Festa pelo continente
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Assim como em boa parte da Europa, as principais ligas africanas já foram concluídas ou estão se encaminhando para seu final. Repassaremos abaixo os campeonatos de África do Sul, Egito e Tunísia, que já conheceram seus campeões nas últimas semanas. Os torneios em andamento podem ter suas situações conferidas no box ao lado. Nem todos seguem o calendário europeu e, em alguns casos, ainda estão na metade de suas temporadas. Sem maiores delongas, vamos ao que interessa.
África do Sul
O equilíbrio deu o tom na Premier League sul-africana. Somente sete pontos separaram primeiro e sétimo colocados em seu final. O Supersport United levou a melhor nessa briga e se sagrou campeão pelo segundo ano consecutivo. Superou o Orlando Pirates e suas estrelas na reta de chegada e calou os críticos que não viam a equipe com chances de repetir a surpreendente campanha do ano anterior. Méritos para o treinador Gavin Hunt, que, para isso, teve que deixar de lado a Liga dos Campeões africana. Outro time que também se saiu bem foi o Golden Arrows, que fez o artilheiro da competição, Richard Henyekane, 19 gols e personagem de uma campanha em favor de sua presença na seleção comandada por Joel Santana.
Na parte de baixo da tabela, a decepção ficou por conta da presença do Mamelodi Sundowns, que, mesmo com o suporte financeiro de seu dono, o bilionário Patrice Motsepe, não conseguiu avançar nos torneios continentais, seu principal objetivo, e ainda deu vexame na PSL. Eleito um dos piores reforços da temporada, o atacante Sibusiso Zuma esteve longe de justificar o investimento feito em sua contratação e colaborou para o frustrante desempenho dos Brasileiros no país. Também ficaram abaixo do esperado os estrangeiros trazidos pelo Ajax Cape Town. Até por isso, o time, sétimo colocado, voltará a apostar nas promessas locais.
Egito
Mais uma temporada se encerrou com o Al Ahly dando as cartas no campeonato egípcio. Dessa vez, no entanto, a equipe só pôde comemorar o seu quinto título nacional consecutivo após um jogo de desempate contra o Ismaili, vice-campeão. Esse detalhe por si só já deixa claro que os Vermelhos não tiveram a mesma tranquilidade de outros anos ao longo de sua caminhada. A queda de rendimento de seu elenco está diretamente ligada a isso, e não se deve ignorar também a eliminação prematura na Liga dos Campeões africana. Ainda assim, é necessário ressaltar o crescimento do Ismaili sob o comando do brasileiro Heron Ferreira. Assumiu o lugar que, a princípio, caberia ao Zamalek e desafiou a força do Ahly até onde foi possível.
Os Cavaleiros Brancos ficaram, aliás, com o posto de decepção de novo. Poderiam até aproveitar a fase instável de seus rivais do Cairo para roubar o domínio local, mas dificilmente conseguirão se valer desse momento para recuperar o espaço que vem perdendo dentro do país nos últimos anos. Troca-troca de treinadores, bastidores agitados, jogadores indisciplinados e protestos de torcida são alguns dos elementos que formaram o seu ambiente nessa temporada. Nenhuma novidade nisso, cabe dizer. Melhor para forças secundárias como Petrojet e ENNPI, que, atravessando melhor fase financeira, têm subido na cotação do campeonato egípcio. Foram terceiro e quinto colocados, respectivamente.
Tunísia
Embora ainda mantenha parte da base que conquistou o título africano em 2007, o Étoile du Sahel não possui mais a mesma força em seu cenário local. Prova disso é que, mais uma vez, o time ficou para trás na linha de chegada da Ligue 1 tunisiana e, assim como nas últimas duas temporadas, viu um rival chegar na frente. Se em 2008 o algoz foi Club Africain, nesta temporada acabou sendo o Espérance, que teve no atacante nigeriano Mikael Eneramo o grande destaque de sua campanha. Artilheiro do campeonato, ele marcou 18 gols, dez a mais que o segundo colocado Sadat Bukari, do Étoile.
As rodadas finais da Ligue 1 foram mais uma vez emocionantes, com os três primeiros colocados brigando pelo título até o último momento. Uma mostra da força do campeonato tunisiano, que, a exemplo de seus pares do Norte do continente, vem crescendo a cada temporada e atraindo cada vez mais estrangeiros para seus clubes. Não por acaso uma medida no sentido de coibir um exagero nesse sentido está sendo estudada. Perspectivas promissoras para o futuro de um torneio que já tem até seis equipes bem estruturadas para assumir a dianteira no país.