África

Sem formação tática

O sorteio para o próximo Mundial sub-20 já tem data para acontecer: nesta quarta-feira, também conhecida como amanhã. Pois bem, por lá, em gramados colombianos, espera-se que passem, entre julho e agosto, gente como Neymar, Iker Muniain e Gael Kakuta. Kwame Nsor ou “Baby Adebayor”, assim chamado por jogar no Metz, da França, um dos primeiros times do atacante togolês, que em sua dia foi comparado a Kanu, também era aguardado no país cafetero. Vai ficar para a próxima.

Ele até se esforçou. Ao lado de Richmond Boakye, do Genoa, brigou contra os defensores durante o Africano Sub-20, concluído no último fim de semana, na África do Sul, mas não teve jeito. Atual campeã do mundo na categoria, Gana está fora do torneio. Ou seja, não terá a chance de defender o título conquistado dois anos atrás por promessas como Ransford Osei, Dominic Adiyiah, André Ayew e companhia.

Em três jogos, foram dois empates e uma derrota. Muito pouco, convenhamos, para quem vinha tão bem, com jogadores despontando por todos lados e assumindo a responsabilidade no time de cima. Há quem credite a pobre campanha àqueles desfalques tão comuns em competições de categorias de base – isto é, justificados pela não liberação dos jogadores por seus clubes. Aí, entram Afriyie Acquah e Kofi Agyei, ambos já em ação no futebol italiano, e também uma dupla sobre a qual existia grande expectativa – Jordan Ayew (filho mais novo de Abedi e irmão de André) e Kevin Osei (não, não é irmão de Ransford).

Os dois acabaram ficando de fora da viagem para a África do Sul. Pelo futebol e naturalmente pelo histórico dos nomes que carregam, um baque para os planos dos Black Satellites. Ainda assim, acreditava-se, dava para chegar lá e confirmar a vaga. Afinal de contas, eram quatro bilhetes para oito times. Não deu.

Primeiro, veio a derrota para a Nigéria de Uche Nwofor na estreia. Em seguida, a grande surpresa – se desconsiderarmos, claro, que pela frente estavam os atuais campeões africanos sub-17. Em jogo contra Gâmbia, considerado ideal para a recuperação dos pontos perdidos na estreia, empate em 1 a 1. O mesmo time que, em 2005, experimentou algumas mudanças em seu futebol bancadas ironicamente pelo ganense Osam Duodu, responsável por levar seus compatriotas ao vice-campeonato do Mundial Júnior em 1993.

Nesta altura, as justificavas já surgiam nos corredores das Estrelas Negras. Quase todas disparadas pelo técnico Orlando Wellington. Auxiliar no título de 2009, ele jogava para os jogadores a culpa pelo vexame na África do Sul. Esquecendo-se, talvez, de seu papel no desempenho da equipe. Não dá para esperar muito de alguém que, em seu dia, ao ser perguntado sobre qual formação tática usava com seu time, respondeu: “Eu não uso qualquer formação”. Esse é o cara que comanda também o clube que vai vencendo a Premier League local.

A partir daí, é possível compreender um pouco o primeiro grande fracasso de Gana nesses últimos anos. As perspectivas para a melhor seleção africana no momento não chegam a ser catastróficas. Não é pra tanto. Mas não é preciso dizer também que, seguindo com profissionais como esse como parte de um trabalho brilhantemente tocado por Le Roy e Rajovic, a tendência é que todo ele seja descartado no ralo. A conferir os primeiros passos.

Enquanto isso, não posso esquecer de dizer, os classificados do continente para a Colômbia são Camarões, Mali, Egito e Nigéria. Pelo pouco que vi e pelo muito que falam, nada para se empolgar. Mais uma vez, a conferir – inclusive, se apresentarão alguma formação tática, confere, Wellington?

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Equipe Trivela

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