África

Fazendo história

Ao passo que a Liga dos Campeões Africana está prestes a conhecer o seu novo campeão (caso seja o Espérance, que defende o título, nem tão novo assim), outra importante competição continental também vive um clima de decisão: a Copa da Confederação Africana, uma espécie de Liga Europa ou Copa Sul-Americana do continente – com a diferença que todos os participantes tratam o torneio como prioridade. Contrariando quaisquer expectativas, duas equipes estreantes em finais continentais fazem a grande final: Djoliba, de Mali, e AC Léopards, do Congo.

Curiosamente, havia a expectativa de que a decisão do torneio fosse protagonizada por uma das maiores rivalidades do futebol africano: Al Merreikh e Al Hilal, os gigantes do futebol do Sudão. Desde 1970, as duas equipes simplesmente polarizam os títulos no país. Neste período, apenas em uma oportunidade o Campeonato Sudanês não ficou em posse de nenhum dos dois clubes. Números impressionantes, mas que não valeram de nada na competição continental. Mesmo com amplo favoritismo nas duas semifinais (o Merreikh contra o Léopards e o Hilal contra o Djoliba), os rivais morreram abraçados.

Em toda a história do torneio, apenas em duas oportunidades a final foi disputada entre times do mesmo país: em 2004, pelos ganeses Asante Kotoko e Hearts of Oak, e em 2006, pelos tunisianos CS Sfaxien e Etoile du Sahel. A eliminação dupla só comprova a fama de “pipoqueiros” que os sudaneses carregam na África. O Al Hilal, por exemplo, emplacou quatro semifinais continentais nos últimos quatro anos. Um feito excepcional, não fosse o fato de ter sido eliminado em todas elas. Em toda a história, os gigantes do Sudão somam três derrotas em finais e sete derrotas em semifinais continentais.

De qualquer forma, vamos aos verdadeiros protagonistas. Djoliba e AC Léopards superaram cenários completamente desfavoráveis para se aproximarem de um inédito título continental. A começar pelo Léopards, único dos quatro semifinalistas que disputam a Copa da Confederação desde a fase preliminar – os outros entraram na competição por terem sido eliminados na fase preliminar da Liga dos Campeões.

O modesto time do Congo-Brazzaville, que não conta sequer com um título nacional em sua história, deixou pra trás equipes de maior reputação – só para citar algumas – como CS Sfaxien, Maghreb de Fes, Wydad Casablanca e, por último, o Al Merreikh, vencendo o jogo de ida da semi por 2 a 1 e segurando um empate sem gols no Sudão – o Merreikh não deixava de marcar gols em casa por competições africanas desde 2009.

Contra todos os prognósticos, o AC Léopards pode fazer história ao garantir o primeiro título continental de um clube do Congo-Brazzaville em 38 anos – o último foi o CARA Brazzaville, na extinta Copa Africana dos Campeões de 1974. O título também faria uma diferença considerável no coeficiente dos clubes africanos, pois abriria espaço para mais uma equipe congolesa disputar uma competição continental em 2013 – atualmente são apenas duas. Na grande decisão, o Léopards tem a vantagem de disputar o jogo de volta em casa na cidade de Dolisie, um importante centro comercial do país.

Não menos heroico, o Djoliba se garantiu como o outro finalista. Perdeu o jogo de ida para o Al Hilal por 2 a 0, mas devolveu o placar em Bamako e venceu nos pênaltis. Individualmente é uma equipe mais capacitada, dispondo de jogadores de seleção como Idrissa Traoré e Alou Bagayoko, mas que também passou por percalços. O Mali vive uma crise político-militar desde março, por conta de uma rebelião tuaregue separatista no norte do país, que ainda não foi derrotada. O conflito interferiu diretamente no dia a dia da equipe, afinal, a capital Bamako passou por maus bocados durante a insurgência tuaregue.

