Potência africana, Espérance vive reestruturação
Um título e dois vices nas últimas três edições da Liga dos Campeões Africana. O Espérance, da Tunísia, já vinha jogando o melhor futebol entre os clubes africanos há algum tempo. Um passado não muito distante, mas que hoje está completamente fora da nova realidade da equipe. Dizem que o sucesso tem o seu preço. E o dos tunisianos foi ver a base da equipe desmontada de uma hora pra outra. Sem suas principais estrelas e sem o treinador que é um ídolo em Túnis, o time perdeu força e agora vive um momento de reconstrução. Um prenúncio de que brigar nas “cabeças” do futebol africano nesta temporada será tarefa bastante difícil.
No último fim de semana, o Espérance derrotou o Primeiro de Agosto (Angola) por 1 a 0 e avançou para a fase final do qualificatório para a Liga dos Campeões, que conta com 16 equipes. O próximo adversário será o JSM Béjaïa, da Argélia, e a classificação para a fase de grupos é bastante provável. No entanto, é notório que a equipe não consegue manter o mesmo padrão de jogo das últimas temporadas. Isso certamente deve pesar contra adversários mais fortes daqui pra frente.
Falar em “desmanche” seria exagero, mas o time sofre com a perda de suas peças-chave. O Espérance já havia perdido Oussama Darragi, principal articulador do time, em junho. No último mês de janeiro, os outros dois protagonistas da equipe também deram adeus. O goleador N’Djeng rumou para o Sion, da Suíça (onde é companheiro de Darragi), enquanto o prodígio Youssef Msakni, o melhor jogador tunisiano e um dos melhores jovens africanos da atualidade, foi vendido a peso de ouro para o Lekhwiya, do Catar.
Como se não bastasse, o técnico multicampeão Nabil Maaloul, que também foi ídolo como jogador dos “Sangue e Ouro”, deixou o clube há dois meses para treinar a seleção tunisiana. Tudo isso num espaço de menos de um ano. Com dinheiro em caixa, o Espérance até poderia fazer um bom investimento para reconstruir a equipe. No entanto, a principal aquisição do clube neste período ainda não vingou. O atacante Emmanuel Clottey, artilheiro da última Liga dos Campeões pelo Berekum Chelsea e trazido para ser o novo homem-gol da equipe, virou pivô de uma série de problemas burocráticos. Sua última atuação pelo Espérance foi antes do início da Copa Africana de Nações e seu futuro é uma incógnita.
Até mesmo no Campeonato Tunisiano, onde sobrou nas últimas temporadas, o time não consegue se impor. São três derrotas em 13 jogos, quase o mesmo número de reveses que a equipe teve até conquistar o título antecipado da Ligue 1 na temporada passada (quatro). Apesar das nove vitórias e dos 28 pontos somados, o nível de exigência no limitado campeonato nacional é sempre maior. Agora sob o comando de Maher Kanzari, são raras as exibições convincentes.
O sistema tático da nova equipe varia entre o 4-3-2-1 e o 4-2-3-1. Alguns setores da equipe estão bastante mudados, sobretudo a zaga e o ataque. A nova dupla de zagueiros é composta pelo veterano Antar Yahia, contratado nesta temporada, e Chamssedine Dhaouadi. No ataque, a boa nova é o promissor argelino Youcef Belaïli, que tem tudo pra ser o grande nome do Espérance daqui a alguns anos. Ele geralmente compõe o lado esquerdo da terceira linha do time, ao lado de Iheb Msakni e Harrison Afful (lateral deslocado para a meia-direita). O ‘9’ é Haithem Jouini, de apenas 19 anos.
Acostumado a vencer, o Espérance terá de passar por um período de reformulação que pode comprometer suas principais ambições na temporada. A situação está longe de ser drástica, é bom ressaltar. Tecnicamente falando, talvez apenas Al Ahly e Mazembe estejam em um estágio acima dos tunisianos no continente. No entanto, o temor por um fracasso nunca foi tão real.
