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Grupos C e D

Grupo C


GABÃO

Motivado pela conquista do Campeonato Africano Sub-23, primeiro título continental da história do país, Gabão será uma das sedes da CAN e certamente deve apagar a péssima imagem deixada no amistoso contra o Brasil, onde as duas seleções se enfrentaram num gramado que mais parecia um pasto. Esta partida marcou a estreia do Stade d’Angondjé, que por sinal, será o palco da final da CAN. Para construírem o estádio, os gaboneses tiveram um apoio substancial do governo da China, que pagou pelo projeto e ainda “doou” 2 milhões de euros a serem utilizados em instalações educacionais e na saúde – fruto da política chinesa em se estabelecer como a nova potência mundial.

Meses antes do início do torneio, o futebol gabonês viveu um fenômeno curioso: muitos atletas que atuavam no futebol europeu resolveram retornar ao futebol local para ganharem mais tempo de jogo, inclusive ídolos como Daniel Cousin, ex-Hull City e Rangers. Aliás, Cousin é pivô de um dos conflitos internos que podem atrapalhar a caminhada da seleção: ele e Eric Mouloungui, do Nice, não se “bicam” – as más línguas dizem inclusive que um evita passar a bola para o outro. As esperanças estão depositadas no atacante Pierre Aubameyang, do Saint-Etienne, que teve atuação destacada contra o Brasil.

Treinador: Gernot Rohr
Destaque: Pierre Aubameyang (A)
Promessa: André Biyogo Poko (M)
Como se classificou: país-sede
Melhor participação: quartas-de-final em 1996

NÍGER

Sabe aquele discurso de que “só a oportunidade de estar aqui já é uma vitória”? Pois ele vale perfeitamente para Níger, que de forma épica, liderou um grupo com África do Sul e Egito nas eliminatórias. E não pense que a luta para participar da CAN acabou por aí. O país vive uma grave crise alimentar devido à seca, e por este motivo, o governo não pôde custear os mais de 3 milhões de euros necessários para viabilizar a participação da equipe no torneio. A solução foi apelar para as doações de ministros e empresas privadas, além de outra alternativa curiosa: o governo passou a cobrar uma taxa de 1,3% em cada ligação de telefone celular da população, que vai durar até o fim da participação dos nigerinos na competição.

Dentro de campo, o que pode pesar contra a equipe é o pífio desempenho longe de casa. Nas eliminatórias, todos os pontos que o time obteve foram conquistados em Níger (3 jogos, 3 vitórias). Nos duelos como visitante, derrotas para África do Sul, Egito e Serra Leoa, fazendo com que a equipe se classificasse com saldo negativo e oito gols sofridos. O destaque do time é o atacante Ouwo Moussa Maazou, com passagens por Bordeaux, Monaco, CSKA e hoje no futebol belga.

Treinador: Harouna Dougla
Destaque: Ouwo Moussa Maazou (A)
Promessa: Seidou Idrissa (M)
Como se classificou: líder do Grupo G
Melhor participação: estreante

MARROCOS

Com as atenções voltadas para Costa do Marfim, Senegal e Gana, Marrocos acaba sendo uma das seleções mais subestimadas da competição. O belga Eric Gerets tem nas mãos um plantel com muita profundidade, mesclando juventude com experiência e reunindo inúmeros talentos individuais. Do meio pra frente, uma dor de cabeça que vários treinadores gostariam de ter: como encontrar espaço para Belhanda, El-Arabi, Taarabt, Kharja, Boussoufa, Hadji e Chamakh no time titular? Com tantas opções, jogadores como Abdelaziz Barrada, destaque do Getafe na temporada, e o atacante Mounis El Hamdaoui, sequer foram convocados.

