África

Objetivo em comum

A Copa das Confederações começa nesse domingo com o jogo entre África do e Sul e Iraque. No dia seguinte, é a vez do Egito ir a campo encarar o Brasil. Mais do que brigar pelo título, as seleções africanas partem para o torneio com algumas coisas a provar. E não só isso: precisam também melhorar o retrospecto dos times do continente na competição. Desde que ela foi criada, somente Camarões teve uma participação digna, com o vice-campeonato em 2003. Nas demais edições, só vexames – incluindo nesse rol os últimos lugares de sul-africanos e egípcios em suas chaves em 1997 e 1999, respectivamente.

Ninguém espera que Egito e África do Sul lutem pela conquista do torneio nas próximas semanas. Passar da fase de grupos já estaria de ótimo tamanho para ambos os países. A tarefa dos Faraós, obviamente, é muito mais inglória. Para seguir adiante na disputa, terão que superar adversários como Brasil, Itália e Estados Unidos. Pouco provável. O mesmo, porém, não se pode dizer a respeito dos Bafana Bafana, que, como anfitriões, carregam uma pressão natural que pode ser aliviada em suas primeiras partidas, com vitórias sobre Iraque e Nova Zelândia. Qualquer outro resultado diferente será considerado um fracasso.

Quem bem sabe disso é o brasileiro Joel Santana. O ex-flamenguista não é o treinador dos sonhos dos sul-africanos e também não parecer gozar de tanto prestígio junto a torcedores e imprensa. Com os primeiros, leva a fama de só se sair bem em amistosos. Até por isso, precisa mostrar que pode ganhar também na hora do “vamos ver”. Em relação aos jornalistas, Joel até fatura um elogio ou outro de vez em quando, mas, ultimamente, tem intrigado muita gente com um detalhe no mínimo curioso: quando vence os jogos, fala em inglês em suas coletivas; nos reveses, prefere apelar para um tradutor. Melhor para se esquivar das perguntas? Talvez.

Ainda assim, Joel não vem tendo medo de arriscar. Sabe que, se for bem na Copa das Confederações, ganhará sustentação até o Mundial. E poderá também estar dando início a uma espécie de família Natalino na África do Sul, nos mesmos moldes que invariavelmente se credita a Felipão em suas equipes. O técnico brasileiro teve coragem ao barrar jogadores como Benni McCarthy e Nasief Morris. Ouviu comentários positivos e negativos na mídia, mas a maioria se manteve ao seu lado nessa briga. Ponto para ele.

Para a Copa das Confederações, indicou que deverá largar com a mesma base que derrotou a Polônia em amistoso recente. Ou seja, com uma equipe de muita pegada no meio-de-campo e que estará rezando a Deus para que o ataque cumpra com o seu papel. Steve Pienaar, recuperado de contusão, deve comandar um setor recheado de dúvidas. O principal nome, McCarthy, está fora. O queridinho local, Richard Henyekane, artilheiro da última Premier League, não foi chamado. O jeito vai ser apostar em Bernard Parker e Terror Fanteni. As esperanças de todo um país estarão nos pés desses jogadores.

Menos dramática é a situação do Egito. Ok, nem tanto assim. Os egípcios não estão organizando uma Copa do Mundo, mas precisarão afastar de uma vez por todas as dúvidas que cercam o potencial de seu time. Na África, ninguém contesta o seu domínio e a sua força. Porém, os dois últimos títulos da CAN criaram ao redor dos Faraós um sentimento de obrigação em relação a uma classificação para o próximo Mundial. A seleção comandada por Hassan Shehata já está há um bom tempo sem disputar o torneio e vem falhando na hora de selar sua vaga – como parece ser o caso agora.

A fase final das Eliminatórias recém começou e os egípcios já temem ficar de fora de mais uma Copa. Até aqui, foram disputados dois jogos e o país não venceu nenhum deles. Empatou com a Zâmbia num encontro que ficou marcado pelo desentendimento entre Zaki e Mido e perdeu para a Argélia na última rodada após cochilar no segundo tempo do clássico e ceder terreno para os rivais. Foi o suficiente para que a imprensa local criticasse jogadores e comissão técnica e pedisse, como é comum nessas situações, uma avaliação em torno do grupo de atletas. A exemplo do que ocorreu no país recentemente com o Al Ahly, acreditam que o elenco pode estar acusando sua alta média de idade.

Não é de se descartar a hipótese. A base que Shehata está levando para a África do Sul é praticamente a mesma que sobrou na última Copa Africana de Nações. O esquema também continua igual – o velho 3-5-2. A diferença é que os jogadores não estão rendendo mais da mesma forma. Al-Hadari não passa segurança no gol, enquanto que Gomaa está longe de sua melhor forma física na liderança da defesa. No meio, Hosni, revelação em 2008, não tem dado a mesma dinâmica na criação. Alternativas para esses nomes existem. Resta ver se há tempo para encaixá-las entre os titulares. Na solução para essa questão pode estar o ânimo que o time precisa para se recuperar nas Eliminatórias.

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Equipe Trivela

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