África

O Egito vai parar na LC da África

A segunda fase da Liga dos Campeões foi marcada pela maior surpresa da competição até aqui: a eliminação do Étoile du Sahel. O clube tunisiano foi surpreendido em Sousse pelo Dynamos, do Zimbábue, e se despediu mais cedo da disputa com outra derrota. Sem a presença do atual campeão africano na briga, foi realizado na última sexta-feira o sorteio dos grupos para a próxima fase.

Os arqui-rivais egípcios Al Ahly e Zamalek estão no grupo A, ao lado de ASEC Mimosas e Dynamos. No grupo B, o Enyimba e o Al Hilal, do Sudão, largam na frente como favoritos para chegar até as semifinais. O TP Mazembe, que deve perder o atacante congolês Tresor Mputu para o futebol europeu, e o Coton Sport, de Camarões, despontam como possíveis azarões. Enquanto a LC não retorna de sua pausa, confira abaixo a situação de cada uma das equipes.

Al Ahly

Não foi nada fácil para o Al Ahly derrotar o Platinum Stars, da África do Sul, e seguir adiante na Liga dos Campeões. Os Vermelhos só conseguiram marcar os gols que precisavam para reverter a vantagem adversária no segundo tempo. Esse sofrimento só reflete a forma com que a equipe vem se apresentando nesses últimos meses. Não à toa, seu desempenho continua sendo criticado pela imprensa mesmo após a conquista do tetracampeonato nacional. Para reverter esse cenário, o Ahly tem recorrido ao mercado, atendendo ao pedido do treinador Manuel José, que ameaçava deixar o cargo. Até aqui, foram asseguradas as contratações de Hani Al-Egeizy, Sayed Moawad, Ahmed Hassan e Hussein Yasser, ex-Boavista.

Zamalek

Nem mesmo a presença do Zamalek na fase de grupos da Liga dos Campeões deverá acalmar seu ambiente interno. A estabilidade perseguida ao longo da última década ainda passa longe do clube egípcio. Nos próximos meses, ele enfrentará mais uma eleição presidencial, que agitará seus bastidores. Além disso, ainda será necessário ir atrás de um treinador para substituir o holandês Ruud Krol, que anunciou que deixa o comando da equipe ao fim da temporada. Em meio a esse cenário de incertezas, os Brancos decidem nessa quinta-feira uma vaga na próxima LC. Em caso de fracasso, a confiança do elenco certamente será abalada. Restará torcer para que o habilidoso Shikabala siga em condições de suprir a iminente perda de Zaki para o futebol inglês.

ASEC Mimosas

O retrospecto recente do ASEC Mimosas na Liga dos Campeões impressiona: ele esteve presente na fase de grupos nas últimas oito edições da competição. Ainda assim, será preciso mais do que isso para fazer frente a adversários como Al Ahly e Zamalek. A venda de peças que se mostraram importantes em outras campanhas é um fator a ser superado. Sem nomes como Ali Diarra e Emmanuel Koné no meio-de-campo, o ASEC continuará apostando suas fichas no faro de gol do artilheiro Laby Kassiaty, ex- Africa Sports. Nas duas fases anteriores, os marfinenses sofreram para se classificar. Tendo em conta ainda as dificuldades na briga pela liderança na Premier Division, as perspectivas não são boas para a equipe.

Dynamos

Pela segunda vez em sua história, o Dynamos se classificou para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Não foi nada simples, porém. Para assegurar a sua vaga diante do Étoile du Sahel em Sousse, o clube zimbabuano precisou superar as suas dificuldades financeiras. Sem dinheiro para comprar as passagens aéreas, ele chegou a recorrer ao governo, mas não obteve sucesso. Sua presença na partida só foi confirmada nos instantes finais. Esses entraves não são novidades em Harare. A própria conquista do título nacional foi cercada por uma disputa entre atletas e dirigentes em torno do pagamento das premiações. O treinador David Mandigora precisará evitar que esses problemas afetem o desempenho da equipe em campo.

Enyimba

A campanha do Enyimba até a fase de grupos o credencia como um dos favoritos para chegar às semifinais. O clube nigeriano venceu cinco das seis partidas disputadas na competição e marcou nada menos do que 20 gols. A força de seu ataque se deve, sobretudo, à presença de Stephen Worgu. O centroavante é responsável por praticamente metade dessa marca. Sondado por alguns clubes estrangeiros, ele pode deixar os bicampeões africanos no meio do ano. Seria uma perda imensurável, mas que, ainda assim, pode ser contornada. Apostar na defesa, que também vem funcionando bem com o rápido Uga Okpara no comando, é uma das saídas.

Al Hilal

O sonho do Mamelodi Sundowns de conquistar a Liga dos Campeões foi adiado mais uma vez. O responsável foi o Al Hilal, do Sudão, que, mesmo perdendo na partida de volta, se classificou para a fase de grupos. Sob o comando do brasileiro Heron Ferreira, o clube faz mais uma boa campanha na competição e chega com chances reais de repetir o desempenho do ano passado, quando foi até as semifinais. A base da equipe é a mesma. A única perda para esse ano foi a do atacante nigeriano Ndubuisi Eze, emprestado ao Al-Nasr. Os compatriotas Mohamed, Osunwa e Efiany continuam em alta, no entanto. Eles são as principais referências sudanesas ao lado do maestro Haitham Mostafa.

