África

Final da Champions League da África é marcada para o Marrocos e Al Ahly entra no TAS contra decisão

Com Al Ahly e Wydad Casablanca perto da final, egípcios estão insatisfeitos com a forma como o local da final foi decidido e querem esclarecimentos - e uma mudança

A Confederação Africana de Futebol (CAF) decidiu que a final da Champions League da África, no dia 30 de maio, será no Marrocos neste ano de 2022 no estádio Mohammed V, em Casablanca. Será o segundo ano seguido com a final sendo disputada no mesmo estádio. A decisão, porém, é controversa e já fez o Al Ahly, potencialmente finalista, entrar com um recurso no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) para tentar reverter a decisão.

Al Ahly e Wydad Casablanca devem ser os dois finalistas da Champions League Africana depois de abrirem grande vantagem nos jogos de ida das semifinais. Os egípcios venceram por 4 a 0 em casa contra o ES Setif, da Argélia. O seu adversário na decisão tem tudo para ser o Wydad Casablanca, que venceu o Petro Atlético de Angola por 3 a 1 fora de casa e colocou um pé na decisão. E é justamente por isso que a controvérsia se intensificou.

Diferente do que acontece na Uefa, por exemplo, que as sedes das finais única são anunciadas com anos de antecedência, a CAF anunciou onde será o jogo apenas nesta segunda-feira, em um comunicado em seu site. Segundo a entidade, havia duas candidaturas, uma da Federação de Futebol do Senegal e outra da Federação de Futebol do Marrocos. Como a candidatura senegalesa desistiu, só o Marrocos sobrou como candidata.

“A CAF tem, portanto, o prazer de premiar a realização da Champions League da África 2022 no Marrocos. A data da final é 30 de maio de 2022”, diz o comunicado. A CAF ainda informou que há discussões na entidade para voltar a ter jogos em ida e volta na decisão da Champions League da África. “Há atualmente discussões em andamento dentro da CAF para reverter para dois jogos, com ida e volta, para determinar o campeão da Champions League da África, em vez de uma final em jogo único”, diz a nota, sem dar mais detalhes.

A Federação de Futebol do Egito contestou a decisão da CAF. “A Federação de Futebol do Egito mandou uma carta oficial à CAF, confirmando o pedido para sediar a final da Champions League da África em um estádio neutro. A Federação de Futebol do Egito afirma seu apoio total ao Al Ahly, o representante do futebol egípcio, em uma demanda justa e legítima para sediar a final em um estádio neutro”, diz comunicado da Federação Egípcia.

Al Ahly decide recorrer ao TAS contra a decisão

O Al Ahly requisitou uma mudança à CAF no domingo, antes do anúncio, para que fosse escolhido um local neutro para a decisão, de forma a garantir um jogo justo e com igualdade entre os competidores. “O Al Ahly ressaltou que na carta que a final não deveria ser sediada por um dos quatro países competindo nas semifinais da Champions League da África e que um estádio neutro deveria ser escolhido para dar chances iguais aos quatro times”, informou o Al Ahly, em nota. A CAF não atendeu ao pedido do Al Ahly.

O técnico do Al Ahly, Pitso Mosimane, reclamou da decisão da CAF. “Antes dos jogos das semifinais, houve um silêncio ensurdecedor sobre qual país sediaria a final. Então, depois do primeiro jogo das semifinais, subitamente Marrocos irá sediar”, afirmou o sul-africano em publicação no Twitter.

Diante da situação, o Al Ahly decidiu entrar com um pedido no TAS. “O Al Ahly decidiu apresentar um recurso ao TAS contra a decisão da CAF de não sediar a final da Champions League da CAF em um local neutro, fora dos locais dos quatro semifinalistas, além de outras infrações que não atendem às regulações Olímpicas, da Fifa e da CAF”, afirmou o Al Ahly em comunicado.

“O clube anteriormente pediu à CAF para jogar em um local neutro e irá recorrer contra a decisão da CAF, pedindo que o TAS resolva a situação antes da final da competição. Além disso, o Al Ahly espera que a CAF esteja empenhada em não perturbar a justiça e que forneça ao TAS todos os documentos necessários que ajudarão a alcançar a justiça”, continua o clube.

“A decisão do Al Ahly de recorrer ao TAS vem depois da CAF tomar a decisão de sediar a final da Champions League da África no mesmo estádio pelo segundo ano seguido. Esta decisão dará uma vantagem de jogar em casa para um certo time que irá jogar em frente aos seus torcedores, al[em de violar outras leis e regulamentos”, continua o Al Ahly no seu comunicado.

“A CAF declarou que sua decisão foi baseada no fato que havia apenas um candidato para sediar a partida sem dar uma explicação sobre as razões por trás da desistência de outra candidatura”, diz o clube.

Técnico do Wydad: “Estamos prontos para jogar em qualquer lugar”

Do outro lado da possível decisão, o técnico do Wydad Casablanca, Walid Regragui, minimizou a controvérsia e disse que o seu time está pronto para jogar em qualquer lugar. “Estamos prontos para jogar em qualquer lugar. A CAF decidiu jogar a final no Marrocos e devemos respeitar essa decisão”, afirmou Regragui.

“Não é importante para nós onde a final acontecerá. Estamos prontos para jogar em Dakar, em Istambul ou em qualquer outro lugar. Nós merecemos quatro vitórias fora de casa nesta edição e estamos prontos para conquistar uma quinta”, continuou o treinador.

Os jogos de volta das semifinais da Champions League da África nos próximos dias 13 e 14, sexta e sábado. A final está marcada para o dia 30 de maio. Na temporada 2021, o estádio Mohammed V, em Casablanca, sediou a final, vencida pelo Al Ahly por 3 a 0 sobre o Kaizer Chiefs, da África do Sul.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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