África

Missão Camarões

A pergunta que todos se fazem no continente africano é a seguinte: Paul Le Guen sabe mesmo onde está se metendo? Nesta semana, ele foi anunciado como o novo treinador da seleção de Camarões. A princípio, ficará à frente da equipe pelos próximos seis meses, podendo renovar seu compromisso, a depender dos resultados, até a Copa do Mundo de 2010. Classificar os Leões Indomáveis para a África do Sul parece ser o principal desafio do técnico francês. Mas talvez ele não esteja ciente de que seus principais adversários estarão fora de campo, ao seu lado.

Tem sido assim nos últimos anos em Camarões. De 2005 pra cá, passaram pelo comando do país quatro técnicos – o português Artur Jorge, o holandês Arie Haan, o camaronês Jules Nyongha e o alemão Otto Pfister. O primeiro foi embora reclamando do atraso de salários. O segundo anunciou a sua saída por e-mail alegando interferência de dirigentes em seu trabalho. O terceiro assumiu como interino, reergueu o time, deixando-o invicto e, ainda assim, foi dispensado. Enquanto o último largou o barco em maio reclamando, também, dos dirigentes.

A passagem de Pfister, aliás, sintetiza bem as dificuldades que Le Guen encontrará na seleção camaronesa. Antes mesmo de ser contratado, o treinador responsável por levar Togo à última Copa e dono de um vestuário que faz inveja à Dunga sentiu o tamanho do problema em que havia se metido. Sua chegada foi negociada pelo Ministro dos Esportes, que, obviamente, pelo cargo que ocupa, não tem qualquer ligação com a Fifa. O desenrolar da situação acabou gerando um grande mal-estar entre o Ministério e a federação de futebol local, a Fecafoot.

Por meses, discutiu-se a legalidade da indicação e se Pfister deveria mesmo assumir a equipe. A situação só se acalmou mais após o surpreendente vice-campeonato da CAN. Com a campanha, o técnico alemão teve mais tranquilidade para fazer seu trabalho e se dar conta, então, da inoperância dos dirigentes. Não bastasse o fato de ser novo no posto, foi obrigado a acompanhar as demais seleções aproveitarem as datas Fifa pelo mundo, enquanto o seu time permanecia parado, sem nada agendado.

Como já era de se esperar, até pelo fato de o atual grupo de Camarões não ser dos melhores, as primeiras derrotas começaram a vir ao longo do ano passado e não pararam nesta temporada. A partir daí, entrou em cena algo comum no país: a turma do amendoim camaronesa. As críticas vieram de todos os lados. Desde gente grande, como o ídolo Roger Milla, com quem Pfister teve um desentendimento, até o pequeno François, que mora na segunda transversal logo após o primeiro quebra-mola na entrada de Yaoundé.

Brincadeira à parte, de François e dos demais torcedores até dá para compreender a insatisfação e os comentários, mas de dirigentes que têm vínculo com o futebol no país, não. E foi isso que Pfister pensou diante da situação. Ainda assim, como já tem longa experiência na África, algo que Le Guen não possui, soube contornar a situação, e seguiu com o seu trabalho. No entanto, como ele bem sabe, os problemas nunca acabam por aí. É um ciclo que nunca se encerra, dizem.

E eis que, neste ano, veio a cereja do bolo. Enquanto viajava pela Europa, acompanhando e conversando com jogadores camaroneses, Pfister foi informado da demissão de seu auxiliar-técnico, a quem ele reputa como o melhor profissional com quem já trabalhou. Tamanha interferência, e sem o seu conhecimento prévio, o técnico alemão não pôde suportar, pedindo, então, a sua demissão do comando técnico dos Leões Indomáveis. Deixou para trás uma seleção que, nos dois primeiros jogos da fase final das Eliminatórias, empatou um e perdeu o outro. Faltam apenas mais quatro rodadas e a África do Sul, digamos, não é mais logo ali. Entendeu o tamanho do problema agora, Le Guen?

Corrupção em Gana?

Faltam apenas três rodadas para a atual temporada da Premier League ganense se encerrar. É um período em que os bastidores, podemos dizer, ficam agitados. E nem sempre o que se conversa longe das câmeras está de acordo com o que deveria cercar o futebol profissional. No passado, o país já teve problemas com resultados acertados fora das quatro linhas que alteraram o futuro de algumas equipes em campo. Não chega a ser algo que remonta a um período saudosista ou algo parecido. Na verdade, aconteceu na última temporada e o temor é de que se repita nesta de novo.

Em Gana, mesmo que nem todos admitam, é praticamente consenso de que, à medida que os campeonatos se aproximam de seu fim, o número de negociações escandalosas aumenta. Boa parte dos casos de corrupção acabam envolvendo clubes posicionados no meio da tabela e que não possuem mais nada a perder na competição. É uma época na qual eles supostamente se aproveitam para fazer o maior número de tratativas possíveis para assegurar a verba que bancará o seu departamento de futebol na temporada seguinte.

Recentemente, ocorreu a primeira suspeita na Premier League em um jogo entre um time sem mais qualquer ambição no campeonato, o Bekerum Arsenals, e outro que briga pelo título, o Hearts of Oak. Em seu estádio, o Arsenals é tido como um adversário que dificilmente é batido, porém, mesmo atuando contra um Hearts que estava longe de seus melhores dias, não conseguiu sair do empate em 1 a 1, permitindo, assim, que os Phobians assumisse a liderança, um ponto à frente do Asante Kotoko. Até agora, porém, ninguém provou nada em Gana.

Liga dos Campeões de volta

A Copa Libertadores acabou, mas não há motivo para desespero. A Liga dos Campeões africana volta neste fim de semana com a sua aguardada fase de grupos. Mesmo que os grandes do continente tenham ficado, em sua maioria, de fora nesta temporada, a disputa promete ser acirrada. O zimbabuano Monomotapa é um dos clubes que pode surpreender, a exemplo do que fez o seu compatriota Dynamos em 2008. Aliás, imagine se a economia local andasse melhor. Como estariam nessa altura? Porém, essa não é a situação no momento e o time foi obrigado a viajar até a Malásia para fazer um giro pelo país asiático e equilibrar as suas contas. O problema é que ele só retorna para casa nesta sexta-feira, na antevéspera de sua partida, depois de uma cansativa viagem de 11 horas. Não afetará isso o seu desempenho? Veremos. Mais detalhes na próxima coluna. Por enquanto, programe-se para acompanhar os jogos.

Grupo A

18/07

Zesco United x Kano Pillars
Al Merreikh x Al Hilal

Grupo B

19/07

Monomotapa x Étoile du Sahel
TP Mazembe x Heartland

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Equipe Trivela

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