África

Nada de ferrolho dessa vez

 Antes de a bola rolar, pensava-se que o Brasil enfrentaria grandes dificuldades diante da Costa do Marfim. Até enfrentou. Nos primeiros minutos, os Elefantes fizeram o jogo que costuma deixar o time de Dunga perdido. Ou seja, se fechando na defesa e saindo em contra-ataque, justamente a arma dos brasileiros. Mas era necessário que alguém tomasse a iniciativa. E esse alguém, pelas circunstâncias da partida, acabou sendo a Costa do Marfim. Para o seu próprio azar.

Ao se mandar para frente, os marfinenses abriram mão do ferrolho defensivo que tão bem funcionou na estreia. O meio-campo não esteve compacto, se alargando demais e permitindo que Kaká e companhia trocassem passes por ali. Se aquela era mesmo a proposta de Sven-Göran Eriksson, teria sido de bom tom escalar, então, Gervinho no ataque.

Com o retorno de Drogba, o treinador sueco se viu obrigado a escolher quem abriria espaço para a entrada do artilheiro do Chelsea. A dúvida era entre Gervinho e Aruna Dindane. Fiel ao seu estilo, Eriksson acabou fazendo a opção mais conservadora, deixando Gervinho, talvez o melhor do time no primeiro jogo, no banco de reservas. Uma decisão contestável. Além de se submeter ao mesmo sacrifício tático na marcação, o jovem jogador do Lille acrescentaria mais na criação, atuando pelos lados do campo e prendendo os laterais brasileiros.

Faltou um pouco de visão a Eriksson – por mais contraditório que isso possa soar, considerando o sucesso que o técnico conseguiu com suas mudanças em tão pouco tempo. Sem Gervinho, a Costa do Marfim ficou relegada à dinâmica que Yaya Touré impunha na saída de bola, com passes sempre certeiros, mas que não encontravam em seus companheiros continuidade. Ao contrário do que aconteceu contra Portugal, Eboué e Tioté não se aproximaram tanto dos laterais.

Com problemas na armação, os Elefantes tiveram em Drogba uma figura nula em campo. Será preciso reparar esse detalhe e a organização da defesa, que não funcionou com a mesma fluência contra o Brasil, para fazer o placar na última rodada e ainda sonhar com a passagem para as oitavas de final. Não será fácil.

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Equipe Trivela

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