Naajoe Royals após a derrota do time por 2 a 0. Após alguns dias se queixando de dores nos olhos, Kyei foi levado a um hospital público, na sexta-feira, mas faleceu no mesmo dia.

A Associação de Árbitros de Gana preferiu não deduzir que a morte tenha mesmo sido consequência das possíveis agressões, mas Alex Quartey, ex-árbitro e presidente da entidade, em entrevista à BBC, já falou em combater a violência contra os juízes no futebol do país, lembrando que, caso se confirme a ligação entre o ataque e a morte, não seria a primeira vez que um árbitro é agredido durante o exercício da função.

“A proteção para árbitros nessas partidas é quase inexistente, então pedimos para nossos membros na região oeste que não apitassem jogos até que garantíssemos que estejam seguros. Não vamos tirar conclusões até que vejamos o relatório médico, mas há muitos casos de agressão a árbitros, especialmente em divisões inferiores, e vamos levar isso às autoridades”, disse Quartey.

Mais uma vez, o futebol virou pretexto para violência desmedida. Em si, a agressão já seria algo condenável seja qual fosse o motivo. Catalisada por uma simples partida de futebol, e ainda tendo supostamente acontecido na praça desportiva em que o jogo foi disputado, se torna especialmente absurda. Kyei era considerado um árbitro promissor por seus colegas e imaginar que ele possa ter perdido a vida por exercer sua função é revoltante, tanto no ponto de vista esportivo quanto, principalmente, humano.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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