África

O último a sair apague a luz

Michael Essien e Kevin-Prince Boateng. Duas grandes personalidades do futebol ganês que possuem algo em comum: estão retirados da seleção nacional há algum tempo por motivos pessoais. Os ‘Estrelas Negras’, como são conhecidos os jogadores de Gana, estão cada vez mais órfãos de suas verdadeiras estrelas. Por que os principais atletas do país não sentem mais prazer em vestir a camisa da seleção? Essa questão ganhou ainda mais força nesta semana: os irmãos Ayew, Andre e Jordan, filhos de Abedi Pelé, anunciaram que estão se ausentando da seleção por tempo indeterminado.

A seleção ganesa vive um momento delicado. Apesar da campanha histórica na última Copa do Mundo, onde por pouco não foi semifinalista, a equipe não conquista a Copa Africana de Nações há 31 anos. Nas últimas quatro edições, conseguiu emplacar quatro semifinais e perdeu três. Na única vitória, acabou derrotada na grande final para o Egito, em 2010.

Na última edição da CAN, no início deste ano, Jordan e Andre Ayew não estiveram com a seleção. Jordan Ayew, mesmo fazendo gols importantes pelo Marseille, foi inexplicavelmente esquecido na pré-convocação do técnico Kwesi Appiah, mesmo participando de todas as eliminatórias. Andre Ayew, também em grande forma, recuperava-se de uma lesão no tendão às vésperas do torneio. Appiah exigiu sua apresentação para os treinamentos, mas o jogador decidiu continuar tratando sua lesão na França para depois se juntar ao grupo. Conhecido pela rigidez e por prezar a disciplina, Appiah decidiu: Andre Ayew estava fora de seus planos para a CAN.

Ao repercutirem a decisão, os irmãos adotaram um discurso praticamente alinhado: coisas estranhas acontecem na Associação Ganesa de Futebol (GFA). Eles também lembraram a aposentadoria de Boateng da seleção, até hoje mal esclarecida.

Na última terça-feira, os ganeses se surpreenderam com o comunicado de Andre e Jordan anunciando o afastamento da seleção. Jordan Ayew justificou que seus esforços parecem não estar impressionando a equipe técnica da seleção, mesmo que seu trabalho esteja sendo bastante reconhecido em seu clube, ganhando inclusive um prêmio de Jogador do Mês. Andre declarou que algumas questões envolvendo a seleção o afetaram emocionalmente, e que por esse motivo, não está preparado para oferecer o seu melhor para a nação no momento.

Em suma, discursos num tom de “até breve”, e não de “adeus”. De toda forma, não deixam de ser discursos rasos, pouco conclusivos. Muito provavelmente os torcedores, movidos pela paixão, se voltarão contra os jogadores. Mas esse não é um caso isolado, o que praticamente escancara que se trata de um problema administrativo. Abedi Pelé, pai de Andre e Jordan, é um dos maiores críticos da gestão de Kwesi Nyantakyi, presidente da GFA, acusando-o de aniquilar o futebol ganês.

É claro que justificar o afastamento de Andre e Jordan por conta dessa rixa seria apenas uma tentativa de criar uma teoria da conspiração, mas o fato é que a federação não está sabendo conduzir o futebol local da maneira correta. Em meio a tudo isso, as eliminatórias para a Copa de 2014 retornam já no próximo mês. O que será do futuro da seleção ganesa diante da “renúncia” de seus principais valores?

Como se não bastasse…

Já diziam que nada que é tão ruim não possa piorar. O futebol ganês sentiu isso na pele nesta semana com outra notícia ainda pior que a “aposentadoria” dos Ayew. Acusado de agredir a própria esposa, o defensor John Paintsil, um dos jogadores mais experientes da atual seleção ganesa, foi libertado da prisão sob fiança.

Paintsil passou a noite de sexta-feira atrás das grades após uma denúncia de que ele teria agredido sua esposa e um vizinho num bairro nobre de Acra, capital de Gana. O jogador se desculpou e o porta-voz da Associação Ganesa de Futebol (GFA), Ibrahim Sani Daara, disse que Paintsil e sua esposa já se reconciliaram. O vizinho agredido também optou por não abrir um processo.

