África

Grupos A e B

Grupo A


GUINÉ EQUATORIAL

Em meio a turbulências internas e troca de comando às vésperas da competição, Guiné-Equatorial será uma das três seleções a estrearem na fase final da maior competição de seleções do continente. A preparação para o torneio esteve longe de ser das melhores, sobretudo após o pedido de demissão do treinador francês Henri Michel, que alegou interferência do ministério dos esportes em suas decisões. Para o seu lugar foi trazido o brasileiro Gílson Paulo, que trabalhava no pré-mirim do Vasco. Fora de campo, a situação também é instável: o governo local, presidido por Teodoro Obiang, é acusado de perseguir jornalistas que visitam o país, devido à possibilidade de muitos passarem uma imagem negativa do que se acontece por lá.
Apesar da euforia por conta de sediar um torneio de tamanha magnitude, existe uma enorme desconfiança dos torcedores quanto ao desempenho do time. Muito por conta da política crescente de ‘recrutamento’ de jogadores, muitos deles sem qualquer ligação com Guiné-Equatorial. Dos 23 convocados, nada menos que onze são estrangeiros, desconsiderando os espanhois com ascendência guineense. Rodolfo Bodipo, atacante do Deportivo La Coruña e capitão da seleção, e Javier Balboa, meia ex-Real Madrid e Benfica, são os destaques.

Treinador: Gílson Paulo
Destaque: Javier Balboa (M)
Promessa: Iván Bolado (A)
Como se classificou: país-sede
Melhor participação: estreante

LÍBIA

A onda revolucionária de protestos na Líbia, que culminou na derrocada da ditadura de Muammar Gaddafi e deixou mais de 25 mil mortos, não foi suficiente para evitar a heroica classificação da seleção do norte africano para a CAN. Por conta da revolução, apenas um dos três jogos em que os líbios exerceram o mando de campo nas eliminatórias puderam ser disputados no país. A façanha torna-se ainda mais inacreditável pelo fato da liga local ter sido paralisada por praticamente toda a temporada passada – ou seja, 15 dos 23 jogadores que atualmente estão com a seleção ficaram inativos por um longo período.

Marcos Paquetá, outro treinador brasileiro que disputará a competição, teve de passar seis meses sem receber salários. Com ele no comando, a seleção líbia evoluiu em vários aspectos, principalmente na disciplina tática e na resistência física. O volante Djamal Mahamat, do Braga – um dos dois jogadores da equipe que atuam no futebol europeu -, é a grande estrela do time, caracterizado por uma defesa sólida (sofreu apenas um gol nas eliminatórias) e um ataque praticamente inoperante. Com a ausência de Oussama Fazzani por problemas particulares, a equipe contará com apenas dois atacantes de ofício: Iheb Boussifi e Ahmed Zuway.

Treinador: Marcos Paquetá
Destaque: Djamal Mahamat (M)
Promessa: Marwan Mabrouk (M)
Como se classificou: melhor segunda colocada – Grupo C
Melhor participação: vice-campeã em 1982

SENEGAL

Adversário mais temido dos cabeças-de-chave no sorteio da CAN, Senegal caiu numa chave bastante acessível e deve avançar com relativa tranquilidade. Os Leões da Teranga superaram um grupo com a forte seleção de Camarões nas eliminatórias e apresentam uma safra ainda mais talentosa do que aquela que surpreendeu o mundo em 2002. O único momento de incerteza vivido pela equipe envolveu o imbróglio na renovação de contrato do técnico Amara Traoré, que para alegria dos senegaleses, terminou em final feliz.

A força deste time reside no ataque. Moussa Sow, artilheiro do último Campeonato Francês, e Papiss Cissé, vice-artilheiro da Bundesliga em 2010-11, foram peças imprescindíveis nas eliminatórias. Curiosamente, o atacante senegalês de maior destaque nesta temporada, Demba Ba, nunca teve lugar cativo no time – o que já vem mudando nos últimos amistosos. O veterano Mamadou Niang, ex-Marseille, e Dame N’Doye, artilheiro do Kobenhavn, também brigam por uma vaga no comando de frente. Diante dessa variedade, não seria surpresa se o treinador adotasse o esquema tático 4-2-4, que já foi utilizado nas eliminatórias.

