AfricaEliminatórias da Copa

Na África, a partir de agora, é matar ou morrer para ir à Copa

O equilíbrio é o grande atrativo das Eliminatórias na América do Sul. Os astros aumentam a relevância da qualificação na Europa. A quantidade de clássicos ajuda a atrair interesse à qualificação na Concacaf. Ainda assim, não existe torneio de seleções mais explosivo do que as Eliminatórias africanas. E o sorteio da terceira fase da competição, que definirá os cinco representantes do continente na Copa do Mundo de 2014, ajuda a reforçar essa ideia.

Afinal, a qualificação na África é “sanguinária” em sua essência. Enquanto todas as outras regiões contam com pontos corridos para definir os seus melhores times, os africanos optam pelos mata-matas. O sistema foi adotado a partir deste Mundial, talvez inspirado pela repercussão dos jogos entre Argélia e Egito em 2009. Os rivais árabes ficaram rigorosamente empatados em todos os critérios na fase de grupos e precisaram fazer um jogo-desempate para decidir quem iria à Copa de 2010. Melhor para os argelinos, que venceram a partida disputada no Sudão, cercada de preocupações com segurança.

Desta vez, os inimigos históricos ficaram afastados na última etapa rumo ao Mundial. Todavia, não dá para dizer que os confrontos são menos relevantes. O sorteio separou os cinco melhores colocados no Ranking da Fifa dos cinco piores. Ainda assim, foram possíveis vários duelos de peso: Egito x Gana, Costa do Marfim x Senegal, Nigéria x Etiópia, Tunísia x Camarões e Burkina Faso x Argélia.

Considerando a relação tênue entre política e futebol na África, os conflitos diplomáticos não são descartáveis. Especialmente entre marfinenses e senegaleses, rivais da costa do Atlântico. Em 2012, as duas seleções decidiram uma vaga na Copa Africana de Nações. E, desde então, os Leões de Teranga não podem mais atuar em Dacar, já que a torcida incendiou parte do estádio enquanto os Elefantes confirmavam a classificação. Motivos mais que suficientes para criar expectativas altas sobre as tensões que devem acontecer entre outubro e novembro, quando as decisões acontecerão.

A história das rivalidades africanas

Confira os maiores confrontos entre as seleções que decidirão as vagas na Copa:

Costa do Marfim x Senegal – O jogo entre marfinenses e senegaleses era considerado o mais equilibrado na última fase das Eliminatórias da CAN 2013, mas não foi bem assim. Os Elefantes venceram os dois jogos, com duas grandes atuações de Didier Drogba. A revolta dos torcedores de Senegal foi instantânea, colocando fogo em parte das arquibancadas durante o fim do jogo de volta. O campo se tornou abrigo para jogadores e torcedores da Costa do Marfim, que foi declarada vencedora mesmo com a interrupção.

Egito x Gana – O único duelo que já decidiu título de Copa Africana de Nações. Em 2010, o Egito chegou ao seu sétimo título ao vencer Gana na final. Em um jogo no qual os Estrelas Negras dominaram as chances de gol, o tento da vitória só saiu a cinco minutos do final, marcado por Gedo, o talismã dos Faraós naquela campanha.

Nigéria x Etiópia – As duas seleções se enfrentaram em janeiro, na fase de grupos da Copa Africana de Nações. E se os nigerianos ficaram com o título, devem muito ao triunfo contra os etíopes, que confirmou a classificação às quartas de final. Em um jogo sofrido, Victor Moses marcou os dois gols das Super Águias, ambos depois dos 35 minutos do segundo tempo.

Camarões x Tunísia – O sucesso de Camarões na Copa de 1990 teve a Tunísia pelo caminho durante a classificação. As duas seleções decidiram a vaga ao Mundial da Itália em 1989, com vitórias dos Leões Indomáveis tanto em Iaundé quanto em Tunes. François Oman-Biyik, um dos destaques daquele time, fez o gol definitivo.

Argélia x Burkina Faso – Os argelinos estão na história da seleção burquinense, mas de uma maneira pouco positiva. A maior derrota da história veio contra as Raposas, em um jogo das Eliminatórias da Copa Africana de 1982, quando o país ainda se chamava Alto Volta. Vitória por 7 a 0 da Argélia, com dois gols de Rabah Madjer, um dos maiores jogadores da história do país.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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