África

Nova seleção

No último dia 9 de julho, o mundo assistiu à celebração do nascimento do Sudão do Sul, dissolvido do antigo maior país do continente africano, o Sudão, a partir de um referendo aprovado por mais de 99% da população local. Uma nação marcada por décadas de guerra civil norte-sul que resultou em mais de dois milhões de mortes, além de índices de pobreza e analfabetismo alarmantes e precariedade de serviços públicos básicos. Em meio aos desafios gigantescos do país mais jovem do mundo, um sentimento de liberdade e esperança por dias melhores se espalha pela nação, o que é muito maior do que qualquer questão política ou econômica.

Como não poderia deixar de ser, a proclamação da independência ainda repercute em todo o país. E o contraste do entusiasmo dos sul-sudaneses com os problemas sócio-econômicos da nação fica ainda mais evidenciado quando o assunto é futebol. Um dos eventos comemorativos mais aguardados pós-independência foi a estreia da seleção do Sudão do Sul – que muito em breve se converterá na 209ª nação filiada à Fifa – num amistoso contra o Tusker FC, do Quênia.

A equipe é comandada por Malesh Soro, que quando perguntado sobre sua experiência na profissão, disse que “sempre jogou muito futebol”. Ao lado do treinador, o chefe da recém-criada Federação Sul-sudanesa de Futebol, Benjamin Oliver, realizou testes e captou jogadores em menos de um mês para um período de treinamento de 15 dias, já que os jogadores sul-sudaneses que atuam na liga profissional do Sudão não foram liberados para a partida (afinal, não era uma data Fifa). No dia do jogo, a bola nem precisou rolar para que o evento entrasse pra história. O hino nacional sul-sudanês, entoado pela primeira vez no fatídico 9 de julho, também causou muita emoção no remodelado Estádio Nacional de Juba, capital do Sudão do Sul.

O público presente nas arquibancadas atingiu a capacidade máxima de aproximadamente 2 mil pessoas. Já o resultado, bem, esta é a parte menos importante da história. A derrota de virada por 3 a 1 ficou em segundo plano comparada a oportunidade de mostrar ao mundo que o Sudão do Sul é verdadeiramente uma nova nação. Este é o orgulho de jogadores como Khamis Leyano, capitão e autor do primeiro gol da história dos Bright Stars (Estrelas Cintilantes), de forma não-oficial, já que foi apenas um amistoso. Leyano não sabe falar inglês, língua oficial do Sudão do Sul, mas isso esteve longe de ser um problema. O meio-campista Justin Wani, que teve o pai morto na longínqua guerra com o lado norte do Sudão, fez as vezes de tradutor.

O mais bem sucedido do selecionado é o veterano atacante James Joseph, que atua no futebol indiano e se mostrou muito orgulhoso em participar deste momento histórico. Outros, como o goleiro Yahaya Abas, representam a grande maioria daqueles que trabalham simplesmente pelo prazer de jogar futebol, sem receber um centavo. Se o fator tempo e o desentrosamento pesarão ao longo deste início de trabalho de formação, ao menos entusiasmo jamais vai faltar.

Rudolf Andrea, diretor da federação de futebol local, expressou as prioridades de curto prazo: “Não estamos preocupados no momento com os resultados em nossos primeiros jogos, mas sei que o Sudão do Sul tem um bom futuro no futebol”. A intenção é que dentro de dois ou três anos os Estrelas Cintilantes estejam disputando a Copa Africana de Nações e também as eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia.

A seleção ainda não conta com nenhum registro internacional, porém vários sul-sudaneses já representaram o que hoje é o lado norte do país. O grande nome, sem dúvida, foi o goleiro Hamid Breima, que marcou época na década de 1980 com a seleção e o Al-Merreikh, maior clube local.

Obviamente, o panorama futebolístico no Sudão do Sul também é um reflexo da realidade social do país. Faltam instalações de treinamento e a federação precisará correr atrás da construção de uma liga profissional, estádios, etc. “Estamos começando da forma que Deus nos criou”, comentou Benjamin Oliver. Em todo caso, o futebol é visto como um meio de promover a paz no país, e sem dúvida, os Estrelas Cintilantes assumirão um papel fundamental nesse sentido.

Pontapé inicial da CAF Champions League

Empate pra todos os gostos. Assim foi a primeira rodada da CAF Champions League, onde nenhuma das oito equipes que disputam o título conseguiu vencer. Em duelo de campeões nacionais pelo Grupo A, no sábado, Raja Casablanca (Marrocos) e Coton Sport (Camarões) ficaram no zero. No outro jogo da chave, saíram os primeiros gols da competição, mas não o primeiro vitorioso. Enyimba (Nigéria) e Al Hilal (Sudão) empataram em 2 a 2. O meia Edward Sadomba, do Al Hilal, marcou o primeiro e último gol da partida, enquanto Valantin e Kalu marcaram para os nigerianos.

Pelo Grupo B, o MC Alger, que teve desempenho pífio no Campeonato Argelino, segurou um empate com o Espérance, da Tunísia, em 1 a 1. Darragi colocou os visitantes na frente, porém Maghrebi anotou o gol do Alger ainda no primeiro tempo. Na outra partida, chuva de gols no duelo entre Al Ahly e Wydad Casablanca. O Al Ahly vencia por 3 a 2 até os 44 do segundo tempo, quando Mouhcine Iajour, artilheiro da Champions ao lado de zimbabuano Sadomba, com dois gols, arrancou um empate heróico para o Wydad.

A próxima rodada está marcada para os dias 29 e 30 de julho. No dia 29, o surpreendente Al Hilal recebe o Raja Casablanca. Já o grande duelo das três partidas marcadas para o dia seguinte será entre os gigantes Espérance e Al Ahly. Ainda pelo Grupo B, o Wydad Casablanca visita o MC Alger, enquanto Coton Sport e Enyimba fecham a rodada do Grupo A.

Egito: Al Ahly campeão

A trajetória de Manuel José à frente do Al Ahly redefine o conceito de soberania. Antes de reassumir o comando do clube neste ano, o treinador já havia sido pentacampeão da Premier League egípcia, tetra da CAF Champions League, da Supercopa Egpícia e da Supercopa Africana, além de bicampeão da Copa do Egito com os ‘Diabos Vermelhos’. Quando foi convidado a retornar ao clube, em janeiro, o Ah Ahly ocupava um decepcionante 4º lugar do campeonato nacional, seis pontos atrás do líder Zamalek.

Desde então, faltando 16 partidas para o encerramento do torneio, a equipe não sentiu mais o gosto amargo de uma derrota. Com dez vitórias e seis empates, o Ah Ahly atropelou o maior rival na tabela e faturou o caneco com uma rodada de antecedência. O sétimo título consecutivo dos Diabos Vermelhos na EPL tem a marca de Manuel José, que ostenta um reinado digno de um faraó.

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Equipe Trivela

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