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Erro crasso do árbitro classifica Guiné Equatorial na CAN e garante mais propaganda a ditador

Guiné Equatorial está longe de ser dos países mais influentes da África. Dentro do futebol, porém, não é bem assim. A pequena nação da costa do Atlântico possui 1,6 milhões habitantes nunca se classificou para a Copa Africana por méritos dentro de campo. Mas o jogo político de seu presidenteTeodoro Obiang, há 35 anos no poder, pesa na confederação. A disponibilidade do mandatário em promover o futebol (e o seu regime ditatorial, apesar de eleições fraudulentas) no continente levou a CAN para lá em 2013, assim como socorreu os cartolas às pressas em 2015. E, neste sábado, ganhou também uma boa ajuda da arbitragem. Graças a um pênalti muito mal marcado, Guiné Equatorial está nas semifinais da Copa Africana.

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O jogo em Bata parecia nas mãos da Tunísia. Ahmed Akaichi abriu o placar aos 25 minutos do segundo tempo e as Águias de Cartago conseguiam segurar o resultado. Até um pênalti inexistente ser anotado pelo árbitro Rajindraparsad Seechurn, de Ilhas Maurício, e dar a chance de empate para Guiné Equatorial aos 48 minutos. Javier Balboa converteu e levou o confronto para a prorrogação. Já no tempo extra, o meia demonstrou enorme categoria ao cobrar falta na gaveta e confirmar a inédita classificação à semifinal. Obviamente, após o apito final, muita reclamação dos tunisianos com a arbitragem, também pelo pouco tempo de acréscimo após a contusão do goleiro adversário.

Na próxima fase, Guiné Equatorial enfrenta Gana ou Guiné. Para fazer um pouco mais de propaganda ao governo de Obiang. Um presidente que, apesar das acusações de sequestros, assassinatos de inimigos políticos, tortura de prisioneiros, ameaças de mortes, fraudes eleitorais e até mesmo de canibalismo, acabou contemplado com a Copa Africana pela CAF. Nada surpreendente, por uma confederação também marcada por frequentes acusações de corrupção e que, parada no tempo, faz muito pouco pela evolução do esporte no continente.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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