África

Ninguém está certo

Até o fechamento desta coluna, não há nenhuma confirmação sobre a saída de Joel Santana do comando da África do Sul. Mesmo após as derrotas para Noruega e Islândia, o técnico brasileiro segue prestigiado e os próprios dirigentes, que antes pareciam propensos a demiti-lo em caso de fracasso no giro pela Europa, agora mostram confiança em sua continuidade. E preferem, como até então não haviam feito, apontar o dedo para outros problemas que o futebol local enfrenta e acabam respingando na seleção.

Não se sabe até que ponto essa postura é verdadeira. Na imprensa sul-africana, que, em boa parte, pede a cabeça de Joel, a expectativa é a de que, em novembro, quando enfrentar Jamaica e Japão, o técnico esteja mais uma vez brigando pelo seu cargo. Em meio a essa crise que assola o país a poucos meses da Copa do Mundo, não há ninguém que se mostre digno de elogios.

Com um retrospecto de oito derrotas em nove partidas, qualquer treinador já teria sido mandado embora no Brasil. Mas Joel Santana se mantém firme na África do Sul e falha ao menosprezar a importância dos amistosos. Em suas entrevistas, não é raro vê-lo desmerecendo esses testes e mirando sempre o Mundial. Entretanto, para chegar em boas condições em 2010, é preciso ganhar partidas e, consequentemente, moral. Caso contrário, a atual fase persistirá pelos próximos meses e poderá custar a sua permanência no país.

Se dependesse dos jornalistas sul-africanos, Joel já teria sido dispensado há bastante tempo. A relação do técnico com a imprensa nunca foi boa, mas agora se encontra em um estágio de deterioração em que nunca havia chegado antes. Qualquer atitude do brasileiro é motivo para crítica, mesmo quando ela se mostra, na verdade, merecedora de nota. A convocação de atletas que andavam em baixa e se recuperam na seleção é um exemplo.

Nos últimos meses, somente em um momento a imprensa se posicionou a seu favor. A cena que se mostra cada vez mais rara aconteceu após a indicação pela Safa de três treinadores para monitorar o seu trabalho. Os jornalistas não aprovaram a novidade e pediram dignidade no trato com o ex-flamenguista. Segundo eles, com essa decisão, a federação estaria humilhando um profissional que merece ser, como qualquer outro, respeitado. “Se desejam demiti-lo, demitam de uma vez por todas”, afirmavam.

E foi nesse cenário que a nova administração da Safa cometeu o seu maior equívoco até aqui. Não só com a montagem do grupo de observação, mas também na escolha de seus integrantes. Formam a comissão Gavin Hunt, Clive Barker e Jomo Sono. Nenhum deles convence no futebol local. Hunt não possui qualquer experiência fora do país; Sono comanda uma equipe que briga contra o rebaixamento e não consegue marcar gols; e Barker foi demitido do fraco Amazulu no início da temporada. E para piorar: são críticos ferrenhos do trabalho de Joel. Alguma chance de isso dar certo?

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Equipe Trivela

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