África

Nigéria, distante de 1996

Para os leitores dessa coluna, não é mais nenhuma novidade o nome da seleção nigeriana aparecer envolvido em alguma confusão. A desorganização de seus dirigentes e a falta de profissionalismo de alguns de seus jogadores são responsáveis pelo surgimento de polêmicas com uma freqüência incrível. A última ocorreu na preparação do país para as Olimpíadas. Estavam marcados dois amistosos nos Estados Unidos, contra Honduras e Trinidad e Tobago, mas eles simplesmente foram cancelados porque não foi possível conseguir o visto a tempo de cumprir com esses compromissos.

O mesmo esteve perto de ocorrer na viagem que a seleção olímpica, também chamada de Dream Team IV, fez até Portugal para treinamentos no mês passado. E não se surpreenda se for confirmada a notícia de que, a despeito de suas pretensões, a Nigéria não disputará nenhum amistoso no período que passará na Coréia do Sul antes de partir para Pequim. Existe o interesse do Irã em jogar uma partida, mas, até aqui, nada foi decidido nesse sentido. Até por isso, o treinador Samson Siasia já se prepara para o pior.

Após selar a sua classificação para as Olimpíadas, os nigerianos só participaram de uma competição, na Malásia. O saldo foi positivo, com o título do torneio batendo equipes como Chile e Austrália. Ainda assim, não se sabe até que ponto esse desempenho pode ser levado em conta, pois, segundo o próprio Siasia, somente cinco ou seis jogadores que participaram da campanha estarão presentes em sua convocação final, marcada para o próximo domingo.

Certo é que o meio-campista John Obi Mikel, do Chelsea, não estará presente na lista. Em seu longo histórico de ausências na seleção, ele não respondeu à chamada para a partida decisiva contra África do Sul, pelo Pré-Olímpico. Desde então, passou a ser carta fora do baralho. Nada, no entanto, que preocupe tanto as Super Águias, que certamente contarão com opções interessantes como Solomon Okoronkwo, Victor Anichebe e Chinedu Ogbuke. Além, é claro, dos três jogadores acima de 23 anos.

Port Elizabeth fora

Como já era esperado, a FIFA anunciou, nessa semana, que o estádio Nelson Mandela não receberá nenhuma partida da Copa das Confederações. Segundo a entidade, ele só ficará pronto a quatro semanas do início da competição, marcado para junho de 2009, não atendendo, assim, ao prazo estabelecido. Somando-se a isso o fato de Joseph Blatter ter afirmado que três países/confederações já foram sondados como possíveis planos B para a candidatura sul-africana, cresce ainda mais a pressão da imprensa sobre o comitê de organização.

Nada com que as autoridades já não estejam acostumadas, no entanto. Problemas como a greve dos operários e o aumento excessivo do preço de alguns itens contribuíram para que o estádio localizado em Port Elizabeth fosse descartado do torneio. Ainda assim, o prefeito da cidade garante que, por trás da decisão da FIFA, não está o atraso nas obras, que, segundo ele, estão, inclusive, à frente do calendário proposto. Difícil acreditar nisso. Cheira mais a uma tentativa desesperada de assegurar para o seu município o crescimento que viria em campos como o turismo e o comércio.

Dessa forma, serão quatro os estádios na Copa das Confederações: Ellis Park, em Joanesburgo, Loftus, em Pretoria, Free State Stadium, em Bloemfontein, e Royal Bafokeng Stadium, em Rustenburg. A competição ocorre ao longo de duas semanas e terá como participantes, além dos donos da casa, os campeões mundiais e continentais. O sorteio dos grupos será realizado no dia 22 de novembro, na própria África do Sul.

Copa Cosafa segue viva

Criada em 1997, a Copa Cosafa nunca gozou de grande prestígio no continente e sempre serviu apenas como um meio de estimular o desenvolvimento das seleções do sul da África. A realização da competição em 2008 esteve ameaçada até pouco tempo atrás, devido o rompimento da parceria com a cervejaria SAB, que durou 11 anos. Sem esse aporte financeiro e diante das dificuldades em encontrar um novo patrocinador, chegou-se a temer pela sobrevivência do torneio. A boa notícia foi o acordo com o governo da província sul-africana de Mpumalanga.

Com isso, a cidade receberá todas as fases da Copa Cosafa, que teve o seu formato de disputa modificado, como modo de cortar custos. Assim, oito países serão divididos em dois grupos na fase preliminar, e os vencedores de cada um se juntarão, nas quartas-de-final, a Angola, Botswana, Moçambique, África do Sul, Zâmbia e Zimbábue. O ponta-pé inicial está marcado para o próximo dia 19, enquanto que a final será jogada em 2 de agosto.

Em sua edição passada, a competição regional contou com a presença ilustre do treinador brasileiro Carlos Alberto Parreira, que, com alguma dificuldade, assegurou aquela que foi a sua única conquista no comando dos Bafana Bafana. Dessa vez, o desafio será do compatriota Joel Santana, que, em caso de sucesso, não só aliviará a pressão sobre si, como também igualará o recorde de títulos do campeonato (3). Vale lembrar ainda que a base sul-africana que disputou a última CAN foi montada, em parte, a partir do certame de 2007.
 

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