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O esquema Pyramids ruiu: dono saudita decide parar investimento e jogadores devem ir para Arábia

Quando o Pyramids surgiu como um vendaval, levando alguns jogadores do futebol brasileiro com uma facilidade enorme, levantou justas desconfianças. Turki Al-Sheik, ministro de esportes da Arábia Saudita, o investidor que comprou o clube e mudou até o seu nome em junho, anunciou nesta segunda-feira que pensava em deixar de investir, em uma publicação no seu Facebook. Nesta terça, a Pyramids TV formalizou isso: acabou o investimento. O sonho acabou em três meses. Como bem disse o Impedimento, cheirava como golpe, tinha cara de golpe e foi golpe mesmo.

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“Al-Sheikh definitivamente decidiu tirar o investimento do Egito. Ele irá providenciar contratos profissionais para os jogadores e para os funcionários do canal de TV”, afirmou o apresentador da Pyramids TV, Medhat Shalaby, em comunicado divulgado pela emissora, que não por acaso tem o mesmo nome do clube. “Todos os jogadores proeminentes receberão contratos profissionais fora do Egito, enquanto o clube em si continuará sob responsabilidade do atual presidente Hossam El-Badry e dos dirigentes Ahmed Hassan e Hady Khashaba”, diz ainda o comunicado divulgado na TV do clube.

Al-Sheikh reclamou no Twitter e no Facebook sobre os ataques que vem recebendo todos os dias e que, por isso, considerava parar de investir no Egito. Como mostramos no texto sobre o surgimento do Pyramids, Al-Sheikh surgiu como um admirador do Al-Ahly e recebeu o título de presidente honorário do clube. Só que cinco meses depois, deixou o cargo por divergências com os demais membros. Depois da sua saída do clube mais popular do Egito, acabou comprando o que se tornou o Pyramids.

Segundo Mortada Mansour, presidente do Zamalek, rival do Al-Ahly, os dirigentes do rival é que incitaram insultos a Al-Sheik. Ainda de acordo com o dirigente, o dono do Pyramids já vendeu a sua casa no Egito. Ele ainda tenta convencer Al-Sheikh a permanecer investindo no futebol egípcio, mas isso parece pouco provável neste momento, ainda mais depois do anúncio na TV do clube (que, aliás, transmitia até campeonatos internacionais, uma forma de mostrar poder e influência).

A ideia era montar um time capaz de destronar o Al-Ahly, como uma vingança de Al-Sheikh contra aqueles com quem se desentendeu. Em campo, o time vem bem: depois de sete jogos, o time tem 15 pontos, com quatro vitórias e três empates, ainda invicto. É o segundo colocado, atrás apenas do Zamalek, que tem dois pontos a mais, mas também jogou uma partida a mais. O Al-Ahly é, neste momento, o sétimo colocado, mas tem dois jogos a menos que o Pyramids.

Ainda não se sabe para onde vão os jogadores, mas o que se diz é que eles devem ir para clubes sauditas, país do investidor, além de ser o país em que ele exerce um cargo, como já dito neste texto, de ministro do esporte. No fim, tudo parece mais uma aventura de gente bilionária usando o futebol para atender seus interesses pessoais. Nada surpreendente, infelizmente.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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