África

Maracutaia nigeriana está longe de ser maior goleada da história

Dez gols em um jogo não é algo que se vê todos os dias. Passar dos vinte é um feito bastante raro, enquanto mais do que trinta já é o suficiente para entrar no Livro dos Recordes. E quando dois clubes, adversários diretos no mesmo campeonato, vencem por 79 a 0 e 67 a 0 no mesmo dia? A maracutaia é certa. Não à toa, a Federação Nigeriana de Futebol anulou os resultados registrados pela sexta divisão do campeonato nacional.

A história começa com a disputa entre Plateau United e Police Machine, que disputavam a promoção na Divisão Amadora 4. Até o fim do primeiro tempo, as suspeitas eram grandes, mas nada tão fora do normal assim, já que o Plateau vencia por 7 a 0 e o Police anotava 6 a 0. Quando a armação ficou clara, a chuva de gols começou: 72 tentos para o Plateau somente no segundo tempo, contra 61 do Police.

Nada mais lógico, o Plateau United avançaria pelo saldo de gols, após a marca impressionante um tento a cada 37,5 segundos. Segundo relatos, as duas partidas contaram com decisões questionáveis da arbitragem, acréscimos abusivos e dirigentes trabalhando como gandulas para agilizar a reposição da bola. Por motivos óbvios, a grande gincana não foi oficializada pela federação nigeriana, que passou a investigar o caso. Além disso, o Bubayaro, derrotado por 61 a 0, foi dissolvido por seu dono, que lamentou a situação.

Nem somando os gols dos dois times nigerianos, contudo, se chega à maior goleada já registrada em uma competição profissional, ocorrida em 31 de outubro de 2002. Pelo Campeonato Malgaxe, o AS Adema massacrou o arquirrival SO l’Emyrne  por 149 a 0. Mas o placar assustador tem uma explicação bem mais profunda: o SOE decidiu protestar contra uma decisão da arbitragem na penúltima rodada do quadrangular final, que o tirou da disputa pelo título. Em sinal de revolta, os jogadores desandaram a anotar gols contra.

Em “condições normais”, a maior goleada segundo o Livro dos Recordes é um mero 36 a 0, ocorrido nos tempos em que ainda se amarrava cachorro com linguiça. Pela Copa da Escócia de 1885/86, quando o profissionalismo dava seus primeiros passos, o Arbroath trucidou o por 36 a 0 Bon Accord, um time de críquete que tentava se aventurar com a bola nos pés. John Petrie balançou as redes 13 vezes, marca só igualada por Archie Thompson em 2001, nos famosos 31 a 0 da Austrália sobre a Samoa Americana, maior placar em jogo de seleções. Ainda muito distantes do “milagre” nigeriano.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.
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