Treinador: Amara Traoré
Destaque: Moussa Sow (A)
Promessa: Cheick M’Bengue (D)
Como se classificou: líder do grupo E
Melhor participação: vice-campeão em 2002

ZÂMBIA

Quadrifinalista em 2010 e emplacando sua décima participação nas últimas onze edições da CAN, Zâmbia enfrenta alguns problemas na montagem de uma equipe competitiva. A primeira delas surgiu após a demissão do técnico Dario Bonetti, que caiu 48 horas após classificar a seleção para o torneio – em se tratando de futebol africano, nada surpreendente. O francês Hervé Renard, que dirigiu a equipe na CAN 2010, retorna para fazer com que esta seleção ao menos supere a primeira fase. Entretanto, as ausências de jogadores importantes como o zagueiro Thomas Nyirenda e o atacante Jacob Mulenga, ambos lesionados, podem comprometer o desempenho do time.

Ao contrário de edições anteriores, os zambianos apostam em uma equipe bastante jovem – apenas dois jogadores superam a casa dos 30 anos. Emmanuel Mayuka, o “caçula” do Mundial Sub-20 de 2007, é a sensação da equipe. Chris Katongo, com mais de 60 partidas pelos Chipolopolo, e Isaac Chansa, ótimo meia do Orlando Pirates, são os pilares da equipe.

Treinador: Hervé Renard
Destaque: Chris Katongo (A)
Promessa: Emmanuel Mayuka (A)
Como se classificou: líder do Grupo C
Melhor participação: vice-campeã em 1974 e 1994

Grupo B


COSTA DO MARFIM

Conviver com o favoritismo. Este tem sido o dilema da poderosa seleção da Costa do Marfim, que quer interromper um jejum de 20 anos sem o título mais importante do futebol africano. Os Elefantes estiveram próximos do feito em 2008, mas acabaram sofrendo uma derrota acachapante para o Egito por 4 a 1 nas semifinais. Dois anos depois, sob o comando de Valid Halilhodzic, a equipe vencia a Argélia por 2 a 1 na fase quartas-de-final, mas acabou tomando a virada na prorrogação e surpreendentemente deu adeus ao torneio. Após a eliminação, o treinador bósnio não poupou palavras ao dizer que ali havia uma grande seleção, mas não um grande time, insinuando briga de egos no elenco.

Para superar esse trauma psicológico, a Costa do Marfim parece ter aprendido a lição e aposta em um técnico ‘caseiro’ para triunfar: François Zahoui. Os marfinenses tiveram o melhor ataque das eliminatórias, com 19 gols anotados, fruto da abundância (e da qualidade) de opções para o setor: Gervinho, Drogba, Doumbia, Kalou e até mesmo os menos badalados Wilfried Bony, autor de nove gols em 16 partidas pelo Vitesse, e Max Gradel, um dos destaques do Saint-Etienne na temporada. A base é praticamente a mesma que disputou as duas últimas Copas, com os irmãos Touré, Boka, Zokora, Eboué e outros.

Treinador: François Zahoui
Destaque: Yaya Touré (M)
Promessa: Seydou Doumbia (A)
Como se classificou: líder do Grupo H
Melhor participação: campeã em 1992

SUDÃO

Única seleção inteiramente formada por jogadores que atuam no próprio país, o Sudão tem sido um verdadeiro fracasso em competições continentais nos últimos anos. Em suas últimas três participações na CAN, nenhuma vitória conquistada. Em compensação, o último triunfo não foi qualquer um. Há 42 anos, os sudaneses venceram Gana pelo placar mínimo e garantiram o único título continental de sua história. E quando se fala na estagnação do futebol local desde então, existe um consenso: a seleção precisa de jogadores que atuem no futebol europeu, e consequentemente, aprimorem suas capacidades técnicas e táticas.