Em campo, o Djoliba não perde em casa desde 2010 e sabe que o mando de campo fará toda a diferença. Os finalistas já se enfrentaram anteriormente na fase de grupos, com empate em 1 a 1 no Mali e vitória do AC Léopards por 3 a 0 no Congo (com o Djoliba já classificado em primeiro no grupo, vale lembrar). Portanto, o jogo de ida em Bamako, no dia 18, promete ser decisivo. Seja qual for o campeão, será um prêmio mais do que merecido por uma longa batalha percorrida.

Curtas

– Em meio a temores de segurança, a decisão da Liga dos Campeões Africana entre Espérance e Al Ahly, em Radès, terá capacidade de público reduzida. O estádio comporta 65 mil pessoas, porém apenas 35 mil ingressos serão vendidos para o grande jogo de sábado.

– Sidney Sam, do Bayer Leverkusen, será a surpresa da Nigéria para a disputa da CAN 2013. Alemão com ascendência nigeriana, o meia-atacante finalmente escolheu qual seleção representará durante a carreira. O técnico Stephen Keshi, da seleção nigeriana, confirmou a novidade.

– O Sudão do Sul finalmente disputará a primeira competição oficial de sua história: a Copa CECAFA, disputada entre as seleções da África Central e Oriental. Os sul-sudaneses estão no Grupo A, com a anfitriã Uganda, Quênia e Etiópia, e disputarão o jogo de abertura do torneio, no dia 24 de novembro, contra os etíopes.

– Após uma indefinição de quais clubes egípcios disputariam competições continentais no ano que vem, por conta da suspensão da última temporada local, a Federação Egípcia decidiu que os mesmos clubes que representaram o país neste ano também marcarão presença em 2013: Al Ahly e Zamalek na Liga dos Campeões e o ENPPI na Copa da Confederação.

– Uma das principais promessas do futebol egípcio, o atacante ganês Samuel Afful, do Smouha, será vendido ao Young Boys, da Suíça, por aproximadamente 1,5 milhão de dólares. Ele será o substituto de outro atacante africano que fez sucesso no clube europeu, o zambiano Emmanuel Mayuka.

– Com um formato diferente do habitual, começou a temporada 2013-13 da Ligue 1 tunisiana. Ao invés dos tradicionais pontos corridos, as 16 equipes participantes foram divididas em dois grupos com oito times cada. O atual campeão, Espérance, estreou com vitória, pra variar: 2 a 1 sobre o Olympique Béja.

– O Tusker sagrou-se campeão do Campeonato Queniano de 2012. A equipe goleou o City Stars por 3 a 0 fora de casa e ainda contou com um tropeço inesperado do Gor Mahia, que só dependia de si para ficar com o título, em casa contra o Thika United: 1 a 1. É o 10º título nacional da história do clube.

– O Zanaco, de Zâmbia, foi outro campeão nacional consagrado nesta semana. A equipe derrotou o Nkana por 3 a 1, enquanto o franco favorito ao título, Power Dynamos, perdeu do Red Arrows por 1 a 0 e deixou o título escapar. Patrocinado pelo Banco Nacional de Comércio do país, o clube conquistou seu sexto título da Premier League.

– Com dez rodadas disputadas, o Kaizer Chiefs segue na ponta do Campeonato Sul-Africano. A equipe visitou o SuperSport United e conquistou uma vitória importantíssima por 2 a 1. O Orlando Pirates, atual campeão e vice-líder com quatro pontos a menos, fez 1 a 0 no Free State Stars.

– No Marrocos, a zebra do início de temporada atende pelo nome de FAR Rabat. Com uma vitória por 1 a 0 sobre o KAC Kénitra, a equipe pulou para os 17 pontos, quatro a mais que o vice-líder, Raja Casablanca – este, no entanto, com um jogo a menos.

– Com uma vitória por 1 a 0 sobre o CR Belouizdad, o ES Sétif segue liderando a Ligue 1 argelina. A equipe soma os mesmos 23 pontos do USM El Harrach, que aplicou 3 a 0 no MC Oran.

– O Berekum Chelsea bateu o New Edubiase por 2 a 1 e retomou a liderança do Campeonato Ganês, agora com 14 pontos em sete rodadas. No entanto, o equilíbrio é tanto que o oitavo colocado, Tema Youth, possui apenas quatro pontos a menos.

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