África

Étoile e Sfaxien pela primazia africana

A seleção da Tunísia está em baixa. Além de não apresentar um futebol convincente, como pôde ser comprovado no amistoso de ontem, diante dos Emirados Árabes, ela ainda continua sendo duramente criticada pela derrota contra o Sudão nas eliminatórias para a CAN. Ao contrário das Águias de Cartago, o Étoile du Sahel e o CS Sfaxien atravessam uma excelente fase.

Eles estarão presentes em decisões no continente mais uma vez. Diferentemente do ano passado, porém, o ESS disputa a da Liga dos Campeões, enquanto o Sfaxien a da Copa CAF. Os adversários serão o Al Ahly e o Al-Merreikh, respectivamente. Os confrontos de ida estão marcados para o fim do mês e o início de outubro.

Essa será a terceira final de LC que o Étoile participará nessa década. Em 2004 e 2005, ele perdeu para Enyimba e Al Ahly – que, aliás, estará em seu caminho outra vez. A equipe treinada por Manuel José é praticamente a mesma de dois anos atrás. Entretanto, o momento atual é diferente. A fluidez que ela apresentava em suas partidas não mais existe. Em decorrência, sobretudo, do envelhecimento de peças importantes como Barakat.

Não seria precipitado dizer que o ESS é favorito para essa revanche, pois, ele não está tão estafado fisicamente quanto o Ahly. Somando-se a isso o excelente momento que sua defesa passa e o crescimento de Amine Chermiti no ataque, nota-se que o menosprezo de seu técnico, Bertrand Marchand, para com os Vermelhos não é descabido.

Esse cenário, por sinal, é parecido com o do ano passado. Como agora, o Sfaxien, também da Tunísia, despontava como candidato a encerrar o domínio do Ahly no continente africano. Ele até chegou perto, mas não conseguiu a façanha. Superada essa derrota, o CSS alcança mais uma decisão, mostrando que a campanha na LC não foi mera obra do acaso.

Para a final da Copa CAF contra o Al-Merreikh, a principal aposta do clube de Sfax continua sendo Abdelkarim Nafti. O armador, porém, não conta mais com a companhia de algumas peças importantes do vice-campeonato, como o zagueiro Issam Merdassi e o atacante Joetex Frimpong. Em contrapartida, o treinador Michel Decastel, que sucedeu a Mrad Mahjoub, trouxe reforços que se adaptaram rapidamente à equipe.

Além da conquista dessa competição, o Sfaxien também estabeleceu como meta a Ligue 1. Atualmente, ele ocupa a terceira posição no certame nacional, cinco pontos atrás do ainda invicto Étoile. Na última rodada, inclusive, o CSS desperdiçou a chance de se aproximar da liderança ao perder para o próprio ESS. Criticado pela postura defensiva de sua equipe, Decastel parte para mais uma decisão à frente do Sfaxien.

Hossam Hassan em pauta

Romário reapareceu poucos dias atrás dizendo que queria atuar no clássico contra o Flamengo. O treinador Celso Roth ainda não definiu se o escalará, mas, como sabemos, ele manda e desmanda no Vasco. Situação parecida, aliás, com a que encontramos no futebol egípcio, mais precisamente no Al Ittihad. No clube de Alexandria, um atacante também conhecido internacionalmente está causando polêmica.

Assim como o vascaíno, Hossam Hassan possui 41 anos, estatura baixa e, ainda, a mesma capacidade para produzir manchetes a seu respeito. Quando todos esperavam que ele se aposentasse ao fim da temporada anterior, o atacante optou por continuar com sua carreira no Al Ittihad. A expectativa em torno de seu desempenho era grande, em virtude, sobretudo, do papel de líder e de artilheiro que ele costuma exercer nas equipes que defende.

Além de Hassan, outros reforços de peso, como o nigeriano Daudu Alilu Eboh, chegaram ao Al Ittihad, causando a sensação de que era possível melhorar, e muito, a campanha da última Liga Egípcia. Depois de sete rodadas e quatro pontos somados, porém, o clube está em crise. Não obstante a penúltima colocação na tabela, a instabilidade da atual diretoria e o relacionamento entre os atletas contribuem ainda mais para o prolongamento dessa fase.

A experiência é fundamental para se lidar com momentos como esse. Sabidamente, ela se encontra no nome de Hassan em Alexandria, mas, ao que parece, ele não está disposto a cooperar para que essa crise termine. Na semana passada, o experiente atacante se revoltou ao saber que seria punido por faltar a um treinamento. De acordo com ele, nomes de sua estirpe merecem um tratamento especial (!).

Desde que foi contratado, Hassan não marcou um tento sequer. Ainda assim, ele se sente no direito de criticar a tudo e a todos no clube. É claro que uma ‘lenda viva’ como ele precisa ser ouvida e, acima de tudo, respeitada. No entanto, desde que seu comportamento se apresente como adequado. Como não é esse o caso, os indícios de que, em dezembro, ele encerrará sua passagem pelo Al Ittihad são fortes.

Os “últimos”

No fim de semana passado, foram definidos os três últimos classificados para a CAN. Como esperado, o Egito ganhou da Botswana e assegurou a liderança do Grupo 2, enquanto Mali confirmou o seu favoritismo contra Togo e conquistou a classificação. Benin, por sua vez, passou como um dos três melhores segundos colocados e, de quebra, ainda prorrogou a agonia de Serra Leoa, que, desde 2003, não vence em casa.

A rodada final das eliminatórias da CAN se notabilizou, porém, pelos incidentes ocorridos em Lomé, capital do Togo. Ao fim da partida entre a seleção local e Mali, dezenas de torcedores deixaram as arquibancadas e iniciaram uma verdadeira batalha campal – assim classificada pelo treinador das Águias, Jean-François Jodar. Como conseqüência das agressões dos togoleses, os atacantes Frédéric Kanouté e Mamady Sidibé chegaram ao vestiário com ferimentos graves.

Essa não foi a primeira vez que um encontro entre essas duas equipes acabou dessa maneira. Em 2005, elas se enfrentaram pelas eliminatórias para a Copa do Mundo em Bamako, em Mali, e o desfecho também foi lastimoso. As Águias tinham que superar Togo para continuar com chances de classificação e o vinham fazendo até os acréscimos do segundo tempo, quando os Gaviões viraram o placar, desencadeando uma revolta entre os torcedores. Em decorrência da invasão de campo, a partida teve que ser abandonada e Togo foi declarado vencedor posteriormente.

Os efeitos da derrota, no entanto, foram além dos limites do estádio. Não conformados com o resultado, os mesmos torcedores atacaram e assaltaram diversas pessoas. Essa revolta foi, inclusive, comparada a Revolução de 26 de março, que encerrou a ditadura em Mali em 1991 e estabeleceu a democracia desde então.

Enquanto não anuncia o resultado da apuração dos incidentes em Lomé, a CAF realizará o sorteio das chaves para a próxima CAN na sexta-feira, em Gana.

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Equipe Trivela

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