África

Nigéria deixa o Brasil com mais incertezas do que conclusões

A disputa da Copa das Confederações era vista como uma ótima oportunidade para medir o nível de competitividade da Nigéria em relação às grandes seleções do planeta. Fazer qualquer prognóstico, no entanto, era quase um tiro no escuro, pois embora muitos jogadores apresentem talento, trata-se de um time jovem (média de idade de 23,3 anos, a menor do torneio, diga-se) e com pouca rodagem internacional em termos de seleção. A eliminação na primeira fase ficou abaixo das expectativas, claro, mas os nigerianos se despedem do torneio com uma “frustração” ainda maior: a de não saberem em que patamar a equipe realmente está frente aos “gigantes” mundiais.

Explica-se: por mais que os jogos contra Espanha e Uruguai tenham proporcionado um nível de dificuldade altíssimo, a Nigéria que veio ao Brasil não esteve à altura de suas capacidades, a começar pelos inúmeros desfalques. Emenike, artilheiro da última Copa Africana de Nações, Moses, jogador de enorme capacidade técnica, e Onazi, uma das maiores promessas do time, foram cortados por lesão. Jogadores que poderiam compor o elenco, como Kalu Uche e Bright Dike, também foram vetados. Como se não bastasse, titulares como Oduamadi e Omeruo ainda lesionaram-se durante o torneio.

Na parte mental, o elenco também esteve bastante desgastado. Os dias que antecederam a chegada dos nigerianos ao Brasil foram bastante turbulentos, com os jogadores entrando em divergência com dirigentes por conta de promessas referentes a pagamento de bônus. Como consequência disso, a equipe perdeu um voo programado e foi a última a aterrissar em solo brasileiro para a disputa da Copa das Confederações, apenas dois dias antes de sua estreia, contra o Taiti.

Pra não dizer que foi uma viagem perdida, é possível extrair algumas coisas boas desta participação nigeriana, certamente. Stephen Keshi, treinador da equipe, é conhecido por privilegiar jogadores que atuam no futebol nigeriano. E nada menos que oito jogadores “locais” estiveram na Copa das Confederações, o que certamente foi uma experiência valiosíssima. Alguns deles, como os ótimos Oboabona e Mba, responderam muito bem.

Mas esse fator não se restringe apenas aos atletas que atuam no próprio país. Com exceção dos goleiros Enyeama e Ejide, do lateral Echiejile e do atacante Ideye, nenhum dos convocados havia atuado em um torneio internacional pela seleção anteriormente – nem mesmo Obi Mikel, cortado da Copa de 2010. Aliás, as atuações soberbas de Mikel representam outro ponto positivo da equipe na competição. Muitas vezes subestimado pela imprensa internacional, o volante provou que está pronto para assumir o papel de protagonista da equipe não apenas em solo africano.

Com relação aos jogos da equipe no torneio, o repórter Andrew Randa, do site Supersport.com, chamou atenção para algo curioso. A única vitória da equipe, um acachapante goleada por 6 a 1 sobre o Taiti, foi vista com indiferença. A derrota por 2 a 1 para o Uruguai, por sua vez, simbolizou a valentia desta jovem equipe. E a derrota por 3 a 0 para a Espanha, que teoricamente seria o pior momento da equipe no torneio, foi encarada com orgulho. Apesar do placar, os nigerianos tiveram oportunidades preciosas de conseguirem um placar melhor contra os atuais campeões mundiais. Narrativa incomum, porém realista.

No geral, a impressão que prevalece é a de que a Nigéria perdeu uma grande oportunidade de demonstrar todo o seu potencial para o mundo. A Copa está cada vez mais próxima, e por mais que a participação dos nigerianos não esteja garantida, seria importante observar se a seleção está realmente preparada para encarar qualquer adversário de igual pra igual. Dessa forma, a Nigéria se despede do Brasil da mesma forma que chegou: tida como uma equipe promissora, com potencial para evoluir, mas sem a certeza de poder competir no mais alto nível contra as melhores seleções do planeta.

Curtas

– Mesmo detido pelas autoridades locais, Iya Mohammed, acusado de desviar fundos de uma empresa pública, foi reeleito como presidente da Federação Camaronesa de Futebol (Fecafoot), cargo que ocupa há mais de uma década. Como não poderia deixar de ser, existe a suspeita de irregularidades na eleição. A notícia é péssima para a perspectiva de progresso do futebol camaronês.

– A escalação irregular de um jogador nas eliminatórias para a Copa de 2014, que certamente provocará perda de pontos, forçou mudanças na Federação Etíope de Futebol. Ashenafi Ejigu, secretário-geral da entidade, foi destituído do cargo e todo o comitê executivo será desfeito em setembro, quando haverá eleições.

– A polêmica gira em torno da escalação de Minyahile Behene para o jogo contra Botsuana. O jogador havia recebido dois cartões amarelos nas rodadas anteriores, porém os dirigentes “esqueceram” de sua suspensão e permitiram sua entrada em campo. Negligência que pode arruinar as chances da Etiópia disputar o Mundial no Brasil, ainda que a equipe só dependa de si para se classificar para o mata-mata das eliminatórias.

– O Asante Kotoko derrotou o Amidaus Professionals por 1 a 0 e faturou o bicampeonato consecutivo do Campeonato Ganês, o 22º de sua história. Prince Baffoe, de apenas 18 anos, anotou o gol do título. O Kotoko ainda briga pela “dobradinha” no país, já que enfrenta o Medeama na final da FA Cup no dia 14 de julho.

– Outro campeão nacional é o Stade Malien, que sacramentou o título do Campeonato Malinês ao vencer o ASO Missira por 2 a 0. A campanha da equipe é avassaladora: em 25 jogos (ainda restam cinco), o time conquistou 22 vitórias e três empates. A vantagem para o vice-líder, Réal Bamako, é de nada menos que 16 pontos.

– Claude Le Roy não é mais o técnico da República Democrática do Congo. Seguindo o seu próprio planejamento, o treinador abandonou o cargo após completar dois anos no comando. Apesar do fracasso na CAN 2013 e de alguns problemas extracampo, seu trabalho foi bastante positivo.

– Al Ahly e Zamalek jogaram pelo Campeonato Egípcio no último fim de semana. As partidas não valeram muita coisa, já que os dois times estão classificados por antecipação para as semifinais. No entanto, chamou a atenção o fato dos ‘Ultras’ de ambos os clubes descumprirem a ordem das autoridades do país, que ordenam a realização de partidas com portões fechados, ao comparecerem aos jogos. A polícia decidiu não intervir.

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