E como desgraça pouca é bobagem (por que é sempre mais legal iniciar frases com ditos populares?), o mesmo Paintsil desmaiou na última terça, mas já recebeu alta do hospital. Segundo o seu assessor de imprensa, Ebenezer Aidoo, o jogador sofreu de “exaustão e desidratação”, muito por conta da polêmica em que se viu envolvido nos últimos dias.

Curtas

– Diante de quase 3 mil expectadores no estádio de Alexandria, o Al Ahly derrotou o AC Léopards (Congo) por 2 a 1 e sagrou-se campeão da Supercopa Africana, que é disputada entre o vencedor da Liga dos Campeões e o campeão da Copa da Confederação Africana. Apesar do abismo técnico entre as duas equipes, o jogo foi bastante equilibrado.

– Os egípcios, atuais campeões da LC, fizeram 2 a 0 com ambos os gols na etapa final, marcados por Rabia e Barakat. Ndey descontou para os congoleses faltando 12 minutos para o fim, e apesar da pressão, a equipe não conseguiu forçar o tempo extra. O Ahly agora soma cinco títulos da Supercopa, um recorde no continente.

– Independentemente da campanha, a Copa das Confederações será bastante rentável para a Nigéria. Como campeãs da CAN, as Super Águias receberam 1,5 milhão de dólares em premiação por parte da CAF. Caso façam a PIOR campanha dentre todas as equipes na Copa das Confederações, os nigerianos receberão um prêmio de 1,8 milhão de euros. Quer mais?

– Em nota oficial, a Associação Ganesa de Futebol (GFA) negou a denúncia de que prostitutas tenham invadido a concentração da seleção ganesa durante a Copa Africana de Nações. A GFA afirma que realizou um forte esquema de segurança em torno da equipe e ressaltou que não há questionamentos quanto ao comprometimento dos jogadores durante o torneio, no qual os Estrelas Negras terminaram em 4º lugar.

– O árbitro tunisiano Slim Jedidi, que teve atuação pavorosa no jogo entre Gana x Burkina Faso pelas semifinais da CAN, negou ter sido subornado pelos ganeses para influenciar no resultado do jogo e declarou que precisou se esconder com sua família por conta da repercussão de seus erros. Ele se desculpou e também afirmou que não sofreu nenhum tipo de punição pela CAF.

– Samuel Eto’o recentemente esteve em Guiné para conversar com as autoridades sobre a possibilidade de inaugurar uma sede da sua fundação no país. A Fundação Eto’o já opera em países como Camarões (sua terra natal) e Gabão, e apesar de recente, já exportou diversos africanos para o futebol europeu. Fabrice Olinga, atacante de apenas 16 anos do Málaga, é o principal deles.

– Pela Ligue 1 tunisiana, o Espérance goleou o Olympique du Kef por 4 a 1 e segue líder isolado do Grupo A, com 22 pontos. O atacante Jouini foi o destaque, com três gols marcados. Já na Premier League ganesa, o Medeama foi goleado pelo Tema Youth por 4 a 0, mas ainda lidera o campeonato com 30 pontos. O Hearts of Oak, um dos clubes mais tradicionais do país, segue na zona de rebaixamento.

– Passadas 22 de 30 rodadas, o ES Sétif lidera o Campeonato Argelino com folga. A equipe goleou o MC Oran por 4 a 0 e chegou aos 49 pontos, sete a mais que o vice-líder, o USM El Harrach. No Malauí, o Silver Strikers sagrou-se campeão nacional, mesmo derrotado pelo MTL Wanderers por 1 a 0 na última rodada.

– Um dos destaques da Nigéria na CAN, o defensor Godfrey Oboabona, do Sunshine Stars, já tem um valor de mercado estabelecido: 1 milhão de euros. O próprio clube admite que esta será a última temporada do jovem no futebol local. Sunday Mba, autor do gol do título dos nigerianos e que defende o Enugu Rangers, também será vendido para o exterior na próxima janela de transferências.

– O argelino Adel Amrouche é o novo treinador da seleção do Quênia. Ele substitui o veterano Henri Michel, que teve seu contrato encerrado ainda em dezembro. Seu objetivo inicial é classificar os quenianos para a Copa do Mundo de 2014, o que é uma missão praticamente impossível.

– Falando em Quênia, o país também lançou sua candidatura para receber a CAN de 2019. Nigéria, RD Congo, Libéria, Zâmbia e Argélia também estão na briga.

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