Africa

Não tem mais bobo na África

O equilíbrio de forças entre as seleções africanas ficou escancarado nas eliminatórias para a CAN 2012, com a desclassificação de potências como Camarões, Egito, África do Sul e Nigéria. Não obstante, o fracasso das grandes seleções trouxe à tona um importante questionamento: seria possível esse “fenômeno” se repetir também nas eliminatórias para a Copa de 2014? Com a definição dos grupos da segunda (e penúltima) etapa da disputa, é possível fazer algumas projeções. E todas elas apontam para confrontos nivelados e que ameaçam afastar os gigantes do continente do próximo Mundial.

Mesmo as seleções que espantaram as zebras e garantiram vaga na CAN do próximo ano, como Costa do Marfim e Gana, não terão vida fácil. Os marfinenses, se por um lado não devem fazer maiores sacrifícios contra Gâmbia e Tanzânia, encaram o ascendente Marrocos, que dispõe de inúmeros destaques individuais (Chamakh, Belhanda, El-Arabi, Taarabt, entre outros). A chave de Gana não fica pra menos: Zâmbia, que vai para a sua quarta CAN consecutiva, possui alguma reputação no continente. Outro adversário ainda mais duro é o Sudão, com o qual os ganeses tiveram trabalho já nas eliminatórias para a CAN 12. Há pouco mais de um ano, jogando em casa, os Estrelas Negras só empataram com os sudaneses em 0 a 0.

Camarões, que perderá sua primeira CAN em 30 anos, também vai ter de suar para marcar presença no Brasil daqui a três anos. Pode-se dizer que os Leões Indomáveis caíram no grupo da morte, ao lado de Líbia, Togo e República Democrática do Congo. Os líbios, classificados para a CAN 2012, recentemente disputaram seu primeiro amistoso internacional em cinco anos (empate em 1 a 1 com a Bielo-Rússia) e apresentaram um futebol competitivo. Os togoleses, embalados pelo retorno – e grande fase – de Adebayor, também não podem ser subestimados. Já a República Democrática do Congo, apoiada basicamente em jogadores do Mazembe, é um adversário conhecido dos camaroneses. Nas eliminatórias para a CAN 2012, as seleções empataram em 1 a 1 jogando em Garoua.

A seleção egípcia, agora comandada por Bob Bradley e que bate na trave na classificação para uma Copa do Mundo há 20 anos, corre sérios riscos de ficar novamente fora da disputa. Não seria exagero dizer que Guiné, algoz da Nigéria nas eliminatórias para a CAN e adversária dos faraós, possui uma seleção mais consistente. E falando nos nigerianos, que também estão sob nova direção (Stephen Keshi é o treinador), o sorteio parece “piedoso” à primeira vista, mas pode se mostrar traiçoeiro. Afinal, Malauí, um dos adversários das Super Águias, venceu Togo e empatou duas vezes com a Tunísia nas eliminatórias para a CAN. Olho ainda no Quênia, de McDonald Mariga, que mostrou força ao vencer Angola no início deste ano.

A chave da África do Sul também pode reservar grandes surpresas. Botsuana e República Centro-Africana, antes seleções irrelevantes no continente, evoluíram de forma inexplicável e merecem atenção – sobretudo os botsuaneses, embalados por uma inédita classificação para a Copa das Nações Africanas. Por sua vez, a República Centro-Africana por pouco não roubou a vaga de Marrocos na CAN e ficou à frente da Argélia nas eliminatórias. Os argelinos, aliás, devem lutar ponto a ponto pela liderança do Grupo H com Mali – favoritismo para os malineses.

Equilíbrio também no Grupo B, onde a Tunísia terá pela frente Guiné-Equatorial, uma das sedes da próxima CAN e que trabalha para formar uma seleção competitiva (sobretudo através da captura de jogadores com ascendência espanhola), Serra Leoa, que neste ano venceu o Egito e empatou com a África do Sul fora de casa, e Cabo Verde, que por mais que não assuste, vive um momento histórico: atingiu o 66º lugar no ranking da Fifa, bem mais expressivo do que o 188º posto que ocupava em 2000. Já Senegal defronta Angola, enquanto o Grupo E possui uma particularidade: Burkina Fasso como cabeça-de-chave, ao lado de Níger, Gabão e Congo. Definitivamente, este é um sinal de novos tempos no continente. E ao contrário do que muitos imaginam, isso só tem a enriquecer o futebol africano.

Curtas

 

– No jogo de ida da decisão da Copa da Confederação Africana, o Club Africain, da Tunísia, recebeu o Maghreb de Fès, do Marrocos, e venceu por 1 a 0. Mendomo fez o gol da vitória que permite aos tunisianos jogarem por um empate na partida da volta, no Marrocos, para faturar o caneco.

– Pela terceira vez nos últimos cinco anos, o Africa Sports, da cidade de Abidjã, sagrou-se campeão marfinense. A equipe foi derrotada por 2 a 1 pelo AFAD Djekanou, mas como o concorrente direto SO Armee também foi derrotado, ficou com a taça.

– Também teve festa no Zimbábue, onde o Dynamos bateu o rebaixado Kiglon por 2 a 0 e faturou o 18º título nacional de sua história. Apesar da supremacia no país, este foi apenas o segundo título da equipe na última década.

– No Sudão, com uma rodada de antecedência, o Al Merreikh desbancou o rival Al Hilal e ficou com o título do campeonato nacional numa campanha irreparável: foram 24 vitórias nos últimos 25 jogos.

– No maior clássico do futebol ganês, Hearts of Oak e Asante Kotoko empataram sem gols. Melhor para o Kotoko, que segue na ponta do campeonato nacional com um ponto a mais que o maior rival.

– O Mamelodi Sundowns bateu o Maritzburg por 1 a 0 e assumiu a vice-liderança da Premier Soccer League (Campeonato Sul-Africano). O líder, SuperSport United, empatou sem gols contra o ótimo Ajax Cape Town – aliás, quatro das oito partidas do último fim de semana terminaram sem gols.

– Na Argélia, o Mouloudia Alger derrotou o El Harrach por 2 a 1 e manteve a ponta da Ligue 1 com 18 pontos, dois a mais que o Belouizdad, derrotado pelo ASO Chlef por 3 a 1.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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