Os Leões do Atlas contam com uma equipe bastante equilibrada também no sistema defensivo, que sofreu apenas dois gols nas eliminatórias. Mehdi Benatia, da Udinese, é quem transmite mais segurança no setor. Adel Taarabt, que havia brigado com Gerets e se “aposentado” da seleção, voltou atrás e reforça o time. Já a esperança de gols fica por conta de…Chamakh. Sim, aquele mesmo que briga com a bola no Arsenal, mas que com a camisa da seleção, sempre se mostra muito eficiente.

Treinador: Eric Gerets
Destaque: Marouane Chamakh (A)
Promessa: Younes Belhanda (M)
Como se classificou: líder do grupo D
Melhor participação: campeão em 1976

TUNÍSIA

Em sua décima aparição consecutiva na CAN, a Tunísia passa por um processo de rejuvenescimento e dificilmente conseguirá brigar de igual pra igual com as grandes seleções. Entretanto, por toda a tradição que carrega, jamais pode ser menosprezada. A equipe é comandada por Sami Trabelsi, que disputou a Copa de 1998 como jogador e faz seu primeiro trabalho como técnico. Por este motivo, o ex-zagueiro tem dificuldades em encontrar o time ideal, e sua inexperiência pode minar as chances da Tunísia no torneio.

O Espérance, atual campeão nacional, é a base desta seleção: nada menos que seis jogadores convocados atuam no clube. Alguns deles com funções imprescindíveis na equipe, como o armador Oussama Darragi, eleito o melhor jogador que atua no continente africano em 2011. Issam Jemâa, destaque da Tunísia nas eliminatórias, é a grande preocupação de Trabelsi: o meia transferiu-se para o Auxerre nesta temporada e tem sofrido seguidas lesões, consequentemente adquirindo pouco tempo de jogo.

Treinador: Sami Trabelsi
Destaque: Oussama Darragi (M)
Promessa: Youssef Msakni (A)
Como se classificou: vice-líder do Grupo K
Melhor participação: campeã em 2004

Grupo D


GANA

Com um aproveitamento recorde de 60% dos pontos disputados em 2011 (incluindo amistosos), Gana vive a pressão de conquistar sua primeira CAN em 30 anos. Terceira colocada em 2008 e vice-campeã em 2010, a equipe dirigida por Goran Stevanovic é uma das mais jovens do torneio: 13 dos 23 jogadores convocados são sub-23. Reflexo das ausências de figuras importantes, como Michael Essien, lesionado, e Kevin-Prince Boateng, que se afastou da seleção para se dedicar mais a sua carreira profissional. Como se não bastasse, um problema de última hora promete dar ainda mais dor de cabeça para o treinador sérvio: Asamoah Gyan se lesionou e deve perder as primeiras partidas da CAN, mas foi mantido na convocatória.

Sem ele, o treinador terá de quebrar a cabeça para manter o bom rendimento ofensivo do time. A princípio, Jordan Ayew e Prince Tagoe devem compor o ataque, mas não é uma dupla que inspira confiança. Com isso, Andre Ayew, que disputará sua primeira CAN como “protagonista” da seleção, pode ser adiantado para o ataque e fazer companhia ao irmão Jordan na frente. Com tantos problemas, nem parece que se trata de uma das candidatas ao título. Mas nada que os Estrelas Negras não possam superar e finalmente mudarem o triste roteiro dos últimos anos.

Treinador: Goran Stevanovic
Destaque: Andre Ayew (M)
Promessa: Jordan Ayew (A)
Como se classificou: líder do Grupo I
Melhor participação: campeã em 1963, 1965, 1978 e 1982

BOTSUANA

Eleita a melhor seleção africana de 2011 em premiação da CAF, Botsuana é o símbolo de uma nova era no continente africano. Uma era em que muitos enxergam uma crise no futebol do continente pelo fato das grandes potências terem perdido “terreno”, mas que por outro lado, tem permitido o desenvolvimento do esporte em países historicamente menosprezados em competições de grande porte. Botsuana precisou de oito anos para vencer sua primeira partida em eliminatórias africanas (1994-2002), mas reverteu o quadro até se tornar a primeira seleção a se classificar para a fase final da CAN 2012 – além dos países-sede, claro.

