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Gana e Costa do Marfim seguem como favoritas

Até aqui, não houve nenhuma grande surpresa na CAN. Talvez, o modo como o atual campeão Egito se apresentou, surpreendendo a todos pela fluidez de sua equipe, que, ao contrário das expectativas iniciais, que previam maiories dificuldades, não tomou conhecimento da maioria de seus adversários. Entre eles o Camarões, que depois de estrear com uma goleada para os Faraós, se recuperaram e, agora, enfrentarão Gana. Ao lado da Costa do Marfim, as Estrelas Negras continuam como favoritas ao título.
Na tarde desta quinta-feira, serão definidas as seleções finalistas. Confira aqui, na Trivela, um preview das duas semifinais.

Gana x Camarões

A pressão em atuar em seu próprio país, que, na fase de grupos, se apresentou de forma negativa, contribuiu para que Gana, com uma peça a menos, superasse a arqui-rival Nigéria nas quartas-de-final e seguisse adiante na competição. Entre os grandes responsáveis por essa façanha, está o atacante Junior Agogo, que, com seu estilo voltado mais para o contato físico, tem conseguido suprir o espaço que se encontrava em aberto no ataque desde a última Copa do Mundo. A defesa das Estrelas Negras, por sua vez, tem estado irrepreensível, graças, sobretudo, ao desempenho do zagueiro Mensah, que, expulso, desfalcará a equipe contra Camarões.

A ausência do capitão ganense precisa ser aproveitada pelos Leões Indomáveis. Além de tornar sua retaguarda mais frágil, ela exigirá do treinador Claude Le Roy uma decisão um tanto quanto difícil. Ou se opta por escalar o recém-recuperado de contusão Shilla Illiasu ou se recua Essien para a defesa. A segunda alternativa parece ser a mais provável e segura, o que, ainda assim, não garante nada em termos de resultado positivo. Pois, o meio-de-campo, que não conta com Appiah, perderá mais uma importante figura, restando à revelação Annan e, possivelmente, ao versátil Muntari, que seria deslocado de volta para o meio, a obrigação de marcar.

Desse modo, a chave para que Camarões consiga tirar vantagem dessa situação são as penetrações de seus meias. Retornar com Binya na lateral-direita e Geremi no centro seria a solução mais indicada. Atuando assim, a Seleção fez sua melhor partida no torneio, contra a Zâmbia, explorando o poder de organização do coringa do Newcastle. Surge como alento, ainda, para os camaroneses o fato de que, no confronto contra a Tunísia, o artilheiro Eto'o pouco foi acionado e a equipe, apesar disso, avançou por diversas vezes, principalmente com Mbia, ao ataque. Se o técnico Otto Pfister não atrapalhar, é possível que os Leões Indomáveis enfrentem Gana em igualdade de condições.

Egito x Costa do Marfim

Como disse antes, Gana é a favorita ao título, ao lado da Costa do Marfim. Mas admito, ainda assim, caros leitores, que, se fosse necessário apostar em sua seleção para derrubar os Elefantes, apostaria no Egito. O time comandado pelo outrora contestado Hassan Shehata possui as armas necessárias para tanto. Uma defesa segura, um meio-de-campo criativo e um ataque veloz. Para as semifinais, porém, tudo indica que a estrela egípcia, Mohamed Zidan, continuará fora, dando lugar ao não menos competente Aboutrika, que, assim como o atacante do Hamburg, também conduz os contra-ataques dos Faraós com destreza – recuando para formar o meio e avançando, com rapidez, para se somar a Zaki e Moteab.

Do mesmo modo que a outra partida, esta também será decidida no meio-de-campo. O Egito, a princípio, desponta com vantagem, por mais intrigante que isso possa parecer. Tanto Aboutrika, citado acima, como os demais nomes do setor, Shawky e Hosni, atuam com grande sintonia, não deixando, nunca, desprotegida a defesa, que, por sua vez, se mostra auto-suficiente com três zagueiros técnicos e com dois laterais que dificilmente sobem ao ataque. Competirá à Costa do Marfim fazer com que toda essa aplicação tática se perca. Não lhe faltam credenciais para isso.

A partir de seu segundo compromisso na competição, os marfinenses passaram a adotar um esquema mais ofensivo, que, por um lado, resultou na marcação de 14 gols em 4 partidas, e que, por outro, não comprometeu sua zaga, que sofreu – pasmem! – apenas 1 até o momento. Sem o zagueiro Kolo Touré, no entanto, os Elefantes perdem um pouco desse poderio defensivo. Nada aponta para uma queda de rendimento do setor, que, mesmo contra os egípcios, podem assegurar uma classificação tranqüila para sua equipe.

Pelo caminho…

Ainda não é chegada a hora de se realizar um balanço de tudo o que ocorreu na CAN, mas não podemos deixar de comentar, de antemão, mais uma decepção da Nigéria no continente. Está virando rotina. Por mais que sigam com sua trilha de sucesso nas categorias de base, revelando, a cada ano, opções de qualidade para a Seleção, as Super Águias não conseguem mais se impor contra seus adversários. Até passaram de fase, mas estando longe de convencer seus torcedores.

A derrota contra Gana foi mais do que merecida, pois, em caso de resultado contrário, estaria premiando um time que, em nenhum momento, conseguiu dar mostras de um futebol à altura de sua tradição. Não faltaram nomes para que o treinador Berti Vogts trabalhasse a equipe à sua maneira, seja ela de forma ultra-defensiva, como no torneio, seja ela ofensiva. É necessário uma reflexão urgente em torno do comando técnico e, também, da condução da federação do país, que, em suas atitudes, traduz a bagunça em que se tornaram tanto suas seleções como seus campeonatos.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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