Africa

Gâmbia buscou um agonizante empate no fim e disputará a segunda CAN seguida

Congo chegou a abrir dois gols de vantagem, mas Gâmbia reagiu com dois tentos na reta final da partida e se garantiu na Copa Africana

A Copa Africana de Nações teve uma verdadeira decisão neste domingo, pelo Grupo G das eliminatórias. Gâmbia e Congo se enfrentavam pela última rodada da chave, com a disputa direta entre as duas equipes por uma vaga na fase final da competição. A situação era favorável aos gambianos. Os Escorpiões dependiam apenas do empate para se classificar. Congo por pouco não causou uma reviravolta, porém. Os Diabos Vermelhos terminaram o primeiro tempo com dois gols de vantagem, no campo neutro de Marraquexe. Gâmbia parecia por um fio, mas reagiu no segundo tempo. Um gol aos 34 minutos e outro aos 45 arrancaram o empate por 2 a 2, que valeu a presença na CAN 2024. Será a segunda vez que o país disputará o torneio, após estrear em 2022.

O Congo levava a vantagem no confronto direto contra Gâmbia. No duelo pela segunda rodada, os Diabos Vermelhos venceram em Brazzaville por 1 a 0, gol de Antoine Makoumbou. Entretanto, os Escorpiões foram mais competentes no restante dos compromissos, especialmente pela vitória sobre o líder Mali. Os malineses já estavam classificados antes da rodada final, enquanto o Sudão do Sul não tinha mais chances. Assim, sobrava o confronto direto pela última vaga. Gâmbia vinha com nove pontos, contra seis de Congo. Por causa do confronto direto como critério de desempate, uma vitória simples bastaria aos congoleses.

Gâmbia tinha o mando de campo, mas não atuou uma vez sequer em seu território nessas eliminatórias da CAN. Por conta da instabilidade política no país, as partidas aconteceram em Senegal e Marrocos. O duelo deste domingo também ficou em risco, marcado para Marraquexe. Um terremoto nos arredores da cidade marroquina na última sexta-feira deixou mais de 2 mil mortos. Mesmo com a situação de calamidade na região, a Confederação Africana de Futebol não quis suspender o jogo. O clima seria ainda mais tenso para a decisão entre Gâmbia e Congo.

Congo precisava do resultado e partiu para cima no primeiro tempo. Gaius Makouta abriu o placar para os Diabos Vermelhos aos 30 minutos, num lance de insistência dentro da área. Silvere Ganvoula ampliou aos 44, cobrando pênalti para os congoleses. A reação de Gâmbia precisou esperar o segundo tempo. O primeiro sinal de vida pintou aos 34, quando Yankuba Minteh descontou ao completar um cruzamento na pequena área. Mesmo assim, faltava um gol para forçar o empate e a classificação. O tento salvador pintou aos 45, com Mohamed Badamosi. Cabeceou no canto o cruzamento de Musa Barrow e contou com a colaboração do goleiro.

O Congo não disputa a Copa Africana desde 2015, quando encerrou um hiato de 15 anos fora do torneio. Os Diabos Vermelhos têm sua tradição na CAN, com sete aparições e sua maior glória com o título de 1972. O elenco atual dos congoleses, de qualquer maneira, não oferece muitos recursos. Os destaques do time atuam em clubes mais modestos: Makouta está no Boavista, Makoumbou defende o Cagliari, o jovem Guy Mbenza faz seu nome no Al-Tai. Já o mais rodado é o meia Thievy Bifouma, que não estourou na carreira e atualmente veste a camisa do OFI Creta. Os gambianos eram mesmo favoritos por sua força no papel.

A consolidação de Gâmbia

Gâmbia, por sua vez, se consolida como uma das seleções de maior ascensão recente na África. A participação inédita na CAN 2022 não pareceu ao acaso, com a afirmação de bons jogadores nas grandes ligas europeias e um reconhecido trabalho nas seleções de base. Os Escorpiões deram trabalho no torneio continental, com uma campanha até as quartas de final em que venceram a Tunísia e eliminaram a Guiné, sucumbindo apenas diante do anfitrião Camarões. A qualidade do elenco gambiano segue presente no atual trabalho.

O treinador de Gâmbia é o mesmo desde 2018, o belga Tom Saintfiet. O comandante possui enorme experiência em seleções da África. Seu currículo inclui passagens por Namíbia, Zimbábue, Etiópia, Malawi e Togo. Também dirigiu em outros continentes Iêmen, Bangladesh, Trinidad & Tobago e Malta, além do time sub-17 do Catar. Seu trabalho à frente dos gambianos é exatamente o mais duradouro e também o mais bem sucedido, ao render duas aparições na Copa Africana. O comandante conseguiu tirar o melhor de seus talentos e conseguiu formar um senso ofensivo ao redor da equipe.

A principal referência de Gâmbia na defesa é o zagueiro Omar Colley, atualmente no Besiktas, mas que teve longa passagem pela Sampdoria. Já no ataque, Ebrima Colley segue na Atalanta, enquanto outros dois talentos rumaram para a Arábia Saudita: Assan Ceesay trocou o Lecce pelo Damac e Musa Barrow deixou o Bologna para defender o Al-Taawoun. Autor do gol decisivo, o centroavante Mohamed Badamosi também joga o Campeonato Saudita, ao se transferir do Cukaricki para o Al-Hazem. Ainda vale prestar atenção em Yankuba Minteh, outro herói da classificação. O garoto de 19 anos está emprestado ao Feyenoord, mas pertence ao Newcastle, contratado por seu destaque com o Odense. Esta foi exatamente sua estreia e o primeiro gol pela seleção.

Gâmbia se desenvolveu muito graças ao trânsito dos jogadores do país para a Serie A da Itália. O número de destaques na liga diminuiu com as últimas transferências, mas foi essencial para a consolidação dos Escorpiões. Além disso, há mais jogadores em competições secundárias ao redor da Europa. Outro motivo de esperanças sobre os gambianos é a juventude do elenco: muitos dos destaques não passam dos 24 anos, como Barrow, Colley e Minteh. Não surpreenderá se a sequência de aparições na CAN se ampliar ainda mais no futuro.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
Botão Voltar ao topo