África

Menos, menos

A África do Sul venceu a Zâmbia em amistoso disputado nesta última terça-feira e chegou, pela primeira vez em sua história profissional, à marca de cinco vitórias consecutivas. Não é preciso nem dizer que, com isso, a moral do brasileiro Joel Santana perante torcedores e imprensa está agora nas alturas. Porém, a pergunta que fica no ar é se o feito merece mesmo tamanha celebração. Dúvida reforçada, inclusive, pelo fato de o país não ter conseguido sequer se classificar para a fase final das eliminatórias para a próxima Copa Africana de Nações.

Ao longo de seu percurso até a façanha protagonizada nessa semana, os Bafana Bafana enfrentaram somente seleções de seu continente. Em setembro, bateram Malauí, que não possui qualquer tradição no futebol. No mês seguinte, foi a vez de encarar Guiné Equatorial, que, mesmo tendo naturalizado jogadores brasileiros, não empolga, e Gana, que, na ocasião, atuou com um time B. Por fim, em novembro, veio Camarões, o único adversário que pode ser levado a sério, pois jogou praticamente com sua força máxima no Nelson Mandela Challenge.

O rival que permitiu aos sul-africanos bater seu recorde de vitórias foi, na verdade, mais uma equipe ajustada com o perfil que se mostrou preponderante nesse período. Ou seja, times fracos. Zâmbia até vem crescendo, dando trabalho e revelado bons nomes, porém, o grupo que veio até Pretória para a partida era composto por atletas de seu campeonato nacional e que não tiveram nem mesmo a orientação de seu treinador ao lado do campo. Isto porque o francês Hervé Renard não pôde viajar para acompanhar o compromisso.

No entanto, não se pretende com o relato desses fatos minimizar o trabalho de Joel Santana, que vem conseguindo formar uma base interessante na seleção. Não por acaso, o talento local começa a atrair a atenção de clubes europeus, que têm vindo com uma freqüência nunca antes vista atrás de suas contratações. Esse movimento pode ser negativo para o treinador, que, com a debandada, terá maior dificuldade nas convocações, mas será recompensado, por outro lado, com a experiência que os jogadores poderão adquirir em outros centros.

De qualquer forma, com ou sem essa maior bagagem ao seu dispor, Santana terá um 2009 que promete ser decisivo para as suas pretensões. A começar pelos amistosos que terá pela frente, contra times que devem mostrar, com mais nitidez, o poderio de sua equipe. Neste primeiro semestre, já estão agendados jogos contra Noruega e Chile. Na segunda parte do ano, os escandinavos voltam a cruzar o caminho dos sul-africanos, com a Alemanha também no horizonte do país. Isso sem contar, claro, a Copa das Confederações, que trará consigo um grau de pressão que o brasileiro talvez só tenha encontrado em suas passagens pelo Flamengo.

Agora, se inicia, de fato, a contagem da África do Sul em sua busca por fazer história em 2010.

O Sub-20 empolga

Se a seleção principal é motivo de alegria para os sul-africanos, os juniores também não deixam por menos. Mesmo sem a estrela Kermit Erasmus, que não foi liberado pelo Feyenoord, a Amajita fez bonito no campeonato africano da categoria. O time comandado por Serame Letsoaka superou um forte grupo na fase final, deixando para trás Egito e Costa do Marfim, e chegou às semifinais da competição, disputadas nessa quarta-feira. No caminho da equipe, estava Gana, que surgia como favorita para o confronto.

E fez valer essa expectativa no jogo. A África do Sul até largou bem, ameaçando principalmente com o meia-atacante George Maluleka, porém, não resistiu ao excelente Ransford Osei, que marcou dois gols e ainda deu uma linda assistência para Dominic Adiyiah fazer o seu. A promessa ganense, que já havia brilhado no último Mundial Sub-17, foi o principal responsável pela emocionante vitória de 4 a 3 dos Black Satellites. Sem ele, o enredo da partida fatalmente teria sido outro.

Mesmo com a derrota, pelo lado sul-africano, vale destacar o potencial demonstrado por alguns jovens. É o caso do próprio Maluleka, bastante insinuante, e também de Ramahlwe Mphahlele e Daylon Claasen. O primeiro, zagueiro, se mostrou uma rocha na defesa e confirmou a confiança depositada em seu crescimento, enquanto que o segundo, meio-campo, é praticamente um sósia do compatriota Steven Pienaar.

Até mesmo no futebol, cadenciado e progressivo, sempre se aproximando dos colegas na distribuição das jogadas.
Com a derrota para Gana, o trio não terá a chance de enfrentar o surpreendente Camarões na final. Os Leões Indomáveis passaram pela Nigéria, maior favorita ao título, também nessa quarta. Mesmo contando com um dos melhores jogadores do torneio, o meia Lukman Haruna, do Monaco, as Flying Eagles não se impuseram na partida. Parte disso se deveu à sonolência apresentada pelos destaques Rabiu e Chrisantus, que, escondidos, contribuíram para a falta de combatividade do time no ataque.

Com espaço para criar, os camaroneses se aproveitaram da força de sua meia cancha, formada por cinco jogadores, e sufocou a defesa nigeriana, que acabou se mostrando frágil. A partir daí, só restou a Tiko Messina Germain e companhia fazer a festa e levar a equipe à decisão do Africano Sub-20. A final contra Gana está prevista para o domingo.

Liga dos Campeões retornando

A coluna retorna e, com ela, vem junto também a competição mais charmosa do mundo. Ok, estamos brincando. Mas a Liga dos Campeões africana é certamente uma das mais singulares. Prova disso é que, em sua fase eliminatória, a ser disputada a partir desse fim de semana, nada menos do que 11 clubes estarão ausentes, por já terem sido encaminhados para a etapa seguinte. Os favorecidos por essa decisão foram os seguintes: JSK, Coton Sport, ASEC Mimosas, Africa Sports, Al Ahly, Asante Kotoko, Al-Ittihad, TP Mazembe, Ajax Cape Town, Al Hilal e Étoile du Sahel.

Desse modo, eles se colocam, desde já, a quatro partidas da tão sonhada fase de grupos, onde a grana de verdade começa a rolar e a visibilidade é bem maior. Sem o mesmo privilégio, outros tantos times vão à luta já nos próximos dias. Entre os confrontos que teremos, o destaque fica por conta do embate entre SuperSport United-AFS e Cureripe Starlight-MAU. Em jogo, estará o ótimo momento dos sul-africanos, que, no plano local, surpreendem mais uma vez como postulantes ao bicampeonato da Premier League.

Março é o limite

O sonho da FIFA de sediar os seus três mundiais de futebol no continente africano pode estar indo por água abaixo. Segundo o vice-presidente da entidade, Jack Warner, a Nigéria, responsável pela organização do evento destinado a categoria sub-17, está falhando em seu calendário de metas. Warner ainda afirmou que não existe mais a mesma confiança de antes e que a visita que fará às obras em março será decisiva para a manutenção ou não do torneio no país.

Essa não é a primeira vez que os nigerianos sofrem com problemas com o Mundial Sub-17. No fim do ano passado, os dirigentes locais chegaram a desistir da competição por conta da falta de apoio financeiro do governo. A situação foi mais tarde revertida e, agora, voltou para o estágio anterior. Caso se confirme a descrença da FIFA e o os nigerianos percam o direito de receber o campeonato, será a segunda vez que isso ocorrerá na história do país. Em 1995, o mesmo se sucedeu com o Sub-20.

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo