África

Nigéria anuncia novo treinador

Desde a conquista do ouro olímpico em Atlanta, a Nigéria vive sob constante pressão. Esperava-se que o país assumisse, após esse feito, uma posição de maior influência não só no continente africano, mas também no restante do mundo, o que, como sabemos, não aconteceu. As Super Águias estiveram longe de chegar a esse patamar, contribuindo para a perda de um prestígio adquirido graças também ao bicampeonato da CAN em 1994 e a excelente participação na Copa do Mundo do mesmo ano.

As cobranças originadas a partir desse cenário repercutem, claro, nos treinadores nigerianos. Nos últimos 12 anos, o cargo foi ocupado por 11 profissionais diferentes. Aquele que mais vezes esteve no comando durante esse período, Shaibu Amodu, acertou, na última semana, o seu retorno à Seleção. Essa será a quarta passagem do técnico, que assume o lugar deixado pelo alemão Berti Vogts depois da pior campanha do país na Copa Africana em 25 anos.

Sua escolha foi considerada uma surpresa na Nigéria. Ele nem sequer figurava entre os candidatos mais cotados ao cargo. Stephen Keshi, ex- Togo, e Samson Siasia, responsável pela classificação para as Olimpíadas de Pequim, tinham a preferência. Mas em virtude da demora na resposta por parte da NFA, no caso do primeiro, e de uma oferta que não lhe agradou, no do segundo, acabaram frustrando aqueles que davam como certa suas contratações.

Engana-se, porém, quem pensa que o anúncio de Amodu não suscitou nenhuma crítica da imprensa. A maioria dos questionamentos realizados não se referia à sua capacidade técnica, mas, sim, à ligação que ele sustentou, durante os últimos anos, quando esteve afastado da função, com a área empresarial, conduzindo a negociação de jogadores. A dúvida que existe é se Amodu não fará uso de seu posto para colocar um garoto em evidência, por exemplo.

Ainda assim, são poucos os que compartilham dessa suspeita. E ele próprio já tratou de vir a público afirmar que, com o início desse novo projeto, deixaria essa atividade de lado. A sempre atenta imprensa nigeriana estará de olho obviamente. Enquanto isso, ela aguarda pelo pronunciamento oficial, a ser feito pela NFA, ao lado de sua principal patrocinadora, a empresa de telecomunicações Globacom, no começo de maio. Até lá, Amodu já estará trabalhando a todo vapor visando seu primeiro desafio: as Eliminatórias para a Copa do Mundo.

A demora no anúncio do substituto de Vogts foi muito criticada em virtude também do prejuízo causado na preparação para essa competição. Desperdiçaram dois meses que seriam importantes para a avaliação da base atual e a montagem de um grupo para a disputa. A princípio, Amodu só terá um amistoso, contra a Áustria, antes das quatro partidas que jogará pelas Eliminatórias em junho. Muito pouco tempo para deixar o time pronto para compromissos de tanta importância.

Não bastasse isso, ele ainda teve que engolir uma comissão técnica formada pela federação, o que não aconteceu com Berti Vogts. A presença de dois profissionais do Enyimba, o ex-jogador Daniel Amokachi e Aloy Agwu, e de Fatai Amoo, não será problema para Amodu, claro, mas por que ele não teve o mesmo privilégio de seu antecessor? Atitudes como essa só reforçam a tese de que treinadores estrangeiros são levados mais a sério no país.

De qualquer forma, com sua chegada, atende-se a um pedido que já há algum tempo era feito na imprensa nigeriana: a opção por profissionais locais. Amodu não goza de tantos contatos internacionais quanto Vogts, por exemplo, mas certamente saberá conduzir melhor sua relação com a desorganizada federação e a feroz imprensa. Além de que acompanhará mais de perto o surgimento de jogadores ao seu redor.

 

Tunísia fora da CHAN

As partidas de volta da fase preliminar do Campeonato Africano de Nações foram disputadas no último fim de semana. A única surpresa foi a desclassificação da seleção sub-23 da Tunísia pela Líbia nos pênaltis. Nada, porém, que tenha abalado a confiança do país que dominou as competições continentais de clubes em 2007. A pouca repercussão do resultado é explicada pela atenção que tem sido dada pela mídia ao torneio.

