Por um 2014 sem a interferência da politicagem
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Dia desses, tive a oportunidade de falar com Parreira. Papo pra lá de agradável. Uns 15, 20 minutos de conversa. O treinador havia acabado de sair de uma entrevista com jornalistas sul-africanos. Dizia-se orgulhoso pelo que havia conseguido com o país. Brincava com as cobranças daqueles repórteres. Não entendia como queriam que fizesse mais com o time que teve em mãos.
Parreira tinha completa convicção: havia realizado uma ótima campanha com a África do Sul. Caiu na primeira fase, é verdade – os primeiros anfitriões a protagonizarem tal coisa –, mas caiu em pé, garante. E disse mais: teria feito uma campanha tão boa quanto mesmo se não tivesse contado com os “estrangeiros” – Mokoena e Dikgacoi, citados por mim, e McCarthy, de nove quilos acima do peso, segundo o técnico.
Tal feito tem muito a ver com a chegada de Parreira ao comando dos Bafana Bafana. Já disse algumas vezes e volto a repetir: mais importante até mesmo do que passar para as oitavas, foi o legado que o brasileiro deixou no país. Legado este que, concordo, teria permitido, sim, à equipe ter atuado apenas com jogadores locais – até porque os tais “estrangeiros” não vinham em lá em forma tão boa quanto se esperava, caso de Pienaar, por exemplo.
Mas o tetracampeão mundial só conseguiu fazer um trabalho de tamanha excelência porque teve tranquilidade. Não foi importunado por dirigentes e políticos, algo tão comum no futebol africano. Passa por aí o caminho para que a região consiga, enfim, encontrar o seu destino nos gramados.
Parreira admite. Só voltou à África do Sul por conta dos 18 meses anteriores no país. Caso contrário, não teria aceitado a oferta para suceder Joel Santana. Um assunto que, digamos, não estava muito bem resolvido entre os parlamentares. Sim, sempre eles. Segundo Parreira, os engravatados queriam, na verdade, um nativo para o lugar do botafoguense. Mas, nesse caso, o desejo da turma não foi atendido.
Não é difícil entender o que atrai tanto essas pessoas que deviam estar cuidando de temas de outra esfera. De política, talvez. Em um continente ainda hoje dividido, o futebol parece ser o único elemento capaz de unificar todas as tribos e camadas sociais. Tirar proveito de algo assim parece mau-caratismo. E é.
Se eles se importam? Nem um pouco. A decisão do presidente nigeriano de excluir sua seleção de torneios internacionais, por exemplo. Tem muito pouco de preocupação com o desempenho do time nos gramados ou com a corrupção que rola solta entre os chefes do futebol local. Quase nada, diria. Acredite ou não, era uma manobra ligada à sucessão da federação e que teve no mandatário nacional alguém que corroborou com tudo. Difícil crer que um país assim tenha algum futuro.
Prova disso é que a Nigéria já tem um amistoso escalado para meados de agosto, contra a Coreia do Sul, e técnico, que é bom, sabe, ainda não foi anunciado. Lars Lagerback pode continuar e deverá ter a sua vida resolvida apenas na semana que vem – ou não.
É uma indefinição que toma conta de outras seleções locais – exceção feita à África do Sul, que anunciou o ex-auxiliar Pitso Mosiname como novo treinador, e a Argélia, que renovou o contrato de Rabah Saadane. As demais ainda não sabem bem o que vão fazer. Gana e Costa do Marfim podem prolongar o vínculo de seus técnicos, enquanto que Camarões está oficialmente no mercado após a saída de Paul Le Guen.
Com a pauta em mãos, os cartolas do continente dão início ao projeto 2014. É preciso que tudo seja feito com extremo cuidado e, se possível, meu caro presidente nigeriano, sem a interferência da politicagem. A situação é pra lá de desconfortável e lembra um pouco a da Argentina, há algum tempo chorando os fracassos que se somam desde 1986. A África faz o mesmo desde que se criou a expectativa de um título em 1990.
Bola rolando
Capítulo de Copa do Mundo encerrado, vamos ao que interessa. A bola voltou a rolar na região pelos dois principais torneios continentais. A Liga dos Campeões já está em sua fase de grupos, enquanto que a Copa CAF caminha para lá.
Veja os resultados do último fim de semana da LC. As equipes só voltam a entrar em campo daqui a sete dias.
Grupo A
Dynamos-ZIM 0-2 TP Mazembe-RDC
Entente Sétif-ARG 0-1 Espérance-TUN
Grupo B
Ismaili-EGI 0-1 JS Kabylie-ARG
Heartland-NIG 1-1 Al Ahly-EGI
A CAF tem os seus jogos de volta na semana que vem. Confira como foram as partidas de ida.
Al Ittihad-LIB 2-0 Primeiro Agosto-ANG
Al Hilal-SUD 5-0 CAPS Utd-ZIM
Al Merreikh-SUD 2-2 AS FAN-NIG
Djoliba-MAL 0-0 CR Belouizdad-ARG
Petro Atletico-ANG 0-0 CS Sfaxien-TUN
Zanaco-ZAM 4-0 Enyimba-NIG
Gabarone Utd-BOT 1-0 Haras Al Hadood-EGI
SuperSport Utd-AFS 2-1 FUS Rabat-MAR