TP Mazembe

Em 2007, o TP Mazembe e o atacante Tresor Mputu despontaram com força, mas ficaram pelo caminho ao serem desclassificados pelo FAR Rabat na segunda fase. O mesmo não ocorreu dessa vez e o clube congolês segue na disputa da Liga dos Campeões. A campanha realizada até aqui não é mais do que modesta e nem sequer o posiciona entre os favoritos para chegar até as semifinais. Ainda assim, não se deve menosprezar os alvinegros. Caso consigam segurar Mputu por mais seis meses, suas chances crescem bastante. Ao lado de Luyeye Mvete, ele forma uma excelente dupla que ainda pode causar alguns estragos nas defesas adversárias. E, quem sabe, garantir mais uma pomposa premiação para o elenco, como a recebida depois da vitória sobre o FC 105 Libreville.

Coton Sport

Há algum tempo, o futebol camaronês não vivia um momento tão bom com seus clubes. Três representantes do país seguem na disputa de competições continentais. O mais destacado deles é o Coton Sport, que passou pelo JS Kabylie, da Argélia, para se classificar para a fase de grupos da Liga dos Campeões. É a primeira vez que o Coton consegue ir tão longe no campeonato. Essa campanha premia a organização da equipe, que, desde que chegou à Première Division, em 1993, vem conquistando diversos títulos no cenário local. A principal aposta para também fazer bonito ao redor da África é o atacante Ousmaila Baba, que, para o desespero do treinador Denis Lavagne, deverá se ausentar do elenco durante as Olimpíadas.

O fim de um ciclo

A presença do Étoile du Sahel na fase de grupos da Liga dos Campeões era dada como certa. O ESS só precisava vencer o Dynamos por dois gols de diferença em Sousse para se classificar. Nada difícil, convenhamos. Na prática, porém, foi diferente. A mesma base que, seis meses antes, conquistou a competição foi derrotada pela soberba diante de um adversário que, em virtude de seus problemas financeiros, não pôde nem realizar a preparação mais adequada para a partida.

O resultado desencadeou uma série de protestos por parte dos torcedores estrelistas, que, não bastasse esse fracasso, ainda deverão acompanhar mais um outro nessa quinta-feira: a perda do título nacional para o Club Africain. O Étoile estava empatado o CA na liderança até a rodada anterior, mas empatou dentro de casa com o Stade Gabésien e ficou dois pontos atrás na briga. Em seu último compromisso, enfrenta o arqui-rival Espérance, enquanto os alvirrubros recebem o frágil Espérance S. Zarzis. Ou seja, o bicampeonato nacional só vem por um milagre.

A queda de rendimento do ESS nesse primeiro semestre comprometeu o desenvolvimento de todo o trabalho que vinha sendo feito pelo presidente Moez Driss. Sem apoio dentro do clube e pressionado pela torcida, ele deverá deixar seu atual posto em breve. O treinador Bertrand Marchand provavelmente terá o mesmo destino, sendo substituído, ao que tudo indica, pelo seu antecessor, Faouzi Benzarti. O elenco da equipe também deverá sofrer mudanças sensíveis, com a saída de peças importantes como Felhi, Ben Dhifallah e Chermiti para o futebol europeu. Não há dúvidas: mesmo com a continuidade do clube na Copa CAF, encerra-se um ciclo hoje.

As trocas de treinadores continuam

As trocas de treinadores nas seleções africanas têm sido um assunto freqüente nessa coluna. Não há nada que este que vos escreve possa fazer para evitar, porém. A desorganização segue contagiando os dirigentes ao redor do continente e, mesmo a pouco mais de uma semana do início das Eliminatórias para a Copa do Mundo e a CAN, eles ainda se movimentam atrás de novos técnicos no mercado. As conseqüências disso podem ser desastrosas.

A decisão que mais surpreendeu foi a da federação marfinense, que não renovou o contrato do alemão Uli Stielike depois que ele retornou do período em que esteve afastado da equipe para ficar mais próximo de seu filho, que viria a falecer posteriormente. Os Elefantes optaram por Vahid Halilhodzic, ex-PSG, para sucedê-lo. O ex-meia francês Jean Tigana também esteve cotado para o cargo.

A seleção marroquina, que desponta com uma safra promissora para os próximos anos, foi outra a trocar de treinador depois da CAN. A definição do substituto foi bastante confusa. Por duas vezes, os dirigentes adiaram o anúncio do nome escolhido. No fim das contas, no entanto, não houve maiores surpresas. Entre idas e vindas até o país, Roger Lemerre fechou o acordo.

Ele deixa o comando da Tunísia, que, por sua vez, ainda segue negociando com o também francês Jacques Santini. Por hora, as conversas estão estagnadas devido a alguns impasses relativos ao pagamento de seu salário. Esses mesmos detalhes impediram as Águias de Cartago de fecharem anteriormente com o treinador do Étoile du Sahel, Bertrand Marchand. Com sua possível demissão em Sousse, pode ser que ele volte a ecoar como uma possibilidade.

Senegal optou pela decisão mais prática, mas que pode, em contrapartida, atrapalhar o desempenho do país nas Eliminatórias. Depois da saída de Henri Kasperczak durante a CAN, seu assistente Lamine Ndiaye assumiu seu lugar interinamente. Por preferir resolver, primeiramente, seus problemas internos, a federação prorrogou seu contrato por mais quatro meses para se concentrar na correção de falhas em sua estrutura e, então, partir para a contratação de um profissional mais experiente.

A realidade que atinge esses países também está próxima de dois outros que, por outro lado, foram bem na última Copa Africana: Gana e Camarões. As razões que estão por trás das prováveis saídas de seus técnicos são diferentes, porém. No caso ganês, existia o interesse na renovação do contrato de Claude Le Roy, mas este foi esfriado pelas suspeitas de que o francês havia conversado com a SAFA para assumir o lugar de Parreira. A situação camaronesa é ainda mais estranha e recai na desorganização de seu futebol, que pode causar a saída de Otto Pfister em virtude de uma briga entre dirigentes e políticos.
 

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Equipe Trivela

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