Curtas
– Além de Espérance x JSM Béjaïa, os outros sete confrontos do qualificatório final para a Liga dos Campeões também já são conhecidos. O principal deles será entre o Mazembe, que despachou o Mochudi Centre Chiefs por 6 a 0 (Kalaba foi o destaque, com dois gols e uma assistência), e o Orlando Pirates, único sul-africano a possuir um título de LC e que eliminou o Zanaco.
– O Al Ahly, que bateu o Tusker por 2 a 1, enfrentará o Bizertin, da Tunísia, que desclassificou o Dynamos. O Zamalek, outro egípcio na disputa, derrotou o Vita Club por 1 a 0 (mesmo placar do jogo de ida) e encara o surpreendente Saint George, da Etiópia. As eliminações de Asante Kotoko (Gana) e Kano Pillars (Nigéria), este último que chegou a abrir 4 a 1 na ida, foram as grandes surpresas da rodada.
– A imprensa marroquina especula que muitos jogadores da seleção nacional estão condicionando seu retorno à equipe a saída do técnico Rachid Taoussi. O “boicote” por parte de muitos atletas, especialmente os que atuam na França, na Inglaterra, na Holanda e na Bélgica, se dá por conta das declarações do treinador após a CAN 2013, culpando os “estrangeiros” pela eliminação precoce.
– Ainda segundo os jornalistas locais, o presidente da Federação Marroquina de Futebol (FRMF), Ali Fassi Fihri, está tendo dificuldades em persuadir estes jogadores a reconsiderarem suas posições. Vale lembrar que, na última convocação de Taoussi, apenas sete dos 23 chamados eram oriundos no futebol europeu.
– O técnico da Nigéria, Stephen Keshi, divulgou uma lista de 30 convocados para o cronograma da equipe entre o fim de maio e meados de julho, que pode envolver até dez partidas. O calendário das Super Águias neste período engloba amistosos, eliminatórias para a Copa de 2014 e a Copa das Confederações.
– Joseph Yobo, que trocou farpas com Keshi via imprensa após ter ficado de fora da última convocação, novamente é a grande ausência. No entanto, o treinador agora se vê pressionado por dirigentes e torcedores a rever sua posição e incluir o zagueiro na lista muito em breve, como forma de restaurar a harmonia do time. Muitos jogadores já manifestaram apoio a Yobo, entre eles o goleiro Enyeama.
– Outra grande polêmica da semana envolvendo um nigeriano foi a acusação de que o lendário Taribo West, campeão olímpico e com passagens por Internazionale e Milan, teria adulterado sua idade em 12 anos.
– A denúncia foi do ex-presidente do Partizan, Zarko Zecevic, que declarou que o ex-defensor, à época que foi contratado pelo clube sérvio (2002), tinha 40 anos ao invés dos 28 que seus documentos apresentavam. West nega as acusações, mas caso se comprove a adulteração, infelizmente não será um caso inédito no futebol africano.
– A Fifa prometeu que o inquérito que envolve o escândalo de manipulação de resultados na África do Sul será concluído em breve. A polêmica gira em torno de quatro partidas preparatórias dos Bafana Bafana para a Copa de 2010, contra Colômbia, Bulgária, Guatemala e Tailândia.
– O Kaizer Chiefs empatou sem gols com o Golden Arrows e lidera o Campeonato Sul-Africano com 52 pontos, sete a mais que o rival Orlando Pirates. No entanto, o fato pitoresco do jogo foi a tentativa (sem sucesso) de um torcedor do Chiefs de ‘atacar’ o árbitro com uma vuvuzela. O motivo da revolta foi a expulsão de um jogador de sua equipe, Reneilwe Letsholonyane, ainda no primeiro tempo.
– Bobby Williamson não é mais o técnico de Uganda. O escocês comandava a seleção desde 2008, disputando 66 jogos e com um retrospecto de 34 vitórias, 18 empates e 14 derrotas. A derrota para a Libéria no último compromisso da equipe, válido pelas eliminatórias para a Copa de 2014, foi a gota d’água para a decisão.



