África

Repatriamento de ídolos

O “caminho de volta” dos grandes ídolos é um tema recorrente aqui no Brasil. Ronaldo (aposentado), Ronaldinho Gaúcho, Luis Fabiano, Rivaldo e Adriano são alguns dos inúmeros exemplos. O futebol africano vive uma situação semelhante. Muitos jogadores de renome, sem mercado no continente europeu e com uma idade mais avançada, estão retornando aos poucos a seus países de origem. O egípcio Mido e o sul-africano Benni McCarthy são alguns dos exemplos mais notáveis. Enquanto o primeiro jogará pelo Zamalek (foi contratado em janeiro, mas acabou não regularizado a tempo de disputar o restante da temporada), o segundo será anunciado em breve como reforço do Orlando Pirates.

E a pergunta que fica é a mesma que vez ou outra está na boca dos brasileiros: até que ponto esses investimentos são positivos? Se por um lado a chegada de um ídolo nacional impulsiona uma série de ações de marketing e o investimento de patrocinadores, por outro, sabe-se que o “produto” não é da mesma qualidade de anos atrás – além de uma série de fatores, como inibir a progressão de jogadores mais promissores, salários astronômicos, etc.

O caso mais emblemático é o do atacante Benni McCarthy. Em entrevistas recentes, o campeão da Champions League com o Porto em 2003-04 insiste que ainda está com fome de jogar futebol e conquistar títulos. Ate aí nenhum problema, muito pelo contrário. Mas a verdade é que, nos últimos anos, a “fome” do atacante tem ido muito além disso. Digamos que, na parte física, McCarthy está para a África do Sul como Ronaldo esteve para o Brasil nos últimos momentos de sua carreira.

Os hambúrgueres e o excesso de peso são temas com os quais o sul-africano convive desde o ano passado, quando foi cortado da lista final dos Bafana Bafana para a Copa por Carlos Alberto Parreira. Em seus dois últimos clubes, Blackburn e West Ham, McCarthy também teve muitos problemas com sua condição física. Todavia, no mercado sul-africano, o jogador está muitíssimo bem cotado. Orlando Pirates, Ajax Cape Town e Sundowns travam uma interessante batalha pela sua contratação, mas o primeiro já construiu uma boa vantagem e deve fechar contrato com o atacante nos próximos dias.

A situação de Mido é um pouco diferente. Com 28 anos e em forma física incontestável, o egípcio ainda tem bola pra gastar, porém seu fracasso na Europa nos últimos dois anos certamente deixa o Zamalek em sinal de alerta. Desde quando perdeu espaço no Middlesbrough em meados de 2009 e passou a ser emprestado a diversas equipes (inclusive ao Zamalek, na temporada 2009-10), o artilheiro não se firmou em nenhum local. Somando suas passagens tenebrosas por Wigan, Zamalek, West Ham e Ajax, Mido fez 51 jogos e marcou…cinco gols.

Como se não bastasse, o novo técnico do Zamalek, Hassan Shehata (tricampeão da Copa Africana de Nações com a seleção egípcia) teve sérios atritos com o atacante na CAN de 2006. Na ocasião, o Egito disputava uma das semifinais contra Senegal e o treinador optou pela entrada de Amr Zaki no lugar de Mido. Mesmo com o gol de Zaki que garantiu a vitória dos faraós pelo placar mínimo, Mido reagiu mal e teve uma discussão áspera com Shehata. Como consequência, o atacante foi punido por seis meses pela Federação Egípcia.

Ao que parece, as rusgas com o “novo” treinador já ficaram pra trás. Mido inclusive ligou para Shehata com a intenção de selar a “reconciliação” e já vem desempenhando papel importante até mesmo fora de campo. Shikabala, outro jogador importante do plantel, foi convencido por Mido a convocar uma reunião com Shehata para solucionar problemas contratuais com os quais estava insatisfeito. Dentro de campo, a história é diferente. Apenas gols e títulos farão o atacante justificar o alto investimento do Zamalek. Caso contrário, a paciência do torcedor, irritado com o heptacampeonato consecutivo do rival Al Ahly, não será das maiores.

Eliminatórias para a Copa: grupos sorteados

O sorteio do chaveamento das eliminatórias africanas para a Copa de 2014 foi realizado neste sábado. Inicialmente, as 24 piores seleções do continente de acordo com o (confuso) ranking da Fifa disputarão uma fase eliminatória para que os doze vencedores de cada confronto se unam às 28 equipes já garantidas na fase de grupos, formando dez chaves com quatro equipes cada. Entre os confrontos mais aguardados na fase de qualificação, Togo, que esteve na Copa de 2006, encara Guiné-Bissau, enquanto o Quênia enfrenta Seychelles e Moçambique disputa uma vaga com Comores.

Na fase de grupos, algumas seleções tidas como grandes não terão vida fácil. No Grupo C, por exemplo, a Costa do Marfim terá de passar pelo Marrocos, dirigido pelo belga Eric Gerets. Já no D, considerado o ‘grupo da morte’, Gana encara a ascendente Zâmbia e o Sudão, com o qual os ganeses já estão tendo dificuldades nas eliminatórias para a CAN 2012 – ambos lideram o Grupo I com dez pontos. O Grupo G reserva dificuldades para o Egito, principalmente por parte de Guiné, que venceu a Nigéria pelas eliminatórias da CAN no ano passado.

No Grupo I, Senegal e Angola farão uma disputa interessante pelo primeiro lugar – com Senegal levando vantagem, pois na opinião de muitos, possui uma seleção melhor até mesmo do que aquela que disputou a Copa de 2002. O grupo H possivelmente é o único onde o cabeça-de-chave não deve levar nenhuma vantagem. A Argélia, em queda livre desde o Mundial do ano passado, está um passo atrás de Mali. No grupo E, também prevalece o equilíbrio: Burkina Fasso e Gabão são os favoritos. Nas outras chaves, difícil pintar alguma surpresa: África do Sul, Tunísia e Nigéria são favoritíssimas na briga por uma vaga na fase seguinte, que definirá as cinco seleções que representarão a África no Mundial 2014.

CAF Champions League: segunda rodada

Ao contrário da abertura da fase de grupos, onde todos os jogos terminaram empatados, não tivemos nenhuma igualdade na segunda rodada da Champions League africana. Pelo Grupo A, o Al-Hilal, do Sudão, mais uma vez surpreendeu. A equipe recebeu o Raja Casablanca, atual campeão marroquino, e venceu por 1 a 0. Pra variar, o gol foi de Edward Sadomba, autor de todos os gols dos sudaneses nesta fase. No outro confronto, o Enyimba derrotou o Coton Sport por 3 a 2. Uche Kalu foi o destaque da partida com dois gols, incluindo o da vitória, faltando seis minutos para o apito final.

Na outra chave, o Wydad Casablanca não tomou conhecimento dos argelinos do MC Alger e goleou por 4 a 0, assumindo a liderança pelo saldo de gols. Entretanto, foi o clássico continental entre Espérance e Al Ahly que atraiu os holofotes no último fim de semana. Carrasco do Al Ahly na última Champions League, eliminando os egípcios na semifinal (com um gol de mão do nigeriano Eneramo, diga-se de passagem), o Espérance ampliou sua invencibilidade contra os egípcios ao vencer por 1 a 0. Joseph Ndjeng fez o gol da vitória, e não fosse o pênalti perdido pelo capitão Darragi, o placar poderia ter sido maior.

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Equipe Trivela

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