Desde o anúncio de sua criação, no ano passado, ele tem tido sua validade debatida. Há muitas dúvidas a respeito da real necessidade de se formular um campeonato como esse, que tem como principal objetivo incentivar o desenvolvimento das ligas africanas e dos seus respectivos atletas. Algo que, diga-se, já ocorre de diversas formas. A própria Liga dos Campeões age nesse sentido. Isso para não falar de disputas regionais como a Copa COSAFA, que, quase sempre, mobiliza apenas jogadores que atuam em seus torneios domésticos.

Ou seja, além de demandar por parte das pobres federações um investimento financeiro desnecessário, o Campeonato Africano de Nações ainda surge com um propósito que já se encontra atendido. Trata-se até de uma atitude inconseqüente instalar mais uma competição no calendário do continente quando, no mundo todo, se prega a diminuição de datas de jogos das seleções. No final das contas, ela acabará atuando como mais uma vitrine de observação para os clubes europeus.

Ainda assim, é muito cedo para afirmar se o torneio vingará ou não, mas, a julgar pela cobertura que ele tem recebido, fatalmente deverá ficar relegado a segundo plano. A sua fase final será disputada entre fevereiro e março de 2009 na Costa de Marfim. Outras sete seleções, divididas atualmente em seis grupos regionais, se juntarão aos Elefantes na briga pelo título. O favoritismo, desde já, fica com os países do norte do continente, que possuem ligas mais fortes e jogadores de melhor qualidade atuando por suas equipes.

Reta final na Premiership

A cinco rodadas do fim da temporada, o SuperSport segue na liderança da Premiership. A vantagem de quatro pontos que sustenta à frente do Ajax Cape Town, segundo lugar, não é capaz de lhe deixar sossegado, porém. Com um jogo atrasado a disputar, o ACP pode se aproximar perigosamente e trazer seu arquirrival consigo também. O Santos ganhou sete das suas últimas nove partidas e ainda atuará contra os dois primeiros colocados. Em suma, promessa de uma reta final repleta de emoções.

Diante dessa indefinição na parte de cima da tabela, o treinador do SuperSport, Gavin Hunt, prefere adotar uma postura mais comedida e não aceitar o favoritismo ao título. Segundo ele, para que o clube alcance a façanha, será preciso somar dez pontos nos quinze que serão jogados adiante. Não se trata de uma meta impossível de ser atingida, mas, para isso, o Matsatsantsa terá que superar, além do confronto direto com o Santos e o clássico com o Mamelodi Sundows, adversários que vêm surpreendendo como o Golden Arrows.

O crescimento do ex-goleiro da seleção sul-africana Andre Arendse representa um grande impulso nesse sentido. Sem o instável Onyango entre os titulares, e com a revelação Bongani Khumalo, de 21 anos, atravessando uma ótima fase na defesa, a maior preocupação passa a ser o ataque. Katlego Mphela e o etíope Fikru Tefera não têm conseguido aproveitar as oportunidades criadas por Daine Klaite, deixando para o garoto Kermit Erasmus a responsabilidade de marcar os gols que a equipe precisa.

A inexperiência de seu grupo é outro fator a ser considerado por Hunt. Se ele souber controlar os nervos dos atletas, será mais fácil para o SuperSport sustentar a atual posição e conquistar seu primeiro título na competição. O aporte financeiro que chegaria com esses feitos permitira ao clube seguir com seu trabalho de excelência na base e ainda investir na contratação de nomes mais conhecidos.

Surpresa na Copa da Argélia

A presença de quatro clubes da primeira divisão nas semifinais da Copa da Argélia era tido como certa. Não fosse, claro, por uma tremenda surpresa chamada ESM Koléa, que desclassificou o USM Annaba nos pênaltis e seguiu adiante. Na próxima fase, a equipe enfrentará o WA Tlemcen, que deixou para trás o Paradou AC nas quartas-de-final. O outro confronto será entre JSM Bèjaia e NA Hussein Dey.

O USMAn precisará se reerguer após o fracasso na competição que tratava como prioridade para, assim, tentar manter a boa fase no Championnat National D1. Enquanto isso, o ESM Koléa aproveita o resultado histórico para se afirmar dentro do país e tentar atrair propostas de patrocínio. O clube fundado em 1946 disputa a divisão interregional e ocupa atualmente o segundo lugar, cinco pontos atrás do líder WR Bentalha. Essa é a primeira vez que ele consegue semelhante destaque e os reflexos disso estão começando a aparecer: atletas como Hamlaoui e Frioua dificilmente continuarão no ESMK depois do encerramento da campanha.

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Equipe Trivela

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