África

Próximo de Infantino, presidente da Confederação Africana é banido por cinco anos após escândalos de corrupção

O presidente da Confederação Africana de Futebol, Ahmad Ahmad, foi banido de todas as atividades relacionadas ao esporte por cinco anos, após uma investigação da Fifa descobrir que ele violou quatro artigos do seu código de ética: dever de lealdade, oferecer ou aceitar presentes ou outros benefícios, abuso de poder e apropriação indébita.

Em 2017, Ahmad era um pouco conhecido presidente da Federação de Madagascar, nação pequena do futebol africano, quando recebeu o apoio de Gianni Infantino para desafiar o veterano Issa Hayatou, que comandava a CAF desde 1988 e foi presidente interino da Fifa entre a saída de Joseph Blatter, banido após as denúncias do Fifagate, e a eleição do próprio Infantino.

A intenção era que Ahmad fosse um dos rostos da renovação de quadros da Fifa após o grande escândalo de corrupção de 2015, quando as autoridades prenderam dirigentes do futebol mundial em um hotel de Zurique, incluindo José Maria Marín, ex-líder da CBF. Na prática, ele conseguiu acumular uma respeitável quantidade de escândalos de corrupção em apenas dois anos de mandato.

Os casos vieram à tona com a demissão do ex-secretário-geral Amr Fahmy, vítima de câncer no começo deste ano. Antes, ele havia enviado um documento para a Fifa com uma série de denúncias de corrupção e também de assédio sexual contra quatro funcionárias da CAF.

Segundo o Guardian, Fahmy acusou Ahmad de ordená-lo a pagar U$ 20 mil em propina para presidentes de federações africanas, como Cabo Verde e Tanzânia, de super-faturar um contrato de equipamento esportivo com a empresa francesa Tactical Steel, que custou US$ 830 mil aos cofres da entidade, e de ter gasto mais de US$ 400 mil em carros no Egito, onde fica a sede da CAF, e em Madagascar, onde ele havia instalado um escritório-satélite.

O caso da Tactical Steel levou Ahmad a ser interrogado por autoridades francesas em Paris e foi investigado pela BBC África e pela revista Josimar. Segundo as publicações, a empresa pertence ao francês Romuald Seiller, amigo de um antigo assessor de Ahmad, Loic Gerand. Não houve indícios de que Gerand ou Ahmad lucraram pessoalmente por meio da empresa, mas houve uma situação bem suspeita no final de 2017.

Em dezembro, a CAF cancelou um pedido de US$ 250 mil com a Puma, firmado a 60% de desconto, e o substituiu por outro levemente maior com a Tactical Steel, até então conhecida apenas por produzir equipamentos de ginástica, por quatro vezes o valor – US$ 1 milhão.

No comunicado em que anuncia a punição, a Fifa cita o caso da Tactical Steel e também uma peregrinação de presidentes de federações nacionais africanas a Mecca, local sagrado para a religião muçulmana, na Arábia Saudita. A viagem envolveu pelo menos duas dúzias de dirigentes muçulmanos e custou US$ 100 mil, pagos pelos cofres da CAF. A Fifa, porém, sofreu para encontrar algum intuito esportivo nesse deslocamento.

Ahmad, também multado em US$ 220 mil, caracterizou as denúncias como uma tentativa de manchar sua reputação, mas também está envolvido em uma outra investigação, ao lado do seu vice-presidente, Constant Omari, do Congo, que assume a entidade interinamente, por um contrato de direitos de TV que teria beneficiado as emissoras ao custo de milhões de dólares aos cofres do futebol africano. Ele estava de licença médica após contrair o coronavírus.

A punição de Fifa foi imposta um ano depois das alegações chegaram à entidade e 17 meses depois do interrogatório das autoridades francesas. Também foi mais branda do que os 10 anos de afastamento que o ex-presidente da federação nacional da Tanzânia, Jamal Malinzi, recebeu por ter violado apenas um (apropriação indébita) dos quatro artigos pelos quais Ahmad foi sancionado. Pelo menos, chegou a tempo de atrapalhar sua tentativa de reeleição no pleito programado para março. Ele era um dos cinco candidatos que buscarão assumir o poder do futebol africano.

Ainda há uma pequena chance de que ele consiga disputar a eleição porque seu processo pode ser levado à Corte Arbitral do Esporte. Antes, porém, ele precisa receber a decisão completa do Comitê de Ética da Fifa, fazer com que a sua apelação seja julgada rapidamente e, claro, vencê-la. Tudo isso precisa acontecer antes de 11 de janeiro, prazo final para as candidaturas serem oficializadas, o que é um prazo bem apertado, considerando que a Fifa tem até 60 dias para entregar a decisão detalhada.

Sem Ahmad, restam quatro candidatos à presidência da CAF: Jacques Anouma (Costa do Marfim), Patrice Motsepe (África do Sul), Ahmed Yahya (Mauritânia) e Augustin Senghor (Senegal).

Em agosto do ano passado, Infantino enviou sua principal assessora, a secretária-geral Fatma Samoura para tentar melhorar a administração do futebol africano. O mandato de seis meses não foi renovado no começo de fevereiro, com a Fifa confirmando que a missão “havia sido completada com sucesso”.

Infantino também expressou o desejo de criar uma Superliga Africana, com 20 membros permanentes e novos estádios em todos os países do continente, com um investimento de US$ 1 bilhão.

.

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo