Guia da Copa Africana de Nações – Parte I

A Copa Africana de Nações começa no próximo dia 10, em Angola. Na Trivela, você confere hoje a primeira parte da prévia da competição. A segunda será apresentada na próxima coluna.
Grupo A
Angola
Após a surpreendente classificação para o Mundial de 2006, Angola teve a chance de impulsionar o seu futebol. Não foi isso que aconteceu. Os Palancas Negras seguem no segundo escalão do continente e recebem a CAN com a expectativa de melhorar a campanha de dois anos atrás, quando alcançaram as quartas de finais. Em sua preparação, trocaram de técnico e contrataram Manuel José, ex-Al Ahly, do Egito, e acostumado a lidar com a pressão que existirá em torno da equipe. Conhecido pela seriedade de seu trabalho, o treinador português chegou a afastar a estrela Manucho e a revelação Djalma por indisciplina, testou o time no 3-5-2, deu chance aos atletas locais e formou uma nova base. 12 dos 23 convocados para a competição são estreantes. Kali, que, assim como Dedé, rescindiu o seu contrato para estar presente, é a referência. André Macanga, Mateus Galiano e Kivuvu são as maiores ausências.
Treinador: Manuel José
Destaque: Manucho (atacante, Real Valladolid-ESP)
Promessa: Djalma Campos (atacante, Marítimo-POR)
Escala Portsmouth: baixa
Como se classificou: não disputou as Eliminatórias
Participações na CAN: 5 (1996, 1998, 2006, 2008 e 2010)
Melhor resultado: quartas de final em 2008
Mali
Essa será provavelmente a última chance de conquista de um título com uma geração que encheu de esperança os torcedores, mas que, até aqui, não conseguiu nada com a seleção. Frédéric Kanouté, Seydou Keita e Sammy Traoré já chegaram à faixa dos 30 anos e não possuem mais a mesma força de antes para conduzir o país em objetivos mais audaciosos. Mamady Sidibé, outro membro do grupo, pediu, inclusive, para ser deixado de fora da convocação. Mais um sinal da renovação que Mali enfrentará em breve. Enquanto ela não vem, a equipe se prepara no Catar para manter um retrospecto bastante positivo na CAN: em cinco participações, foram quatro semifinais.
Treinador: Stephen Keshi
Destaque: Frédéric Kanouté (atacante, Sevilla)
Promessa: Mahamane Traoré (meia, Nice)
Escala Portsmouth: média
Como se classificou: 3º lugar no grupo D das Eliminatórias
Participações na CAN: 6 (1972, 1994, 2002, 2004, 2008 e 2010)
Melhor resultado: vice-campeão em 1972
Malaui
Os malauienses não devem apoiar a ideia de ter que se deslocar até Angola para disputar a CAN. Também pudera. Com o retrospecto que a equipe apresentou em casa durante as Eliminatórias, não poderia ser diferente. Em sua campanha, as Chamas venceram Egito, Guiné e RD Congo e empataram com a Costa do Marfim. Resultados interessantes e que, na preparação para a CAN, parecem ter convencido os adversários de que o time pode representar um bom teste. Nigéria, Gana, Egito e Togo estiveram entre os países que sondaram um amistoso. A seleção comandada pelo nativo Kinnah Phiri não possui qualquer estrela e sua experiência internacional é praticamente nula. A aposta é pela força do conjunto.
Treinador: Kinnah Phiri
Destaque: Essau Kanyenda (atacante, Kamaz-RUS)
Promessa: Joseph Kamwendo (meia, Orlando Pirates-AFS)
Escala Portsmouth: baixa
Como se classificou: 3º lugar no grupo E das Eliminatórias
Participações na CAN: 2 (1984 e 2010)
Melhor resultado: primeira fase em 1984
Argélia
A forma como a Argélia se classificou para a Copa do Mundo, derrotando o Egito numa partida que ainda hoje repercute, criou uma expectativa em torno do modo como a equipe se portará em sua primeira competição após as Eliminatórias. O técnico Rabah Saadane, no entanto, afirma que a CAN não vem em boa hora e que estará satisfeito com qualquer resultado. De acordo com ele, seus atletas ainda não conseguiram se recuperar da maratona emocional a que foram submetidos e, sendo assim, não poderão ser cobrados. Uma postura conservadora para quem retorna ao campeonato depois de duas edições ausentes. Um dos planos de Saadane era promover a estreia do francês naturalizado argelino Medhi Lacen na seleção. Mas o atleta do Racing Santander pediu dispensa devido aos seus compromissos com o clube e as ameaças de clima ruim em sua recepção no time. Como de costume, a imprensa árabe utilizou a suposta falta de patriotismo para criticá-lo.
Treinador: Rabah Saadane
Destaque: Karim Ziani (meia, Wolfsburg-ALE)
Promessa: Rafik Halliche (zagueiro, Nacional-POR)
Escala Portsmouth: média
Como se classificou: 1º lugar no grupo C das Eliminatórias
Participações na CAN: 14 (1968, 1980, 1982, 1984, 1986, 1988, 1990, 1992, 1996, 1998, 2000, 2002, 2004 e 2010)
Melhor resultado: campeã em 1990
Grupo B
Costa do Marfim
Cotada como a principal força do continente para o Mundial do ano que vem, Costa do Marfim precisa mostrar as suas armas. Superar a barreira das semifinais na CAN é o primeiro desafio do país. A goleada sofrida para o Egito nesta fase em 2008 não chega a ser uma cena incomum para os marfinenses. Em toda a sua história, a equipe atingiu esse estágio por oito vezes, mas só conseguiu arrancar para o título em apenas uma. Nesta edição, os Elefantes não terão o meia Romaric Ndri, que, por motivos disciplinares, foi deixado de fora. Revoltado, o atleta do Sevilla afirmou que a sua ausência se deve a uma conspiração. O técnico Vahid Halidhodzic lidou bem com o caso e precisará ter a mesma astúcia para superar a desconfiança da torcida e convencer os dirigentes a renovar o seu vínculo. A apresentação tardia de Didier Drogba, dias antes da estreia, é o seu maior problema.
Treinador: Vahid Halidhodzic
Destaque: Didier Drogba (atacante, Chelsea)
Promessa: Gervinho (atacante, Lille)
Escala Portsmouth: alta
Como se classificou: 1º lugar no grupo E das Eliminatórias
Participações na CAN: 18 (1965, 1968, 1970, 1974, 1980, 1984, 1986, 1988, 1990, 1992, 1994, 1996, 1998, 2000, 2002, 2006, 2008 e 2010)
Melhor resultado: campeã em 1992
Burkina Faso
Sensação das Eliminatórias, Burkina Faso despontava como uma das possíveis surpresas que a África sempre apresenta em Copas do Mundo. Mas não foi dessa vez. Sorteada na fase final ao lado da poderosa Costa do Marfim, a equipe sucumbiu e teve que se contentar com a classificação para CAN. Presença assídua no campeonato nesta década, os burquinenses apostam na base que foi bem nas Eliminatórias para surpreender de novo. A parceria entre os atacantes Moumoni Dagano e Youssouf Koné, a dinâmica de Charles Kaboré e Jonathan Pitroipa no meio-campo e a segurança de Saidou Panandétiguiri na defesa são os principais atributos da seleção comandada pelo português Paulo Duarte.
Treinador: Paulo Duarte
Destaque: Moumoni Dagano (atacante, Al-Khor-CAT)
Promessa: Charles Kaboré (volante, Olympique Marseille-FRA)
Escala Portsmouth: baixa
Como se classificou: 2º lugar no grupo E das Eliminatórias
Participações na CAN: 6 (1978, 1996, 2000, 2002, 2004 e 2010)
Melhor resultado: primeira fase em 1978, 1996, 2000, 2002 e 2004
Gana
Com a missão de reunir todas as suas estrelas na CAN, o técnico Milovan Rajevac viajou para a Europa e marcou um encontro com boa parte dos jogadores. O meio-campista da Inter, Sulley Muntari, foi o único a recusar, supostamente por falta de tempo. Mais recentemente, o atleta se envolveu em outra polêmica. Assim como Michael Essien e Asamoah Gyan, não se apresentou para o amistoso com Angola. No entanto, diferentemente de seus colegas, negou-se a pedir desculpas e pagar multa. Resultado: foi deixado de fora da convocação para a Copa Africana. Outra dor de cabeça para Rajevac, que, sob pressão desde que assumiu a equipe, promete não voltar atrás mesmo após a retratação recente de Muntari. E nem precisa. Gana tem talentos de sobra no meio-campo, caso dos promissores Annan, Badu, Asamoah e Ayew. Cabe ao treinador contornar apenas a insatisfação de Essien com a exclusão de seu companheiro. Stephen Appiah, mais uma vez contundido, é outro desfalque.
Treinador: Milovan Rajevac
Destaque: Michael Essien (volante, Chelsea-ING)
Promessa: Samuel Inkoom (lateral-direito, Basel-SUI)
Escala Portsmouth: alta
Como se classificou: 1º lugar no grupo C das Eliminatórias
Participações na CAN: 17 (1963, 1965, 1968, 1970, 1978, 1980, 1982, 1984, 1992, 1994, 1996, 1998, 2000, 2002, 2006, 2008 e 2010)
Melhor resultado: campeã em 1963, 1965, 1978 e 1982
Togo
Mais uma competição importante se aproxima e Togo volta a se afundar em sua própria desorganização. A exemplo do que aconteceu em sua estreia em Copas do Mundo, os Gaviões partem para a CAN com uma situação no mínimo controversa. Em seu comando, estará o francês Hubert Velud, que assumiu a equipe interinamente mesmo com o contrato de seu antecessor, Jean Thissen, demitido em setembro, ainda em vigor. A ausência no grupo do zagueiro Nibombe Daré, um dos pilares do time, é outra decisão que pode ser depositada na conta dos dirigentes togoleses. O defensor desafiou a federação e foi punido por ordem superior. Dessa forma, será preciso contar com a pontaria afiada de Adebayor para romper a primeira fase pela primeira vez.
Treinador: Hubert Velud
Destaque: Emmanuel Adebayor (atacante, Manchester City)
Promessa: Serge Gakpé (meia, Monaco)
Escala Portsmouth: média
Como se classificou: 3º lugar no grupo A das Eliminatórias
Participações na CAN: 6 (1972, 1984, 1998, 2000, 2002, 2006 e 2010)
Melhor resultado: primeira fase em 1972, 1984, 1998, 2000, 2002 e 2006