Com um trabalho de base consolidado e empresas privadas investindo no futebol no país, Botsuana conseguiu montar uma seleção competitiva praticamente só com jogadores que atuam na liga local. Apenas sete convocados militam em outros centros, mas estes não moram muito longe: todos atuam na África do Sul, vizinha de Botsuana. Coincidência ou não, são justamente os destaques da equipe, como meia Dipsy Selolwane, que desde 1999 representa a seleção, e o atacante Jerome Ramatlhakwane, artilheiro de Botsuana nas eliminatórias. Destaque também para o trabalho do treinador Stanley Tshosane, que desde 2008 desenvolve um trabalho de reestruturação da equipe e hoje colhe os frutos.

Treinador: Stanley Tshosane
Destaque: Dipsy Selolwane (M)
Promessa: Ofentse Nato (M)
Como se classificou: líder do Grupo K
Melhor participação: estreante

MÁLI

Máli apresenta uma safra completamente diferente daquela que construiu a reputação da seleção nacional nos últimos anos. Mahamadou Diarra, ex-Real Madrid e capitão das “Águias” por muitos anos, atualmente está sem clube e foi ignorado pelo técnico francês Alain Giresse. Frédéric Kanouté, aposentado da seleção desde o término da CAN 2010, e Mohamed Sissoko, que pediu um tempo para se concentrar em suas funções no seu clube (em situação semelhante à de Boateng em Gana), também ficaram fora da lista.

Todas essas consideráveis ausências acabam sobrecarregando o papel de Seydou Keita no time. Sim, afinal, o meia do Barcelona agora é a “estrela solitária” do elenco. Mas a seleção malinesa possui outras cartas na manga: a dupla de ataque, formada por Cheick Diabaté e Modibo Maiga, se entende muito bem – o primeiro, com quatro gols nas eliminatórias, aparece com maior destaque. Aliás, ambos entram em uma estatística curiosa desta seleção: 13 dos 23 jogadores convocados atuam no futebol francês.

Treinador: Alain Giresse
Destaque: Seydou Keita (M)
Promessa: Cheick Diabaté (A)
Como se classificou: líder do Grupo A
Melhor participação: vice-campeã em 1972

GUINÉ

Algoz da Nigéria nas eliminatórias, Guiné sonha em repetir as façanhas de 2004, 2006 e 2008: alcançar as quartas-de-final. A equipe comandada por Michel Dussuyer se destaca pela aplicação tática, mas sofreu um duro golpe às vésperas do início da preparação para a CAN: Kevin Constant, o grande destaque do time, pediu dispensa da seleção por motivos ainda desconhecidos. Especula-se que o meia tenha sofrido uma forte pressão do Genoa, seu atual clube, que tenta negociá-lo com a Lazio. Como cláusula para que a transferência se concretize, os biancocelesti teriam exigido que o guineano não viajasse para a disputa da Copa Africana.

O que pode pesar contra o desempenho de Guiné é a falta de ritmo de jogo de atletas importantes. Ibrahima Traoré, por exemplo, é reserva no Stuttgart. Pascal Feindouno, jogador mais experiente do grupo, recentemente deixou o Sion, da Suíça, e está sem clube. Apoio não falta para que a seleção faça uma boa campanha: autoridades de Conacri, capital de Guiné, disponibilizaram 7 milhões de dólares para viabilizar a participação da equipe no torneio. Empresas que operam na exploração da bauxita (curiosidade: quase um terço das reservas de bauxita já descobertas no mundo está no país) e urânio também prometeram valiosas ajudas de custo.

Treinador: Michel Dussuyer
Destaque: Ibrahima Bangoura (A)
Promessa: Ibrahima Traoré (M)
Como se classificou: líder do Grupo B
Melhor participação: vice-campeã em 1976

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