Africa

Puro e simples amadorismo

Costumo me irritar ao ouvir falar em inocência no futebol africano. Balela, papo de jornalista desinformado. Afinal de contas, o que há de inocente na forma como o Egito atua? Nada. A disciplina por lá, não é exagero dizer em alguns casos, é tão grande quanto aqui. Agora se o papo for outro e formos falar de amadorismo, aí, sim, todos os dedos podem ser apontados para o que se passa naquela parte do planeta bola. É algo assustador.

As demissões de Shaibu Amodu e Vahid Halilhodzic são os dois últimos capítulos de uma história já batida nesta coluna e que, volta e meia – não há como evitar –, sempre reaparece. O nigeriano deixou a seleção de seu país com apenas uma derrota em mais de 20 jogos. A justificativa? Falta de criatividade no time. Ok. Mas será que os dirigentes não se deram conta de que o futebol das Super Águias passou por uma transformação e hoje é muito mais mecânico?

Falta talento, é fato. E isso não pode ser depositado na conta de Amodu. Ou vai me dizer que o sueco Lagerback, novo treinador, conseguirá fazer algo muito diferente? Não mesmo. Num time em que o supervalorizado Mikel é a esperança para fazer a bola chegar ao ataque, não se pode esperar muito. Mas, claro, é mais fácil demitir o cara do boné do que admitir isso. E lá se foi o pobre do Amodu assumir o comando da “seleção nacional”. Mais uma – e não foi a sua primeira vez – vítima da guilhotina dos dirigentes do país.

Falar em inocência por parte dos africanos seria muito confortável nesse momento. Porém, não é o caso. Falta preparo, mesmo, aos cartolas da região. Algo testemunhado pelo bósnio Halilhodzic em sua saída da Costa do Marfim. Seu retrospecto era semelhante ao de Amodu, ou seja, um revés em mais de uma dezena de jogos. Seria o suficiente para garanti-lo no posto, não? Em que se pese o desempenho na CAN, seria, sim. Mas vai entender a cabeça dos responsáveis pela federação marfinense.

Agora, ele se encontra em via de ser substituído por um treinador que, por melhor que seja, já se encontra acertado com outro país e aparentemente viria apenas para o Mundial. Essa seria a solução a grande solução pensada pelos representantes dos Elefantes. E o projeto, onde fica? Guus Hiddink é que não saberá, claro. A Costa do Marfim pode firmar assim um caminho semelhante àquele traçado por Mali, de ótima safra, mas de poucos resultados.

Caso semelhante ao da dupla viveu Camarões, que cogitou demitir o francês Paul Le Guen, peça-chave na recuperação do país nas Eliminatórias. Voltou atrás em sua ideia enquanto era tempo. A África do Sul dispensou Joel. A Argélia, não poderia ser diferente, manteve-se fiel ao nativo Rabah Saddane. E assim caminha o futebol africano, próximo de mais uma Copa e da confirmação, ao menos nessa edição, de sua falta de preparo para a conquista do título mundial. Quem sabe no Brasil, ainda que improvável.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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