Seis vezes campeão

Para a surpresa geral, Egito e Camarões não tomaram conhecimento do favoritismo de Gana e Costa do Marfim nas semifinais e chegaram à decisão da CAN. Assim como em 2006, os Faraós se deram melhor e venceram outra vez, conquistando o sexto título da competição. O responsável por toda aplicação tática apresentada pelos egípcios em campo, Hassan Shehata, se tornou, por seu turno, o primeiro treinador a ganhar o torneio por duas vezes consecutivas. Em alta, ele inicia, a partir de agora, a preparação para as Eliminatórias para a Copa do Mundo.
Os Leões Indomáveis, por outro lado, comemoram o acerto na escolha para a direção do time. Otto Pfister assumiu o cargo há três meses da CAN e, apesar de não ter podido realizar uma preparação adequada para a disputa, conseguiu conduzir os camaroneses até a final. E mais do que isso: permitiu a ascensão de valores como Alexandre Song entre os titulares, o que representa, de certo modo, um primeiro passo no processo de renovação que a equipe tanto necessita.
Gana goleou a Costa do Marfim na disputa pelo terceiro lugar, mas, entre as duas seleções, é a segunda que deixa a competição com perspectivas mais positivas. Dito isso, os marfinenses ainda precisam converter todo o potencial que possuem em conquistas, sob o risco de perder o atual status com o decorrer do tempo. As Estrelas Negras estão na mesma situação, porém, não têm à disposição tanto talento, o que obriga o técnico Claude Le Roy a seguir com seu trabalho de garimpagem para, assim, tentar fazer uma boa campanha em 2010.
Angola e Guiné tiveram atuações durante a CAN que apontam para um futuro promissor. Os Palancas Negras alcançaram, pela primeira vez, a fase de mata-mata do torneio com um time que apresentou novas alternativas como o polivalente Gilberto e o artilheiro Manucho. Nenhum dos dois esteve presente na última Copa do Mundo. A Sily Nationale também tem o que celebrar, com a afirmação de um trio de ataque poderoso, comandado por Feinduono. É preciso, em tempo, testar outras opções para a defesa, que não se mostrou tão segura durante as partidas.
São três as principais decepções do campeonato: Nigéria, Senegal e Mali. As Super Águias estão pagando o preço pela desorganização de sua federação. Em momento algum, os nigerianos conseguiram transmitir confiança para seus torcedores. Com uma proposta ultra-defensiva, que sacrificou o principal nome de seu meio-de-campo, Mikel, não era mesmo possível ir mais longe. Os Leões de Teranga, por sua vez, pela instabilidade que vem caracterizando a condução da Seleção, enquanto que Mali não teve em Jean-François Jodar um treinador que pudesse aproveitar, corretamente, suas maiores estrelas. Assim, Diarra, Kanouté e companhia terão que esperar mais dois anos torcendo para que não seja tarde.
O time de Hassan Shehata
Em todos os continentes, estão surgindo exemplos que comprovam que a aposta no futebol coletivo é a melhor saída para se dar bem perante os adversários. Não foi diferente na CAN. Sem um treinador europeu ou um time composto por astros de equipes do Velho Continente, o Egito conquistou o hexacampeonato do torneio apostando na aplicação tática de seus onze atletas. Assim, conseguiu superar seleções que possuem mais prestígio internacional, mas que, em campo, não apresentaram qualquer resistência.
Por raras vezes, a retaguarda egípcia foi ameaçada. Seguindo as três principais equipes do país, Al Ahly, Zamalek e Ismaili, o treinador Hassan Shehata escalou três zagueiros, que tinham, ainda, nos laterais a proteção que precisavam para se desvencilhar dos ataques. A versatilidade apresentada por essas duas peças, Fathi e Moawad, foi fundamental para que o meio-de-campo não perdesse força. Shawky e Hassan cooperaram nesse sentido, atuando na contenção, enquanto que Hosni avançava mais para o ataque, retornando, em seguida, para preencher o setor. Zidan e Aboutrika também realizaram a mesma função durante a competição.
Mais à frente, Moteab e Zaki cumpriram dois papéis: ora como “parede” para aguardar a chegada dos colegas, ora como referência dentro da área adversária. Desse modo, o Egito envolveu a todos que ousaram atravessar seu caminho e se prepara para alçar vôos mais altos, com um grupo mais amadurecido e que se mostra, acima de tudo, comprometido com as pretensões da Seleção.
Curtas
– Essa é a seleção Trivela da CAN:
Hassan Al-Hadari (Egito); Ben Frej (Tunísia), Mensah (Gana), Alexandre Song (Camarões); Geremi (Camarões), Hosni (Egito), Yaya Touré (Costa do Marfim) Aboutreika (Egito), Muntari (Gana); Zaki (Egito) e Manucho (Angola)
– Com o fim da CAN, as atenções se voltam, agora, para a Liga dos Campeões. A partir da próxima coluna, trataremos do torneio.



