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No drama dos pênaltis, Mali supera África do Sul

Decidir a classificação nos pênaltis é sempre um drama. Muitos apreciam essa montanha russa de emoções que as penalidades trazem, não por acaso. Neste sábado, em Durban, África do Sul e Mali fizeram um jogo de dramas. Os malineses sofrendo com a situação caótica no seu país, com tropas francesas invadindo seu território e a população em constante tensão. Os sul-africanos passam por um momento político muito mais tranquilo, mas como donos da casa no torneio, entraram pressionados a não fazer novamente uma campanha decepcionante, como foi na Copa de 2010. O placar de 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação não serviu para definir o jogo, então foi preciso sentir o drama dos pênaltis.

Apesar da melhor qualidade de Mali no meio-campo, a África do Sul tentava pressionar com muitos jogadores avançando. Só que as saídas de jogo de Mali tinham qualidade com Mohamed Sissoko, Seydou Keita e Samba Diakité. Um jogador chave para o sucesso da África do Sul, especialmente no primeiro tempo, foi o meio-campista Reneilwe Letsholonyane, que marcava Keita e ainda fazia bons passes.

Em contra-ataque em velocidade, Thuso Phala fez boa jogada, com habilidade e errou o chute para o gol, que virou um passe para Tokelo Rantie finalizar e marcar, aos 31 minutos.  Com os adversários poucos inspirados no jogo, os sul-africanos não davam espaço e faziam um bom jogo, mesmo que o ataque deixasse a desejar na hora da finalização. O time ficava mais com a bola e Mali não conseguia contra-atacar.

Quando a África do Sul era melhor no segundo tempo e tinha chances de ampliar o placar, Mali conseguiu um bom ataque e empatou. Modibo Maíga avançou pela esquerda e cruzou para a área, onde os defensores sul-africanos ficaram olhando Seydou Keita entrar livre e cabecear como centroavante para empatar, aos 13 minutos.

O gol deixou os sul-africanos perdidos por alguns minutos e Mali teve uma nova chance de marcar, mas desperdiçou. A África do Sul se recompôs, conseguiu retomar o domínio da posse de bola e, assim, tentou chegar mais. O problema é que dificilmente os donos da casa conseguiam uma chance clara. Seja porque o time errava na hora do último passe, seja porque faltava criatividade e sobrava velocidade.

Os times foram cansando e a África do Sul, que usava mais a velocidade como arma, foi quem mais sentiu os efeitos. Tanto que Mali passou a levar algum perigo com cruzamentos, depois de colocar em campo o centroavante Cheik Diabate.

A prorrogação se arrastava e os dois times, muito cansados, criavam pouco. Algumas faltas duras aconteceram e Mali insistia em chegar com a bola aérea. Com um time técnico no meio-campo, Mali tentava segurar o jogo e diminuir o ritmo, mas os sul-africanos seguiam tentando impor velocidade com os jogadores que entraram durante o jogo, como Thulani Serero e Siphiwe Tshabalala.

Keita, capitão de Mali, comandava e incentivava o time, que também estava cansado. Principal referência da equipe, o ex-jogador do Barcelona demonstrou muita vontade, mesmo sem fazer uma grande partida tecnicamente. Sem gols na prorrogação, a decisão acabou indo para os pênaltis.

Nos pênaltis, Tshabalala marcou, mas Furman, Mahlangu e Majoro perderam suas cobranças pela África do Sul. Mali foi mais eficiente e acertou três cobranças entre as três que fez e levou a classificação às semifinais. Agora, espera o vencedor de Costa do Marfim e Nigéria, que jogam neste domingo.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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