Não foi dessa vez

O Étoile du Sahel até que tentou, mas não conseguiu superar o Boca Juniors na semifinal do Mundial de Clubes. Alinhando em campo com uma formação excessivamente defensiva, a equipe segurou os argentinos o quanto pôde, mas, logo no momento em que estava melhor na partida, cochilou e permitiu que o meio-campista xeneize, Cardozo, abrisse o placar. O gol foi um duro golpe, que demorou a ser digerido pelo time. Quando ele, então, decidiu partir para o ataque, esbarrou, por sua vez, em suas próprias limitações.
Com uma precaução incomum, que não fora acompanhada durante toda a disputa da LC africana, o treinador Bertrand Marchand mandou o ESS a campo com cinco homens no meio-de-campo e apenas Chermiti como referência no ataque. Por mais talentoso que seja o prodígio tunisiano, não seria nada fácil para ele fazer frente à defesa do Boca – em que pese a falta de qualidade desta. Sem o apoio dos laterais, bastante presos, e com somente Sacko na armação, o Étoile não conseguiu se desvencilhar da marcação dos volantes boquenses.
Ao tentar partir para a pressão, sacando Traoui e Sacko e colocando Ben Dhifallah e Gilson “Ja” Silva, os estrelistas bateram de frente com sua maior limitação – a criação. Faltava ao time alguém que recebesse a bola no meio-de-campo e a distribuísse. Sem esse jogador, tanto a passagem dos laterais, importantes para a dinâmica da equipe, como o acionamento dos três atacantes, ficou comprometida. Assim, o Étoile virou presa fácil para os fracos zagueiros do Boca e não pôde aproveitar a sua superioridade numérica, com a expulsão do colombiano Vargas.
Ainda que tenha falhado, a defesa do ESS conseguiu, nas duas primeiras partidas do Mundial, mostrar a sua segurança. A própria aposta de Marchand pelos contra-ataques se explica pelo desempenho desse setor. Claro, porém, que, nem sempre, como aconteceu, por exemplo, no início da Liga tunisiana, ele conseguirá dar conta do serviço do ataque também. Mesmo assim, o balanço parcial realizado pelo clube de seu desempenho na competição é positivo. Resta, agora, a ele enfrentar o Urawa Reds na disputa pelo terceiro lugar e tentar repetir o feito do Al Ahly no ano passado.
E McCarthy?
À medida que a CAN se aproxima, as seleções estão divulgando as suas convocações para a competição. Até aqui, nenhuma grande surpresa, a não ser a ausência de dois nomes nas relações de Mali e África do Sul: Djimi Traoré e McCarthy, respectivamente. A não inclusão deste último, por sinal, repercutiu muito. Depois de tanto trabalhar para que o atacante do Blackburn repensasse a sua posição e retornasse para os Bafana Bafana, Parreira, quando, então, consegue o que nenhum outro conseguiu, resolveu deixá-lo de fora.
Não só ele, como, também, outros atletas mais experientes como Carnell, Buckley e Nomvete. Em contrapartida, com o espaço vago deixado por eles, o treinador brasileiro chamou algumas promessas sul-africanas, que conquistaram a sua confiança nas vitórias contra Canadá e Lesoto e no título da Taça Cosafa. Lance Davids, Teko Modise e Chabangu são alguns dos responsáveis pela condução do time em Gana.
Por mais que uma renovação se faça necessária, até tendo em vista a preparação para a Copa do Mundo de 2010, essa decisão de Parreira surpreendeu a todos. Ainda mais por se tratar de um técnico que, quando à frente do Brasil, era criticado por sua falta de ousadia. Ele não fez qualquer tipo de comentário a respeito dessa convocação, mas, enquanto os esclarecimentos não são realizados – se é que o serão -, o Blackburn disse que não teve qualquer interferência na exclusão de McCarthy. Até por que Mokoena, seu companheiro de time, foi relacionado para a CAN.
Curtas
– Confira, mais tarde, alguns comentários sobre a renovação sul-africana:
www.olheiros.net
– O CS Sfaxien é o novo campeão da Copa CAF. Depois do vice-campeonato da Liga dos Campeões no ano passado, o CSS venceu o Al Merreikh na decisão e garantiu mais um título continental para o futebol tunisiano.
– A principal estrela da conquista, o meio-campo Abdelkarim Nafti, foi emprestada ao Al Nassr, da Arábia Saudita, por seis meses.



