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Kaiser Chiefs ressurge das cinzas no futebol sul-africano

Após oito anos de jejum, o Kaizer Chiefs, um dos maiores clubes da África do Sul, volta a ser campeão nacional. Em jogo adiado da 25ª rodada, os Amakhosi empataram com o SuperSport United por 1 a 1 e garantiram o título por antecipação, já que resta apenas uma rodada para o fim do campeonato e o Chiefs abriu quatro pontos de vantagem para o vice-líder, Platinum Stars. De quebra, o time de Soweto ainda quebrou a hegemonia do maior rival, Orlando Pirates, que lutava pelo tricampeonato consecutivo.

Para um clube do tamanho do Kaizer Chiefs, um dos mais respeitados da África, o período de quase uma década sem um título sul-africano foi sufocante. Mas será que a quebra do jejum pode ser vista como o primeiro passo para a “ressurreição” da equipe?

Nos últimos anos, o Chiefs ficou notabilizado por ser um clube que administra mal o seu dinheiro. O Campeonato Sul-Africano, ao contrário de outros do continente, possui um patrocínio respeitável e paga bem – obviamente, o clube de maior torcida no país é o mais beneficiado nesse sentido. Somado a isso, o forte patrocínio da Vodafone faz do Chiefs a maior potência financeira no país. Entretanto, especialmente nos últimos anos, isso nunca se traduziu em sucesso.

Após o fracasso na temporada 2011-12, a diretoria do clube nomeou Stuart Baxter como o novo treinador da equipe. O inglês, com passagem pela seleção sul-africana entre 2004 e 2005, chegou sob forte desconfiança, mas conseguiu um feito inédito: tornou-se o primeiro treinador estrangeiro a conquistar o Campeonato Sul-Africano em sua primeira temporada.

Com Baxter no comando e poucas mudanças no elenco, o Chiefs tornou-se numa equipe consistente, entrosada, difícil de ser batida. Em 29 jogos no campeonato, os Amakhosi somam 15 vitórias, 12 empates e apenas duas derrotas. De quebra, o time ainda briga em duas frentes: o Kaizer Chiefs também está na final da Nedbank Cup (uma das duas copas nacionais do país), onde encara novamente o SuperSport United em busca da “dobradinha”.

Um dos grandes méritos do técnico inglês foi saber rodar a equipe, que dispõe de um plantel qualificado. É um time com “cancha”, que possui sua base em jogadores da seleção nacional, como Khune, Masilela, Letsholonyane, Tshabalala, Parker e Majoro. A defesa é o ponto forte da equipe, vide o baixo número de gols sofridos no campeonato nacional (apenas 20 em 29 jogos).

Independentemente da quantidade de títulos na temporada, a pressão por mais conquistas tende a aumentar daqui pra frente. Rotina natural para um clube com aproximadamente 16 milhões de torcedores, muitos deles espalhados inclusive por países vizinhos da África do Sul. As exigências, no entanto, devem ser contidas. Falar em hegemonia parece irreal, mesmo porque a base desta equipe não é jovem. A nível continental, apesar da tradição, o time é ainda menos expressivo. Para voltar a ser grande, o Chiefs precisa estar entre eles. Disputar a Liga dos Campeões na próxima temporada será uma excelente oportunidade. Continuidade – elemento desprezado nos últimos anos – é a palavra-chave.

Grupos da LC Africana

A CAF realizou o sorteio dos grupos da Liga dos Campeões Africana 2013. Pelo segundo ano consecutivo, os rivais egípcios Al Ahly e Zamalek caíram na mesma chave. Curiosamente, ambos novamente compõem o chamado “grupo da morte” do torneio, que no ano passado contou com Mazembe e Berekum Chelsea e neste contará com o forte Orlando Pirates e o azarão AC Léopards, do Congo.

No Grupo B, o Espérance se deu bem. A princípio, os tunisianos caíram numa chave relativamente fácil, ao lado de Coton Sport (Camarões), Recreativo do Libolo (Angola) e Séwé Sports (Costa do Marfim). A fase de grupos terá início na metade de julho.

Curtas

– Nesta semana, uma das maiores tragédias da história do futebol africano completou 11 anos. No dia 9 de maio de 2011, um desastre sem precedentes vitimou 126 pessoas que acompanhavam o clássico ganês entre Asante Kotoko e Hearts of Oak. Infelizmente, de lá pra cá, o futebol africano pouco evoluiu em termos de segurança e controle de multidões.

– Sem Emenike, lesionado, Stephen Keshi convocou Joseph Akpala (Werder Bremen) para compor o elenco da Nigéria que disputará a Copa das Confederações, eliminatórias para a Copa e amistosos internacionais entre maio e julho. Por outro lado, Obi Mikel, outro destaque da equipe, também pode ser cortado da lista por lesão.

– Um dos melhores jogadores de Guiné-Equatorial, o meia Randy, que atuava na terceira divisão da Espanha, acertou transferência para o Moghreb Tétouan, clube da primeira divisão do Marrocos. Randy assinou por três anos e só atuará pela nova equipe na próxima temporada.

– O ES Sétif está a um ponto do bicampeonato consecutivo do Campeonato Argelino e do sexto título de sua história. Pela 28ª rodada, a equipe goleou o JS Kabylie por 4 a 1 e chegou aos 58 pontos, cinco a mais que o USM El Harrach. CA Batma, WA Tlemcen e USM Bel Abbès já estão rebaixados.

– O Asante Kotoko bateu o Berekum Arsenal por 3 a 0 e assumiu a liderança do Campeonato Ganês com 46 pontos, empatado com Medeama e Berekum Chelsea. A nota triste, no entanto, foi que jogadores e comissão técnica do Kotoko sofreram ataques violentos em Berekum por parte da torcida local. O ônibus da equipe foi depredado e alguns atletas, funcionários e torcedores apresentaram ferimentos.

– Al Ahly e Zamalek estão classificados antecipadamente para as semifinais do Campeonato Egípcio. O Ahly derrotou o Haras El Hodood por 2 a 1 e lidera o Grupo A com 30 pontos. O Zamalek, após vencer todos os 11 jogos que havia disputado no torneio, perdeu para o Petrojet por 2 a 1 e não conseguiu superar a maior sequência de vitórias consecutivas da história do clube na Premier League.

– Ainda invicto, o Kabuscorp empatou em 1 a 1 com o Primeiro de Maio e segue líder isolado do Campeonato Angolano, com 27 pontos (cinco a mais que Primeiro de Agosto e Onze Bravos). No Marrocos, faltando três rodadas para o fim, o Raja Casablanca bateu o Chabab Rif Hoceima por 3 a 1 e manteve a ponta com 59 pontos, dois a mais que o FUS Rabat.

– O playoff do Campeonato Tunisiano começou na última quinta-feira com quatro equipes em busca do título. Os times se enfrentam em sistema de turno e returno e os dois melhores colocados se classificam para a final. Passadas duas rodadas, o Espérance, que derrotou CS Sfaxien (3-2) e Club Africain (1-0) lidera com seis pontos.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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