África

Outra vez, Gana mostra que boa formação de jogadores dá resultado

Em 2009, Gana desafiou os prognósticos e conquistou o título do Mundial Sub-20. A geração comandada pelo técnico Sellas Tetteh ficou marcada não apenas pelo feito histórico, mas também por ter fornecido vários jogadores à seleção principal, entre eles os imprescindíveis Andre Ayew e Badu. Outros, como Adjei, Jonathan Mensah, Inkoom, Rabiu e Adiyiah, também são convocados com frequência.

Quatro anos depois, Gana está de volta ao principal torneio de seleções de base. Em uma competição marcada pelo fracasso dos africanos, como Egito, Mali e Nigéria, os “Estrelas Negras” são os únicos classificados do continente para as quartas de final. Uma geração com menos potencial que a de 2009 – o que não é nenhum demérito -, mas que reúne alguns jogadores talentosos. Se serve de alento, essa nova safra está nas mesmas mãos do comandante que moldou a supracitada equipe campeã mundial: Sellas Tetteh.

O início dos ganeses na competição não foi nada animador: duas derrotas nos primeiros dois jogos (embora tenham sido pra duas grandes candidatas ao título, França e Espanha). Uma goleada por 4 a 1 sobre os Estados Unidos na última rodada permitiu que a equipe avançasse pelo índice técnico (quarta melhor terceira colocada), porém com a pior campanha entre todos os classificados.

Nas oitavas de final, um adversário de peso: Portugal, que tinha o melhor ataque do torneio até então. Em um jogo de duas viradas, Gana conseguiu uma improvável vitória por 3 a 2. No próximo domingo, a equipe encara o Chile nas quartas.

Ao contrário de 2009, grande parte do plantel ganês que disputa o Mundial na Turquia é composto por jogadores que atuam no futebol local. Entre os que possuem experiência internacional, podemos citar os dois principais expoentes desta safra: Richmond Boakye, atacante que pertence à Juventus e com dois gols pela seleção principal, e Baba Rahman, lateral-esquerdo do Greuther Fürth, com ótima presença ofensiva e que muito em breve pode solucionar um problema crônico da seleção principal neste setor.

Espera-se que uma boa campanha impulsione a transferência de muitos destes jogadores para o futebol europeu. Alguns apresentam bastante potencial, caso do zagueiro e capitão Lawrence Lartey, do Ashanti Gold. Kenneth Ashia, autor de um dos gols contra Portugal, é outro que merece atenção especial. Na última temporada do Campeonato Ganês, o meia anotou 13 gols em 16 jogos pelo Liberty Professionals, número mais do que expressivo para um jogador da sua função. Ele é companheiro de clube do atacante Ebenezer Assifuah, artilheiro de Gana no Africano Sub-20.

Há de se destacar que outro grande trunfo pra esta geração vingar está no banco de reservas: Sellas Tetteh é o treinador ideal para incutir uma mentalidade vencedora e desenvolver o potencial destes jogadores. Ele foi um dos principais responsáveis pelo sucesso da geração de 2009, formando um time homogêneo e com mentalidade ofensiva. Por enquanto, seu desafio é fazer com que Gana mantenha uma escrita: em todas as vezes que disputou um Mundial Sub-20 (1993, 1997, 2001 e 2009), os Estrelas Negras sempre ficaram entre os quatro melhores. Ainda que este objetivo não seja alcançado, esta safra promete render bons frutos para a seleção principal, tal como há quatro anos.

Curtas

– As seleções de futebol e rúgbi da África do Sul jogarão no mesmo dia (12 de agosto), no Soccer City, como uma forma de homenagear o ex-presidente Nelson Mandela.

– O “Nelson Mandela Sports Day”, como anunciado pelo Ministério do Esporte da África do Sul, tem o objetivo de unir o país e o mundo em comemoração e promoção do legado de Mandela. A seleção de futebol sul-africana enfrentará Burkina Faso, atual vice-campeã africana.

– O Supremo Tribunal da Suíça confirmou que o Al-Masry está autorizado a disputar a próxima temporada do Campeonato Egípcio. A Federação Egípcia de Futebol (EFA) havia suspendido o clube de competições nacionais após a tragédia em Port Said, na qual 72 pessoas morreram e dezenas de funcionários e torcedores do Masry foram presos por envolvimento no massacre.

– A partir de agora, o clube se prepara para a eleição de uma nova diretoria. O Egito vive uma situação política bastante delicada, na qual um golpe militar derrubou o presidente Mohammed Mursi – provocando inclusive a renúncia do Ministro dos Esportes do Egito, El-Amry Farouk. Por medida de segurança, o Campeonato Egípcio, que está na sua 17ª rodada, foi suspenso por tempo indeterminado.

– O presidente da Federação Nigeriana de Futebol (NFF), Aminu Maigari, ultrapassou os limites do ridículo. Segundo ele, o técnico Stephen Keshi não será mais o único responsável pela elaboração da lista de jogadores para a seleção, ameaçando claramente a autonomia do trabalho do treinador.

– Maigari ficou irritado com o fato de Keshi ter convocado diversos jogadores que atuam no futebol nigeriano para a Copa das Confederações, alegando que, dessa forma, a Nigéria não levou “o que tinha de melhor” para o Brasil. Pensamento pequeno e estúpido. Keshi faz muito bem em confiar nos atletas “locais” e não deve aceitar interferências externas. Como diz aquela música, cada um no seu quadrado.

– Pressionado ou não, o fato é que Keshi agora parece disposto a dar uma “segunda chance” para jogadores de renome que estão ausentes da seleção há algum tempo. São os casos do ex-capitão Yobo, do lateral Taiwo e do atacante Odemwingie, por exemplo. Os atacantes Obinna Nsofor e Oba Oba Martins também podem ganhar novas oportunidades em breve.

– Como esperado, a Fifa puniu a Etiópia com a perda de três pontos pela escalação de um jogador irregular contra Botsuana, no dia 8 de junho, pelas eliminatórias para a Copa. Com isso, os etíopes, que já estavam classificados para o mata-mata, agora somam 10 pontos, podendo ser alcançados por África do Sul (8) e Botsuana (7) na última rodada do Grupo A.

– Kennedy Mweene, goleiro titular da seleção de Zâmbia, é o novo reforço do Mamelodi Sundowns, da África do Sul. O arqueiro defendia o Free State Stars, também do futebol sul-africano, e assinou por três anos com o clube de Pretoria. Um salto merecido na carreira do zambiano, peça importante da seleção campeã africana em 2012.

– Parabéns ao Séwé Sport, campeão marfinense pela segunda vez em sua história – e de forma consecutiva. Com a conquista, o clube fundado em 1960 ganha o direito de representar a Costa do Marfim na próxima edição da Liga dos Campeões Africana.

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