Perto do hexa

Na primeira partida da final da Liga dos Campeões africana, deu a lógica. Atuando dentro de casa, o Al Ahly deixou para trás o retrospecto de jogos ruins em seu estádio e derrotou o Coton Sport por 2 a 0. Com esse placar, a equipe deu um grande passo em direção ao hexacampeonato do torneio, porém, desperdiçou a oportunidade de já fechar o caixão dos camaroneses. Agora, terá que ir até Garoua no domingo e administrar a pressão que haverá sobre si.
O clima para o confronto decisivo não é dos melhores. Depois de rejeitar o auxílio do Ahly no transporte e na acomodação em Cairo, o Coton afirmou que, como mandante da segunda partida, não dará qualquer suporte aos egípcios. Dessa forma, ao contrário do que pede a Caf, o clube deixará a cargo dos Vermelhos o papel de ter que correr atrás de todos os atos burocráticos que antecedem um encontro. A atitude não pegou nada bem e, certamente, contribuirá para um ambiente mais tenso em campo.
Esse cenário ainda foi mais agravado depois que o assistente técnico do Ahly, Hossam Al-Badri, foi identificado assistindo a um jogo do Coton pelo campeonato nacional e expulso do estádio por seguranças da equipe. Em viagem para organizar o cronograma do time em Garoua, Al-Badri preferiu não criar qualquer confusão e se retirou pacificamente das arquibancadas. Ainda assim, não dá pra entender a postura dos camaroneses, que, com isso, se mostram, de fato, interessados em construir uma atmosfera pouco saudável.
O local do embate, por si só, já carrega consigo essas características, o que torna a preocupação com a segurança na final ainda maior. Para superar a tudo isso, os jogadores egípcios precisarão usar, mais do que nunca, a experiência que possuem. Presentes nas últimas três decisões da competição, eles já tiraram proveito desse recurso no jogo de ida, quando encurralaram o Coton em seu campo e pressionaram durante toda a partida.
Com 15 minutos transcorridos, o Ahly já tinha dois gols de vantagem e dava toda a pinta de que finalizaria o confronto já em Cairo. Chances para isso, porém, o clube teve e perdeu todas. Apesar disso, sua atuação foi bastante elogiada, com uma agressividade que, há muito tempo, não se via em seus compromissos. A chave para essa melhora parece ter sido a disposição de Ahmed Hassan no meio-de-campo.
Totalmente recuperado de uma contusão que o vinha incomodando, o experiente jogador regeu o setor de armação da equipe com maestria, acionando os alas Barakat e Gilberto a todo o momento e chegando ao ataque para finalizar como elemento surpresa. É esse o tipo de comportamento que se espera de uma equipe como o Ahly, que está próxima de se tornar a maior vencedora da LC africana, mas que, nos últimos meses, não vinha fazendo jus a seu status no continente.
Festa tunisiana na Copa Caf
Pelo terceiro ano seguido, a Copa Caf, segunda competição mais importante do continente, terá um time tunisiano como campeão. Étoile du Sahel e CS Sfaxien disputaram a primeira partida da final em Sfax neste fim de semana e não saíram do empate em 0 a 0. Mesmo com toda a pressão do acanhado estádio Taieb Mhiri, o ESS segurou o CSS fora de casa e, agora, decidirá o título diante de sua torcida, no próximo dia 22 de novembro.
A equipe que enfrentou os alvinegros no último domingo é bem diferente daquela que bateu o Al Ahly na Liga dos Campeões do ano passado e fez bonito no Mundial de Clubes. A começar pelo banco de reservas, que, com a prematura desclassificação para o Dynamos na LC e a perda do campeonato local para o Club Africain, acompanhou a saída do francês Bertrand Marchand. Em seu lugar, chegou Michel Decastel, que foi demitido recentemente por razões que ainda custam a serem entendidas.
Essa desorganização administrativa agravou ainda mais o efeito da saída de jogadores que foram importantes na campanha da equipe em 2007. Sem Chermiti, Narry e Ben Frej, desfez-se a espinha dorsal que tanto alegrou os torcedores estrelistas no decorrer do ano. Alguns nomes daquele grupo ainda seguem em Sousse, porém, sem o mesmo brilho de antes.
No lado do CS Sfaxien, é interessante notar que atletas que brilharam no vice-campeonato africano do clube em 2006 e foram assediados pelo futebol europeu ainda continuam no CSS. Esse é o caso da principal estrela do time que chegou à final da LC dois anos atrás, Abdelkarim Nafti, que, após uma breve passagem pela Arábia Saudita, retornou à Sfax é a aposta da equipe para manter o título do torneio. Ao seu lado nesta tarefa, também estarão Merdassi e Hammami.
Desbravando a Inglaterra
Apesar de integrarem a seleção que mais títulos africanos conquistou no continente, os jogadores egípcios, até pouco tempo atrás, não costumavam se aventurar no futebol europeu. Muito por conta da boa situação financeira dos clubes locais, eles acabavam construindo suas carreiras no próprio país e abriam mão de um fator que, hoje em dia, é essencial: a experiência internacional. Aos poucos, isso já vem mudando e o impacto da passagem de Amr Zaki pelo Wigan deve contribuir bastante nesse sentido, incitando outros atletas a seguirem o mesmo caminho.
A Inglaterra é atualmente o principal destino dos aventureiros. Além de Zaki, também jogam na Terra da Rainha o atacante Mido e o volante Shawky, ambos no Middlesbrough, além de Ghaly e El-Abd no Tottenham e no Bristol City, respectivamente. Esse contingente deve aumentar ainda mais nos próximos meses, com a provável chegada de Emad Moteab ao Everton.
Ao que tudo indica, o jogador, que está emprestado pelo Al Ahly ao Al-Ittihad, da Arábia Saudita, custará aos cofres dos Toffees cerca de três milhões de libras. Será mais um a tentar a sorte no campeonato inglês. Negócios como esse são extremamente importantes para a seleção egípcia, que tenta retornar a uma Copa do Mundo e precisará, acima de tudo, da cancha de seus atletas para superar os adversários nas Eliminatórias.



