‘Menino negro, menino branco’: Falas racistas e sexistas de técnico geram crise antes da Copa Africana
Partido denuncia treinador da África do Sul por declarações consideradas discriminatórias; federação fala em mal-entendido linguístico
As vésperas do início da Copa Africana de Nações (CAN ou AFCON), a seleção da África do Sul vive um ambiente de tensão após declarações do técnico Hugo Broos desencadearem uma queixa formal do partido Movimento Democrático Unido (UDM). A legenda acusa o selecionador de ter feito comentários de teor racista e sexista.
O episódio teve início quando Broos criticou publicamente o jovem zagueiro Mbekezeli Mbokazi, que perdeu um voo e se apresentou com atraso à seleção.
Embora tenha classificado a atitude como “pouco profissional”, o treinador ampliou o tom ao declarar que o jogador “é um menino negro, mas sairia do seu escritório parecendo um menino branco”.
A insatisfação de Broos aumentou depois da justificativa apresentada pelo Orlando Pirates, então clube do jogador. O técnico afirmou que o time tentou proteger o atleta e atacou também a agente de Mbokazi, classificando a explicação como frágil e inaceitável.
— Nem sequer é uma equipe de ponta na MLS. Ouvi dizer que ele vai jogar na MLS 2. Aquela mulherzinha que é agente dele acha que é esperta, acha que entende de futebol. Como é possível fechar esse acordo antes da AFCON e da Copa do Mundo?
Natural de Hluhluwe, pequena cidade localizada no norte de KwaZulu-Natal, na África do Sul, Mbokazi é o novo reforço do Chicago Fire. Revelado no Pirates — clube de seu país natal — o zagueiro foi apresentado recentemente pela equipe da MLS.
O UDM formalizou uma queixa junto à Comissão Sul-Africana de Direitos Humanos, argumentando que as declarações não podem ser tratadas como simples comentários isolados. O secretário-geral do partido, Yongama Zigebe, endureceu o tom: “O racismo e as atitudes de supremacia branca não têm lugar na nossa sociedade. Hugo deve ser responsabilizado”.
🇿🇦Hugo Broos: “What I think? What will he do in Chicago?
— Football SA (@SAFootClassics) December 10, 2025
“It’s not even a top team in MLS. I heard he’ll play in MLS2.
“That little woman who’s he’s agent think, think she’s clever, thinks she knows football.
“How can you make this deal before AFCON and World Cup?” pic.twitter.com/VAxm1tw7cN
Hugo Broos responde às acusações de racismo e sexismo
Diante da repercussão negativa das suas falas, Hugo Broos se manifestou para rebater as acusações levantadas pelo Movimento Democrático Unido. O treinador afirmou que suas declarações foram retiradas de contexto e reforçou que as críticas tiveram como alvo exclusivo o comportamento profissional do jogador e a condução do caso, não a sua origem.
— É lamentável que minha forte repreensão à conduta do jogador e meus comentários subsequentes tenham sido interpretados erroneamente como racismo e sexismo. Distancio-me de qualquer acusação de racismo e sexismo — disse.
Em nota oficial, a Associação Sul-Africana de Futebol (Safa) afirmou que uma barreira linguística contribuiu para que a frustração expressada por Hugo Broos não fosse comunicada de maneira plena ou precisa durante a entrevista, o que teria levado a interpretações equivocadas sobre o real sentido de suas declarações.
A entidade também ressaltou que não houve qualquer motivação discriminatória nas falas do treinador. Segundo a Safa, ao longo dos quatro anos de trabalho de Broos à frente da seleção, nunca houve registros ou queixas por parte de jogadores, ou membros da comissão técnica relacionados a racismo, sexismo ou qualquer outra forma de discriminação.



