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Gana precisou suar sangue para avançar na CAN, mas já teve a vibração que faltou outras vezes

Ao longo da última década, Gana contou com uma das melhores seleções da África. Força reiterada especialmente nas Copas do Mundo de 2006 e 2010, quando os Estrelas Negras chegaram aos mata-matas, e também em partes na de 2014, diante do trabalho que deram à Alemanha no empate por 2 a 2. Entretanto, os ganeses nunca confirmaram o seu favoritismo na Copa Africana de Nações. Sempre semifinalistas desde 2008, o melhor resultado veio com o vice-campeonato para o Egito em 2010. O atual time de Gana pode não ser nem o mais talentoso dos últimos anos. Mas mostrou nesta quarta algo que faltou aos seus antecessores: vontade. Com uma raça enorme, a equipe buscou a classificação para as quartas de final.

Gana não empolgou muito nas duas primeiras rodadas, apesar da dificuldade do grupo. Perdeu por Senegal por 2 a 0 e venceu a Argélia em um duelo morno, por 1 a 0. Diante da situação da chave, a vitória sobre a África do Sul na rodada decisiva se tornava essencial, ainda que a outra partida poderia ter uma ajudinha de argelinos e senegaleses. O problema é que os Estrelas Negras saíram em desvantagem no placar, a partir do golaço de Masango, em chute de fora da área que encobriu o goleiro Razak.

O time de Avram Grant esteve longe de demonstrar a intensidade de outros tempos de Gana, apesar das ótimas opções na linha de frente. Mas teve vibração o suficiente para arrancar a virada dos Bafana Bafana e, assim, a classificação no Grupo C, o “da morte”. Boye empatou o placar aos 28 do segundo tempo. Já o gol decisivo nasceu a partir de André Ayew, principal referência técnica da equipe, aos 37 do segundo tempo. O sangue quente que os ganeses não tiveram em outras eliminações.

Apesar da qualidade de sua equipe, Senegal acabou eliminado pela Argélia, com o triunfo por 2 a 0 das Raposas do Deserto. E as duas seleções que mais deram trabalho para a Alemanha na Copa do Mundo avançaram para as oitavas de final. Pela qualidade do elenco e pela fase que vive nos últimos meses, os argelinos despontam à frente como favoritos. No entanto, nem sempre a lógica dita as regras na Copa Africana, e esta primeira fase é o maior exemplo. Ter raça vale demais, e isso Gana já apresentou como credencial.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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