A CAN pode ser uma excelente vitrine para o impulsionamento desse fenômeno, ainda que, devido ao fato do Sudão ser um dos países que mais crescem economicamente na África, os atletas não se mostrem muito seduzidos em atuarem longe de casa. Dos 23 jogadores que compõem o atual elenco, mais da metade atuam nos dois maiores clubes do país: Al Hilal e Al Merreikh, que nos últimos 19 anos, monopolizam os títulos do Campeonato Sudanês – isso explica a pouca competitividade da liga local, que reflete diretamente na seleção. O capitão do time, Haitham Mustafa, deixou pra trás suas desavenças com o técnico Mohamed ‘Mazda’ Abdalla e será o líder da equipe, que com a criação do Sudão do Sul, representará dois países nesta edição da CAN.

Treinador: Mohamed ‘Mazda’ Abdalla
Destaque: Haitham Mustafa (M)
Promessa: Mudathir El-Tahir (A)
Como se classificou: segundo melhor segundo colocado – Grupo I
Melhor participação: campeão em 1970

BURKINA FASO

Após estar entre as 40 melhores seleções do ranking da Fifa e ser cabeça-de-chave no sorteio das eliminatórias africanas para a Copa de 2014, Burkina Faso definitivamente vive um novo momento no futebol. Com uma equipe coesa e incrementada com bons valores individuais, os burquinenses tiveram pouquíssimo trabalho nas eliminatórias, apenas enfrentando seleções do último escalão do futebol africano: Gâmbia e Namíbia. Aliás, esta última pode não ter sido uma adversária à altura dentro dos gramados, mas deu muito trabalho fora dele.

A Namíbia entrou com um recurso na CAF pedindo a exclusão de Burkina da CAN, devido ao processo de naturalização do camaronês Hervé Zengue. O caso foi parar no Tribunal Arbitral do Esporte, que prontamente rejeitou a reclamação dos namibianos. Dentro de campo, o elenco dirigido pelo português Paulo Duarte, o “Mourinho da África”, conta com jogadores bastante qualificados. O trio ofensivo formado por Alain Traoré, Pitroipa e Dagano é o grande trunfo da equipe. Bertrand Traoré, meia de 16 anos e irmão de Alain, é a novidade da lista. O jovem recentemente passou por um período de testes no Chelsea, e caso entre em campo já na rodada inicial, será o terceiro jogador mais jovem a disputar uma partida de CAN.

Treinador: Paulo Duarte
Destaque: Jonathan Pitroipa (M)
Promessa: Alain Traoré (M)
Como se classificou: líder do Grupo F
Melhor participação: 4º lugar em 1998

ANGOLA

Com uma equipe tida como ultrapassada, Angola não atravessa um bom momento no continente. Os Palancas Negras sofreram para superar um grupo com Uganda, Quênia e Guiné-Bissau nas eliminatórias, e só garantiram classificação porque os ugandeses, jogando em casa, não conseguiram derrotar Quênia na última rodada. Os angolanos alcançaram as quartas-de-final em suas duas últimas participações na CAN, e caso repitam a façanha, ficarão no lucro. Lito Vidigal, quarto treinador da seleção nos últimos dois anos e com vasta experiência no futebol europeu, é o responsável pelo comando do time.

No papel, a grande virtude desta equipe é o ataque. Entretanto, mesmo com boas opções para o setor, os angolanos marcaram apenas sete gols em seis partidas nas eliminatórias. Flávio, um dos atacantes mais prestigiados do continente africano nos anos 2000, não é mais o mesmo dos tempos de Al Ahly. Manucho também caiu bastante de rendimento, ainda que seja o grande craque desta seleção. Olho no atacante Djalma, contratado nesta temporada pelo Porto e que vem atuando regularmente pelo clube português.

Treinador: Lito Vidigal
Destaque: Manucho (A)
Promessa: Djalma (A)
Como se classificou: líder do Grupo J
Melhor participação: quartas-de-final em 2008 e 2010

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