África

Futebol medíocre. Da Argélia e de Gana

Não dava para esperar muito da Argélia, não era segredo. Mas manter durante toda a Copa uma postura covarde, defensiva foi demais. Até os jogadores do país se rebelaram, e com alguma razão. As Raposas do Desertos estão fora – e não deixarão saudades. Gana também não deixaria. Mas não está nem aí para o que eu, você ou quem quer que seja acha. Perdeu para a Alemanha, porém, segue na competição – obrigado, Austrália. Para sonhar com algo mais que as oitavas, terá que deixar o futebolzinho mecânico de lado – e a sua “obsessão” por marcar sempre de pênalti.

Esse incorrigível

Ah, Rabah Saadane, esse otimista incorrigível. Ao fim do jogo contra os Estados Unidos, voltou a recorrer ao discurso de que o futuro para a Argélia é promissor. Talvez seja. Mas sem ele, esse retranqueiro incorrigível – aqui sem ironia.

O técnico até que tentou. Esboçou uma formação defensiva, escalou três homens à frente, porém, pagou o preço por suas escolhas. Por ter desdenhado daqueles que o acompanharam durante boa parte do tempo e optado pelos “estrangeiros” – também conhecido como franceses. Uma das ausências sentida pelos argelinos foi a de Abdelmalek Ziaya, artilheiro do futebol local.

Sem ele, as Raposas do Deserto ficaram sem nenhuma alternativa decente para o seu ataque. Só jogadores de referência, ninguém com o mínimo de qualidade para se desvencilhar de qualquer zagueiro esloveno que seja. Pobres torcedores. Passam 24 anos sem ver o país num Mundial e, quando têm a chance de acompanhar o seu retorno, são obrigados a aturar Saifi, Ghezzal e outras piadas de mau gosto.

Diante dos Estados Unidos, foram algumas poucas chances. Nada que assustasse muito Tim Howard. Não dá para falar o mesmo de M’Bohli, testado a todo momento e, por que não, aprovado com louvor. Sim, claro, era impossível resistir ao bombardeio norte-americano. Mesmo com uma mãozinha do juiz – o gol marcado no primeiro tempo foi legal. Mas M’Bohli fez o seu papel, ainda que sem contar, como pontuou o excelente Bougherra em entrevista, com o apoio dos atacantes, que não só não faziam nada na frente, como também não voltavam para marcar.

Folgados, não? É, pode-se dizer que sim. Agora resta a eles esperar por esse tão falado futuro – só se fala em outra coisa fora do país. Rabah Saadane provavelmente não estará no comando para vê-lo chegar. Com o fim da participação da Argélia na Copa, já sinalizou que deve sair. O último dos moicanos – ou africanos. Não vindo Raymond Domenech, como chegaram a pensar os vizinhos tunisianos, estamos acertados.

As Estrelas Negras brilham de novo

Desde 2006, Gana é a única seleção africana a passar de fase em Copas – sim, já estou eliminando a Costa do Marfim. Nada empolgado com o dado? Tudo bem, confesso que também não me impressionou muito. Mas com as Estrelas Negras é assim. Nada de muito novo, animação. É aquele velho futebolzinho mecânico de sempre. Algo eficiente, mas que em gramados sul-africanos, porém, parece ter perdido essa característica.

A não ser que você julgue pelas cobranças de pênalti, claro. Afinal de contas, essa parece ser a única forma para Gana conseguir balançar as redes. Pode colocar a culpa em Asamoah Gyan. Duas vezes. O atacante já parece cansado de ter que anotar sempre da marca do cal. Contra a Alemanha, estava decidido a inovar – sim, para ele é inovação – e acertar um chute de fora da área. Surreal.

Foram muitas as tentativas de surpreender Neuer. Quase todas elas risíveis. Sem muita força. E assim o tempo passava para as Estrelas Negras. Não precisavam disso, é verdade. No início do jogo, foram fortes o suficiente para controlar as ações e levar perigo até a intermediária alemã – ao gol já seria demais, concorda, Kevin-Prince Boateng?

O garoto rebelde, crescido nas quebradas de Berlim, talvez, não, mas o técnico Milovan Rajevac com certeza, sim. Ao fim da partida, comemorando a classificação mesmo com a derrota, ele falou que a sua equipe precisava marcar gols mais naturalmente.

Mas como? Com uma forcinha dos universitários? Só se for. O problema de 2006 persiste. Asamoah Gyan até conseguiu enganar bem durante a Copa Africana de Nações – inclusive a este colunista. Mas segue com atuações inconsistentes. Aos ganenses, a melhor saída é confiar em Andre Dedé Ayew, aquela mesma promessa tão criticada dois anos atrás e que parece – na verdade, tenho certeza – ter dado a volta por cima. Kwadwo Asamoah poderia ser outra, entretanto, ainda tem que mostrar a que veio. Essa é a Gana que veremos diante dos Estados Unidos: dependente de um Pelé – calma, Edson, essa paternidade você também não reconheceu.

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Equipe Trivela

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