Joel Santana vence a primeira

Em sua estréia no comando da África do Sul, Joel Santana já pôde sentir a pressão que o acompanhará até a Copa do Mundo. Apesar da pouca influência que, aparentemente, exerceu na escalação da equipe, a imprensa sul-africana não perdoou as falhas cometidas na derrota de 2×0 para a Nigéria. A princípio, o placar não impressiona, tendo em conta que as Super Águias atuavam dentro de casa, em Abuja, e possuem um grupo mais qualificado. O burburinho, no entanto, foi gerado pela opção tática do treinador brasileiro.
Ao contrário do que havia prometido, Joel Santana não repetiu a formação que vinha sendo utilizada pelo seu antecessor e responsável por sua indicação, Carlos Alberto Parreira. O ex-técnico do Flamengo adotou a cautela em sua primeira partida e, assim, mandou os Bafana Bafana a campo com três zagueiros na defesa e adiantou Pienaar e Moriri para o ataque. Nem mesmo as ausências de Modise e McCarthy foram capazes de explicar essas mudanças. Resultado: a retaguarda não se mostrou mais segura desse modo e o ataque, que já não vinha bem, piorou ainda mais.
Para o seu segundo compromisso pelas Eliminatórias, o treinador brasileiro foi bastante pressionado. Uma derrota para Guiné Equatorial frente seus torcedores o deixaria em situação difícil. Sendo assim, ele recorreu ao esquema que vinha dando certo com Parreira e produziu uma das melhores apresentações sul-africanas nos últimos tempos, com o goleiro Khune, o volante Dikgacoi e o meio-campista Modise em destaque. Foi apenas a quarta vez em sua história que a África do Sul marcou quatro gols numa partida.
A fragilidade do adversário também contribuiu para tanto, obviamente. A seleção treinada pelo brasileiro Jordan de Freitas, ex-Cruzeiro e Atlético-MG, possui como referência o meia Balboa, do Real Madrid. Serra Leoa não possui nenhum nome de relevo semelhante, mas promete engrossar contra os Bafana Bafana no sábado, pela terceira rodada da competição. O estilo pegador da equipe, as péssimas condições do gramado em Freetown e o retrospecto dos sul-africanos fora de casa – não vencem há um ano – só reforçam o perigo do confronto. A imprensa, porém, não quer saber. Se a Nigéria superou essas dificuldades, por que a África do Sul não conseguiria? Com a resposta, Joel.
E o resto?
Nos outros grupos, não houve grandes surpresas até aqui. A exceção ficou por conta da Costa do Marfim, que não passou de um empate em 0x0 com o inexpressível Madagascar fora de casa. Os Elefantes dividem, agora, a primeira colocação com Botswana. Outra seleção que, surpreendentemente, também não fez valer seu favoritismo foi a Tunísia, que perdeu para Burkina Faso na primeira rodada e, assim, permitiu aos Etalons abrir três pontos de vantagem na liderança. Tunisianos e marfinenses trocaram de treinador nas últimas semanas. Mas quem não o fez na África?
Gana, por sua vez, por pouco não ficou apenas no empate com Lesoto, mas se salvou no último minuto com um gol de Junior Agogo. Camarões e Mali seguem com 100% de aproveitamento depois das duas primeiras rodadas. O atacante Kanouté foi o destaque da vitória das Águias sobre Chade ao marcar duas vezes. Angola e Marrocos também não sofreram com nenhuma zebra nesse início e somam seis pontos nos Grupos 3 e 8, respectivamente.
Ao contrário de Costa do Marfim e Tunísia, que devem se recuperar dos tropeços que sofreram, preocupa a situação de Togo e Senegal. Desde a última Copa do Mundo, os Gaviões pouco fizeram no futebol e, para completar, perderam para a Suazilândia no fim de semana passado. Enquanto isso, os Leões de Teranga não passaram do empate com a vizinha Gâmbia e deverão encontrar dificuldades para se impor num grupo que ainda tem Argélia e Libéria.
Agora vai?
Pode-se dizer que boa parte da culpa pelos fracassos recentes da seleção senegalesa é de sua federação. Sendo assim, não surpreende o sinal positivo dado pela FIFA para que fosse formado um comitê que assumisse o controle do futebol no país, para tentar normalizar a sua situação. O estopim que motivou essa decisão foi a participação dos Leões de Teranga na última CAN, responsável pela saída de diversos membros da FSF e a revolta de clubes tradicionais como Diaraf e Jeanne D'Arc.
O caos que tomou conta de Senegal e provocou protesto por parte de atletas como Diouf e Niang, afetou o andamento de seu campeonato doméstico, claro. Sem qualquer partida disputada desde setembro de 2006, ele teve seu retorno marcado para maio, mas, como é rotina nos países africanos, foi adiado por mais de uma vez. O comitê de normalização apontou a falta de condições financeiras da federação para explicar o atraso. Ao que tudo indica, a Premier League será finalmente retomada nessa semana.
O treinador senegalês Lamine N'Diaye agradece. Após assumir o cargo, na terceira rodada da fase de grupos da Copa Africana, ele tem sido obrigado a acompanhar o futebol apenas pelo seu aparelho de televisão. Sem verba para viagens internacionais e competições para seguir no país, não há outra saída. Agora, quem sabe, N'Diaye pode retomar as suas observações e, se possível, conduzir Senegal ao topo do continente mais uma vez. Potencial para isso, todos sabem que existe.



