África

Fim da lua-de-mel

Enquanto celebra o início da contagem regressiva para a Copa do Mundo, a África do Sul continua à procura de respostas que expliquem a derrota para Zâmbia no final de semana retrasado. Ante uma atmosfera extremamente positiva na Cidade do Cabo, a seleção Bafana Bafana perdeu a partida, a liderança do grupo e, também, a confiança de seu torcedor, que, pela primeira vez, passou a questionar o trabalho de Carlos Alberto Parreira. Assim como parte da imprensa, aliás.

Após sete meses de trabalho, não me parece correto cobrar do treinador brasileiro uma equipe pronta para fazer frente às maiores forças do continente. Quando a SAFA recorreu a Parreira para comandar a África do Sul, ela anunciou que, entre os seus planos, estava a formação de uma base capaz de realizar uma boa campanha em 2010. Sendo assim, não há porque fazer essa cobrança nesse momento.

O técnico tetracampeão mundial pelo Brasil não tem poupado esforços para que a seleção sul-africana retome o seu espaço. Além de amistosos contra países mais fortes, como Uruguai e Itália, ele está realizando diversos campos de treinamentos, buscando encontrar novos nomes para compor a sua equipe. Assim, a renovação que se faz necessária em setores como o ataque, onde Sibusiso Zuma, por exemplo, possui trinta e dois anos, pode começar a ser avaliada.

Parreira ainda convenceu o atacante Benni McCarthy a retornar para a seleção Bafana Bafana. Ainda que sua “reestréia” não tenha sido como esperada, a presença de McCarthy no elenco é, por si só, animadora.

Como modo de aproveitar mais a qualidade do atacante do Blackburn, o treinador brasileiro precisa mudar o seu contestado 4-5-1. Atuando como referência no ataque, como ocorreu contra a Zâmbia, McCarthy pouco fez entre os defensores dos Chipolopolos. O outro avante, Surprise Moriri, poderia avançar mais para fazer companhia a ele, entretanto, por orientação de Parreira, ao que parece, ele permaneceu mais recuado, quase formando o meio-de-campo.

Em meio às críticas a esse esquema, considerado excessivamente defensivo, Parreira não mostra sinais de que o deixará.

Classificada como uma das três melhores segundas colocadas para a CAN, a África do Sul disputará as semifinais da Copa Cosafa no fim do mês. Se passar por Botswana, ela pode reencontrar a Zâmbia na decisão em outubro.

Outros classificados

Mais três seleções se somaram às outras nove classificadas. Além de África do Sul e Zâmbia, Guiné também assegurou sua vaga. A Sily Nationale goleou Cabo Verde, enquanto a Algéria, que ainda sonhava em passar como uma das melhores segundas colocadas, perdeu para Gâmbia. No comando desde 2006, o treinador Jean-Michel Cavalli disse que estava pronto para deixar os Fennecs se pedido. Os atletas, no entanto, defendem a permanência de Cavalli.

Em situação desconfortável, Roger Lemerre também pode ser demitido da Tunísia mesmo após a classificação para a CAN. A perda da primeira colocação para o ascendente Sudão, do artilheiro Faisal Ajab, complicou ainda mais o técnico francês, que vinha sendo criticado, sobretudo, por causa de suas convocações.

Já garantidos, Angola e Camarões perderam, enquanto a Costa do Marfim empatou. Senegal, por sua vez, atropelou Burkina Faso, afastando, assim, possíveis zebras como Moçambique e Tanzânia, do treinador brasileiro Márcio Máximo.

O atual campeão Egito desperdiçou a chance de confirmar a sua classificação ao empatar com Burundi fora de casa. Sem Ahmed Hassan, suspenso, os Faraós receberão Botswana, que continua no páreo com a vitória sobre a Mauritânia, na próxima rodada. Os Mourabitounes, por sua vez, não aspiram a mais nada e cumprem tabela contra o Burundi, que ainda torce por um tropeço egípcio. Ambos os confrontos acontecerão em outubro.

Ainda no mês que vem, será definido o grupo 9. Uganda, atual terceira melhor entre as segundas colocadas, estará de olho, pois Benin pode roubar a sua vaga. Diante de uma desmotivada Serra Leoa, Les Ecureuils surgem como favoritos, condição que, aliás, não pode ser creditada nem a Mali, nem a Togo, os outros dois componentes do grupo. A ausência de qualquer um destes na CAN certamente será sentida.

No topo do mundo pela terceira vez

A Nigéria conquistou a Copa do Mundo Sub-17 pela terceira vez em sua história e se igualou ao Brasil em número de conquistas. Ao contrário de outras seleções africanas, como a Gana do atacante Ransford Osei, essa equipe não se destacou por sua técnica e seu descompromisso tático. Sua principal força estava na defesa, que, como na fase final do Africano Sub-17, quando foi vazada em somente uma oportunidade, foi bem. A dupla da zaga formada por Kingsley Udoh e Daniel Joshua dificilmente era superada, em virtude da velocidade de ambos.

Além de defender com excelência, os Golden Eaglets também eram eficientes no ataque. Em toda a competição, foram dezesseis tentos assinalados, marca superada apenas pela Alemanha. Macauley Chrisantus, referência ofensiva da equipe, marcou nada menos do que sete vezes, o que fez dele o artilheiro e, também, o segundo melhor atleta do Mundial. Não satisfeito, Chrisantus ainda deu duas assistências para seus companheiros. Alto e forte, ele fez o papel de pivô por diversas vezes.

Seu parceiro de ataque, Ganiyu Oseni, também era bastante forte, o que possibilitava aos dois receber os passes certeiros do canhoto Rabiu Ibrahim e esperar pela aproximação do meio-de-campo e dos alas. Assim, a Nigéria passou por Colômbia, Argentina e Alemanha. O antes contestado Yemi Tella deixou a competição ainda mais fortalecido como treinador.

Como era de se esperar, ao fim do Mundial, o assédio sobre as promessas nigerianas se intensificou muito. Mesmo o “europeu” Ibrahim, adquirido pelo Sporting por cerca de um milhão antes do torneio, é alvo do interesse de outros clubes. Chrisantus, no entanto, parece ser o mais procurado. De acordo com seu empresário, Adam Mohammed, mais de doze clubes mostraram interesse no atacante. Entre eles, Liverpool e Arsenal.

Durante a preparação para a competição, faltaram empresas/pessoas dispostas a investir financeiramente na equipe. Depois da conquista, porém, os Golden Eaglets são, a todo o momento, premiados, ora com apartamentos, ora com dinheiro.

Entre os outros representantes africanos, Togo não passou da primeira fase, enquanto a Tunísia foi eliminada pela França nas oitavas-de-final. Já Gana alcançou as semifinais, apesar de sua fraca defesa. Contra a Espanha, no entanto, nem seu excelente ataque formado por Sadick Adams e Osei foi capaz de carregar a equipe para mais uma vitória. Entre as revelações dos Black Starlets também figuram os laterais (atacantes!) Daniel Opare e Paul Addo e o armador Abeiku Quansah.

Curtas

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